domingo, 13 de janeiro de 2008

POEMA DE TEIXEIRA MOITA PARA O FILO-CAFÉ "SUICÍDIO/ALTERICÍDIO"

“quebra de nascimento”

O objectivo é este objecto: Suicídio.
O Suicídio é uma maneira de fazer parar os anos;
uma autodeterminação que força os lástimos
a rasparem uns nos outros
a sua culpa e as suas desculpas.

O vivo é;
o morto está.
Morrer assim,
ou tímida ou exuberantemente,
recusando a tômbola,
decidindo, por a tal sentir-se obrigado,
afagar o útero da Morte,
sobrecarrega aqueles sobrevivos
com o mesmo apetite

O suicida é (foi) aquele
que quis chamar os surdos à sua volta
partindo caules de folha de plátano
(O suicídio floresce mais no Outono)

O suicídio floresce mais no Outono
porque o Outono é belo
e sendo bela a estação
todo o suicida quer matar a falta de Beleza
de tudo o que o antecedeu,
escrevendo como que
uma tanatografia de todos os cronómetros
que a ele deram corda
encolhendo o limite do abismo

O suicida só fala no fim
mas é fim de parágrafo,
um ponto que pinga
para uma reticência
Ele é somente quando queria deixar de o ser
e, desfazendo a sequência,
quebrou o nascimento.

Teixeira Moita

Filo-Café "Suicídio/Altericídio"
Porto, Café Princesa
12 de Janeiro de 2008, 21H00

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