quinta-feira, 15 de março de 2007

LEMBRAR CAMILO PESSANHA (1867 - 1926)



ESTÁTUA
Cansei-me de tentar o teu segredo
No teu olhar sem cor, - frio escalpelo, -
O meu olhar quebrei, a debatê-lo,
Como a onda na crista dum rochedo
Segredo dessa alma e meu degredo
e minha obsessão! Para bebê-lo,
Fui teu lábio oscular, num pesadelo,
Por noites de pavor, cheio de medo.
E o meu ósculo ardente, alucinado
Esfriou sobre o mármore correcto
Desse entreaberto lábio gelado...
Desse lábio de mármore, discreto,
Severo como um túmulo fechado,
Sereno como um pélago quieto.
Camilo Pessanha in "Clepsidra" (1920)

Um comentário:

Anônimo disse...

Aprendi muito