segunda-feira, 24 de novembro de 2014

QUINTA SESSÃO POÉTICA MENSAL "UM CAFÉ COM...POESIA" EM SÃO JOÃO DA MADEIRA (02.12.2014)


AVISO À NAVEGAÇÃO!!!

Depois do grande sucesso do último "POESIA À SOLTA"  no Neptúlia Bar na terça-feira passada, as noites poéticas mensais em São João da Madeira continuam no mês de Dezembro!

A primeira noite poética de Dezembro, denominada "UM CAFÉ COM...POESIA", começa já na terça-feira da próxima semana, dia 2 de Dezembro, a partir das 21H30 na Confeitaria Colmeia em São João da Madeira. 

Para essa sessão (e durante todo o mês) propomos dois desafios: 

1. Dizer pelo menos um poema, da vossa autoria ou de um(a) poeta do vosso coração, de cor e salteado nessa sessão!

2. Dizer um poema sobre o Natal (tema escohido na sessão poética anterior).

NOTA: Estes desafios são FACULTATIVOS! Aqueles que os aceitarem, aceitam de sua livre e espontânea vontade! Quem aceitar o segundo, terá o primeiro quarto de hora desta sessão para dizer o poema do tema escolhido.

Quem quer participar no desafio?

Venham celebrar a festa da Poesia e soltar os poemas que habitam dentro de vós e  no silêncio das gavetas e dos livros!

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

SOBRE A 6ª SESSÃO POÉTICA MENSAL "POESIA À SOLTA" EM SÃO JOÃO DA MADEIRA (18.11.2014)

A INEBRIANTE BELEZA DO INESPERADO

Uma das coisas que mais tenho registado em todas as noites poéticas que tenho coordenado, assistido e participado nestes últimos seis meses é o efeito surpresa. Aquela sensação de imprevisto que nos assalta e nos obriga a despertar para novas dimensões da realidade, a frenética inquietude do abrupto em contacto com o imediato, a libidinosa sensação de surpresa entre a expectativa e o assombro, que não deixa ninguém indiferente, muito menos todas as pessoas que assistiram e participaram na sexta sessão poética mensal "POESIA À SOLTA" de ontem ,dia 18 de Novembro, pelas 21H30, no Neptúlia Bar em São João da Madeira.

O tempo e a hora não eram os mais propícios para ambientes devotos à Poesia. O céu ameaçava com o seu mau humor e, para alguns espíritos mais adormecidos, o jogo particular de futebol entre a nossa selecção e a selecção da Argentina demonstrava mais interesse que uma saída à noite para assistir e participar numa sessão de poesia livre e vadia, como tem acontecido no Neptúlia Bar, todas as terceiras terças-feiras de cada mês.

Todavia, a surpresa não hesitou de tomar de assalto aquela noite de homenagem à Poesia e à palavra dita. Mal Tiago Moita saudou os presentes e abriu as hostilidades poéticas com o poema "Os canos das Espingardas", da sua autoria, o inesperado não se fez esperar: Ainda a sessão não tinha chegado ao seu primeiro quarto de hora quando todos os presentes foram apanhados de surpresa com um telefonema do doutor Luís Quintino - um dos nossos mais entusiastas e melhores diseures das noites poéticas nos cafés e bares de São João da Madeira - directamente de Lisboa, apenas para dizer o poema "Ilusão" de David Mourão-Ferreira (!). Tinha acabado de ser inaugurada a primeira recitação poética à distância em São João da Madeira.

E as surpresas não ficaram por aqui! Quando toda a gente julgara que a sessão ia prosseguir o seu ritmo regular, eis quando o doutor Magalhães dos Santos, acompanhado pelo Dr. Flores Santos Leite e pelo Dr. Francisco Costa, presenteou-nos com uma encenação teatral da célebre peça de Júlio Dantas "A Ceia dos Cardeais" - uma encenação amadora (bastante) bem representada que mereceu uma vibrante ovação por parte do público presente. Depois da primeira recitação poética à distância, as noites poéticas nos cafés e bares de São João da Madeira assistiram à sua primeira peça de Teatro.

