quarta-feira, 18 de março de 2009

TIAGO MOITA PRESENTE NA CAMPANHA "POESIA À MESA 2009"


No programa cultural "POESIA À MESA 2009", o escritor Tiago Moita vai mais uma vez participar na peregrinação poética pelos bares da cidade de S. João da Madeira ao lado de José Fanha, Rita Salema e João Maria Pinto. O evento terá lugar nesta sexta-feira, dia 20 de Março.
O evento começa a partir das 21H30 na Biblioteca Municipal da região.
Para além da sua presença na peregrinação poética, Tiago Moita participou no projecto "O MAIOR POEMA DO MUNDO" organizado pela Associação Cultural TEIA DOS SENTIDOS com o seguinte verso:
TEMPO, LIBERDADE EM FLOR
METAMORFOSE EM MOVIMENTO
BEIJO HÚMIDO QUE FAZ DO AMOR
UMA ETERNIDADE SEM DOR NEM TEMPO
O MAIOR POEMA DO MUNDO vai ficar em exposição na Biblioteca Municipal até dia 22 de Março.

FILIPA LEAL EM S.JOÃO DA MADEIRA

É já nesta quinta-feira, dia 19 de Março, pelas 21H30 que S. João da Madeira tem o prazer de receber mais uma vez a escritora e poeta Filipa Leal.

O motivo da sua presença deve-se à apresentação do seu último livro "A inexistência de Eva" (Deriva Editores)

Compareçam!

Sobre a autora:


Filipa Leal nasceu no Porto em 1979. Formou-se em Jornalismo na Universidade de Westminster, em Londres, e é mestre em Estudos Portugueses e Brasileiros pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, onde apresentou a dissertação sobre os "Aspectos do cómico na poesia de Alexandre O'Neill, Adília Lopes Jorge Sousa Braga." Jornalista, fez uma breve incursão pela rádio e é editora do suplemento "Das Artes e Letras" no diário O Primeiro de Janeiro. Depois de um ano de formação no Balleteatro do Porto, começou a participar, em 2003, em recitais de poesia no Teatro do Campo Alegre, ciclo do qual faz parte. Integrou o primeiro Encontro Internacional de Escritores da Galiza (2006), A Festa da Poesia, em Matosinhos (2007), e a nona edição do Correntes d'Escrita (2008). Está representada nas antologias "Uma luz de Papel" (Ed. Eterogémeas, 2007) e "Pathos", do colectivo A Musa ao Espelho (Gaialivro, 2007). Tem colaborações dispersas nas revistas Egoísta e Mealibra. Participa nos Seminários de Tradução Colectiva de Poesia da Fundação da Casa de Mateus.

Outros Livros da Autora:
  • LUA-POLOROID (Ficção), 2003, Corpos Editora;


  • TALVEZ OS LÍRIOS COMPREENDAM (Poesia), 2004, Cadernos do Campo Alegre


  • A CIDADE LÍQUIDA E OUTRAS TEXTURAS (Poesia), 2006/ 2ª ed. 2007, Deriva


  • O PROBLEMA DE SER NORTE (Poesia), 2008, Deriva.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Projecto "O MAIOR POEMA DA CIDADE" (16 de MArço, Biblioteca Municipal de S. João da Madeira


OUTROS OLHARES: JULIANA SEABRA


"FECUNDAÇÃO" e "ALÍVIO" (Elisabete Monteiro)



"Fecundação"



"Alívio"

"SINOPSE" de Herberto Hélder


Sinopse:
Engoli água. Profundamente: — a água estancada no ar.
Uma estrela materna.
E estou aqui devorado pelo meu soluço,
leve da minha cara.
O copo feito de estrela. A água com tanta força
no copo. Tenho as unhas negras.
Agarro nesse copo, bebo por essa estrela.
Sou inocente, vago, fremente, potente,
tumefacto.
A iluminação que a água parada faz em mim
das mãos à boca.
Entro nos sítios amplos.
— O poder de reluzir em mim um alimento
ignoto; a cara
se a roça a mão sombria, acima
da camisa inchada pelo sangue,
abaixo do cabelo enxuto à lua. Engoli
água. A mãe e a criança demoníaca
estavam sentadas na pedra vermelha.
Engoli
água profunda

******
a vida inteira para fundar um poema,
a pulso,
um só, arterial, com abrasadura,
que ao dizê-lo os dentes firam a língua,
que o idioma se fira na boca inábil que o diga,
só quase pressentimento fonético,
filológico,
mas que atenção, paixão, alumiação
¿e se me tocam na boca?
de noite, a mexer na seda para, desdobrando-se,
a noite extraterrestre bruxulear um pouco,
o último,
assim como que húmido, animal, intuitivo, de origem,
papel de seda que a rútila força lírica rompa,
um arrepio dentro dele,
batido, pode ser, no sombrio, como se a vara enflorasse com
as faúlhas,
e assim a mão escrita se depura,
e se movem, estria atrás de estria, pontos voltaicos,
manchas ultravioletas a arder através do filme,
leve poema técnico e trémulo,
linhas e linhas,
línguas,
obra-prima do êxtase das línguas,
tudo movido virgem,
e eu que tenho a meu cargo delicadeza e inebriamento
¿tenho acaso no nome o inominável?
mão batida, curta, sem estudo, maravilhada apenas,
nada a ver com luminotecnia prática ou teórica,
mas com grandes mãos, e eu brilhei,
o meu nome brilhou entrando na frase inconsútil,
e depois o ar, e os objectos que ocorrem: onde?
fora? dentro?no aparte,
no mais vidrado,no avêsso,
no sistema demoroso do bicho interrompido na seda,
fibra lavrada sangrando,
uma qualquer arte intrépida por uma espécie de pilha
eléctrica
como alma: plenitude,
através de um truque:
os dedos com uma, suponhamos, estrela que se entorna sobre
a mesa,
poema trabalhado a energia alternativa,
a fervor e ofício,
enquanto a morte come onde me pode a vida toda

*****
aparas gregas de mármore em redor da cabeça,
torso, ilhargas, membros e nos membros,rótulas, unhas,
irrompem da água escarpada,
o vídeo funciona,
água para trás, crua, das minas,
tu próprio crias pêso e leveza,
luz própria,
levanta-os com o corpo,
cria com o corpo a tua própria gramática,
o mundo nasce do vídeo, o caos do mundo, beltà, jubilação,
abalo,
que Deus funciona na sua glória electrónica

* *****
rosto de osso, cabelo rude, boca agra,
e tão escuro em baixo até em
cima a linha
de ignição das pupilas
¿em que te hás-de tornar, em que nome, com que
potência e inclinação de cabeça?
o rosto muito, o ofício turvo, o génio, o jogo,
as mãos inexplicáveis,
a luz nas mãos faz raiar os dedos,
que a luz se desenvolva,
e a madeira se enrole sobre si mesma e teça e esconda a obra
e retorne e abra e mostre então
a abundância intrínseca,
porque se eriça num arrepio e se alvoroça
o espaço, e brilha quando,
no dia global,
espacial, no visível,
o caos alimenta a ordem estilística:
iluminação,
razão de obra de dentro para fora
— mais um estio até que a força da fruta remate a forma

Herberto Hélder
"A Faca não corta o fogo" (Assírio & Alvim, 2008)