domingo, 8 de setembro de 2013

POETAS PORTUGUESES DO SÉCULO XXI: DANIEL ABRUNHEIRO


NEM JUNHO NEM INVERNO ACABAM

I. Simetria

Casas há que são cartas por escrever
outras são também brancas, mas cisnes
as casas têm pescoços caligráficos.
Eles fecham a boca e abrem os olhos.
Quando é o contrário, é a tragédia.
Todas as tragédias são domésticas.
Passo na rua, fica-se-me a sombra nas casas.
Nunca volto inteiro a casa.
Também os pescadores perdem no mar a sombra.
Quando voltam, voltam estátuas de sal.
Aves e mulheres tossem-nos.

Árvores há que são lápis escreventes
Outros são também negras, mas corvos.

De Licor, Sabão e Sapatos

DANIEL ABRUNHEIRO nasceu em Coimbra (Santa Cruz) em 1964, cidade que o viu crescer e formar, onde se licenciou na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra entre 1982 e 1986. Depois de licenciado, deixou a sua cidade para dar aulas no ensino secundário, do qual, fez vida durante dez anos. Começou em Peniche, regressou a Coimbra para dar aulas em Taveiro, estando um ano em cada escola.

Foi através do Instituto D.João V, no Louriçal, que chegou a Pombal, concelho que acabaria por o adoptar. Leccionou durante seis anos nessa terra e mais tarde voltou ao ofício de jornalista. Em Lisboa, é formando no Cenjor (Centro de Formação Profissional para Jornalistas) no Curso Geral de Jornalismo, sendo depois, mais tarde, convidado para dar formação em língua portuguesa e Escrita Jornalística.

Passou depois pela Antena 2, onde fez estágio e deu entrada no mundo do jornalismo a tempo inteiro.

De volta às raízes em Coimbra, passa pelas redacções dos três principais jornais regionais da cidade dos estudantes, no quinzenário "Jornal de Coimbra" e nos Diários "As Beiras" e "Diário de Coimbra". Em 1998, ingressa no Grupo Sojormedia, com um regresso ao Concelho de Pombal, onde ingressa a redacção do jornal "O Eco".

OBRAS PUBLICADAS:
  • "Terminação do Anjo" (Ed.Autor, 2008)
  • "Licor, sabão e sapatos" (Ed.Autor, 2007)
  • "O preço da chuva" (Ed.Autor, 2006)
  • "Cronicão" (Ed.Autor, 2003)

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