quarta-feira, 22 de outubro de 2014

SOBRE A QUINTA SESSÃO POÉTICA MENSAL "POESIA À SOLTA" NO NEPTÚLIA BAR EM SÃO JOÃO DA MADEIRA (TERÇA-FEIRA, 21.10.2014,21H30)


"O ÊXTASE DO SILÊNCIO"

Dificilmente esquecerei o dia de ontem, aquele 21 de Outubro de 2014 no Neptúlia Bar em São João da Madeira. Se, por ventura, existia alguma nesga de dúvida, uma pequena nuvem de pessimismo a respeito do êxito desta iniciativa que eu, mais o meu amigo Edmundo Silva, começámos a 20 de Maio deste ano, precisamente neste bar, foi dissipada em menos de duas horas e meia, como uma gota de água engolida pelas labaredas rubras de uma fogueira sem sono. Naquela noite de pura partilha, silêncio, euforia, intimidade e, acima de tudo, Poesia, ninguém ficou indiferente ao que se sentiu naquela sessão.

Se a Poesia, por si só, já fluía sossegada nas sessões anteriores, como um rio tranquilo numa tarde primaveril a caminho da sua foz, naquela noite assumiu-se como um vendaval de sentimentos, emoções e desassossegos como nunca imaginei encontrar em São João da Madeira.

Em pouco mais de duas horas e meia escutou-se religiosamente o desassossego de Herberto Hélder, Nuno Júdice e Fernando Pessoa, revisitou-se a melancolia de Álvaro de Campos, a impetuosidade de José Régio, a força de uma palavra em Eugénio de Andrade e Manuel António Pina, o pensamento poético do saudoso António Ramos Rosa, a revolta lírica de Manuel Alegre - transporta para os tempos de hoje - e a insatisfação contemporânea de Sara F. Costa.

Soltou-se a voz a poetas consagrados e desconhecidos, presenças habituais e forasteiros estreantes nestas andanças, principalmente jovens, onde nenhuma palavra ou poema foram ditos por mero acaso.

Deu-se voz à poesia infantil de João Pedro Méssender, o amor e o erotismo andaram de mãos dadas na poesia de Alberto Pimenta e Paul Leminsky para se assistir, em êxtase e esplendor, à exaltação do sentimento patriótico português, através de uma declamação apoteótica e efusiva de três poemas da "Mensagem" de Fernando Pessoa que não deixou ninguém indiferente e (quase) sem fôlego.

Mais que uma simples tertúlia, a noite de ontem foi um intervalo de êxtase poético de pura "liberdade livre" (ou "liverdade"), que terminou com "Pastelaria" de Mário de Cesariny como cereja no topo de uma sessão que ficou para sempre marcada nas mentes e nos corações de quem participou, ou simplesmente assistiu, assim como na memória das estrelas que brindaram este "Poesia à Solta" com o seu brilho celeste.

Próxima paragem: "Um Café com...Poesia" na Confeitaria Colmeia! Terça-Feira, dia 04.11.2014 a partir das 21H30.

Conto convosco!

Tiago Moita

Aqui ficam as fotos do evento:


Tiago Moita - um dos coordenadores das noites poéticas nos cafés
e bares de São João da Madeira, a par de Edmundo Silva - com 
alguns dos participantes da quinta noite poéticas "POESIA À 
SOLTA" no Neptúlia Bar.


Da esquerda para a direita: Fábio Silva, António Manuel Silva,
Dr. Francisco Costa e o Dr. Flores Santos Leite


Mais pessoas presentes que assistiram - e participaram - na
quinta sessão poética mensal "POESIA À SOLTA" no
Neptúlia Bar.


Carlos Pinho lendo um poema de Manuel Alegre


O poeta António Manuel Silva lendo um dos seus
poemas


O Dr. Flores Santos Leite lendo um dos seus sonetos


Fábio Silva dizendo um poema da sua autoria


O Dr. Luís Quintino lendo o poema "Lisboa"
do livro "A Matéria do Poema" de Nuno Júdice
(D.Quixote, 2008)


Rita Mendes lendo um poema de João Pedro
Méssender


Isabel Barbosa declamando um poema de 
Manuel António Pina


André de Oliveira lendo um poema da sua autoria


Um jovem lendo o célebre "Poema em linha recta"
de Fernando Pessoa


A poeta sanjoanense Dina Silvério lendo um poema
da sua autoria


Raquel Gomes de Pinho lendo um poema
da sua autoria


Isabel Ferreira lendo o poema "Não, isso não dá, não vai dar"
do livro "O Sono Extenso" de Sara F. Costa 
(Âncora Editora, 2011)


O doutor Ângelo Alberto Campelo de Sousa
declamando efusivamente os poemas "Mar
Português", "Padrão" e "O Monstrengo" da
"Mensagem" de Fernando Pessoa.


O Dr. Francisco Costa lendo o "Cântico Negro"
de José Régio


Inês Severino lendo um poema de António
Ramos Rosa

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