A partir desse ponto, a Poesia circulou pelos corações e gargantas de todos aqueles que quiseram prestar-lhe homenagem e devoção. Falou-se da Paz através da poesia de Tiago Moita, Sophia de Mello Breyner Andresen, Natália Correia e António Nobre; o amor e o desamor de Cidália Moreira (o primeiro "fado declamado" nas noites poéticas), Florbela Espanca, Pablo Neruda, Alfonsina Storni, (estes últimos lidos, pela primeira vez, em castelhano), Tagore e António Ramos Rosa; a ironia ácida e sarcástica de Reinaldo Ferreira e a sua receita para fazer um herói; a crítica ao dinheiro de João de Deus; a urgência na poesia de João Apolinário; a Liberdade segundo Khalil Gibran; a exaltação do Todo na poesia de Edmundo Silva e Suzamna Hezequiel; o drama, a beleza e o épico na poesia de Pessoa, Camões, Garrett, Afonso Lopes Vieira e António Gedeão e a Vida, segundo Tagore, onde não faltaram quadras alusivas a efemérides passadas e amores (sempre) presentes, assim como homenagens sentidas - e mais do que merecidas - a Manoel de Barros, Joana Serrado e Sara F.Costa - esta última, congratulada pela sua primeira década de carreira literária ao serviço da Poesia.

Tudo, ou quase tudo aquilo que se fez naquela noite, deixou cada alma ali presente com um sorriso nos lábios e uma lágrima de saudade para mais um serão onde os poemas saíram dos livros das bibliotecas e livrarias, libertaram-se do silêncio das gavetas e deram voz à mais bela expressão da condição humana que torna inebriante a beleza do inesperado que é a Poesia.

Próxima sessão: "UM CAFÉ COM...POESIA" - 5ª Edição. Dia 02.12.2014, a partir das 21H30-

Próxima paragem: Confeitaria Colmeia.

Conto convosco!

Aqui ficam as fotos do evento:


A professora Isabel Barbosa lendo o poema
"A paz sem vencedores nem vencidos" de
Sophia de Mello Breyner Andresen


Parte do público presente na sexta sessão do "Poesia à Solta"


Carlos Pinho lendo "Ode à Paz" de Natália Correia


O momento em que se escutou o Dr. Luís Quintino
a dizer o poema "Ilusão" de David Mourão-Ferreira
a partir de Lisboa, via telefónica.


O doutor Magalhães dos Santos lendo umas 
quadras de São Martinho


A poeta sanjoanense Dina Silvério 
lendo um poema da sua autoria


O Dr. Flores Santos Leite lendo um das suas quadras


André de Oliveira lendo um poema do poeta
sanjoanense Edmundo Silva


Raquel Gomes de Pinho lendo um poema


O Dr. Francisco Costa dizendo o primeiro canto
de "Os Lusíadas" de Luís Vaz de Camões


O doutor Ângelo Campelo na sua (apoteótica)
declamação do "Menino de sua Mãe"
de Fernando Pessoa.


O doutor Magalhães dos Santos lendo um poema
da poeta argentina Alfonsina Storni em castelhano.


Da Esquerda para a direita: Dr. Francisco Costa, Dr. Flores Santos 
Leite e o doutor Magalhães dos Santos - os protaginistas da 
encenação da célebre peça "A Ceia dos Cardeais"
de Júlio Dantas


Bárbara Soares lendo o poema "Amar" 
de Florbela Espanca


André de Oliveira lendo o poema"Tu e Eu" 
de Tagore


Inês Severino lendo o poema "Ode Louca"
de Filipa Leal

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

SARA F. COSTA: DEZ ANOS AO SERVIÇO DA POESIA (2004-2014)


"Eu não quero ser um poeta. Quero ser um poema."

Yukio Mishima

Fazer o balanço do percurso de um poeta, neste caso, de uma poeta, partindo do princípio que ser poeta é um conceito universal e, a meu ver, não deve ter género, é um trabalho hercúleo e de grande responsabilidade. Requer um grande espírito crítico e de isenção, sensibilidade literária e emocional  (uma vez que a emoção não está dissociada da inteligência, como defende actualmente a Neurociência), verticalidade e integridade na opinião e, acima de tudo, uma maior depuração e observação na forma como foi traduzido o silêncio na palavra que um(a) poeta burilou para, desse modo, retratar toda a imagética do quadro geral que é o poema.

Dez anos podem parecer pouco para uma carreira literária, tendo em conta o percurso de grandes vultos da Poesia ao longo dos séculos. Todavia, é um período importante para fazer um primeiro balanço de um percurso literário de alguém que fez da linguagem a casa do seu Ser (Heidegger) e da palavra, o seu ofício. No caso da poeta de que vos vou falar, esse período e a obra que criou e viu publicada durante esse decénio, justificam a razão das palavras deste humilde escritor e cronista desta singela homenagem.

Sara F.Costa, mais propriamente Sara Raquel Ferreira da Costa, nasceu em Cucujães, freguesia do concelho de Oliveira de Azeméis a 14 de Julho de 1987 e atravessou todo o seu percurso escolar em São João da Madeira - concelho com o qual se identificou durante toda a sua infância e adolescência - até ao ensino secundário. Tendo a felicidade de viver num ambiente familiar propício à leitura, não é difícil descartar a origem do seu gosto pela escrita que, precocemente aos doze anos, começou a ganhar forma, ainda Sara não pensava a vir ser a poeta que se tornou hoje.

Todavia, apesar da atmosfera familiar e o seu gosto precoce pela escrita, não faria sentido falar do percurso desta (pequena) grande poeta sem falar de Luís de Aguiar, poeta oliveirense de grande talento na escrita e vencedor de inúmeros prémios literários, alguns dos quais permitiram a publicação de algumas das suas obras. Segundo a poeta, foi graças à amizade que travou com Luís de Aguiar e aos conhecimentos e leituras que partilharam juntos desde então, que amadureceram a escrita de Sara Costa e a permitiram ganhar coragem para alcançar outros espaços e de conquistar prémios literários, como aconteceu em Setembro de 2003, quando Sara decidiu concorrer ao Concurso regional "MOMENTOS DE POESIA" da Escola Básica do 2º e 3º ciclos e Secundária de Macieira, em Leiria, e obteve o 2º Prémio. Tinha apenas 16 anos.

Ainda antes de ver publicado o seu primeiro poemário, publicou inúmero poemas e textos no (extinto) suplemento literário do "Diário de Notícias", "DN Jovem" e viu galardoado alguns dos seus trabalhos em concursos e prémios de inquestionável prestígio, tais como o concurso "Dar Voz à Poesia", promovido pela Câmara Municipal de Ovar, onde ganhou o primeiro prémio, o Prémio de Literatura Juvenil Ferreira de Castro, promovido pela Escola Secundária Ferreira de Castro em Oliveira de Azeméis, onde ganhou a sua primeira menção honrosa, o Prémio Revelação Maria Barbosa do Bocage pela LASA em Setúbal, o Prémio revelação Agostinho Gomes em Oliveira de Azeméis, o Prémio "Utopia", promovido pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, onde recebeu uma menção honrosa pelo trabalho "Distopia Utópica", apenas para citar alguns exemplos que ocorreram no percurso desta poeta ANTES de publicar o seu primeiro livro de poesia.

1. "A MELANCOLIA DAS MÃOS E OUTROS RASGOS" (2004)


"...poderia ter sido um homem feliz que tem por defeito
             interrogar-se acerca da melancolia das mãos...
                              ...esta memória lamina  incansável."

                              Al Berto in Sem título e Bastante Breve          

Em Fevereiro de 2004, Sara Costa foi apanhada de surpresa com uma notícia que iria iniciar o seu verdadeiro percurso literário: tinha vencido o primeiro prémio do Concurso Literário da Serra da Lousã, promovido pela Arte-Via - Cooperativa artística e editorial, em colaboração com a Câmara municipal da Lousã, que contemplava a publicação do trabalho premiado. Um dos membros do Júri era o conceituado jornalista, cronista, crítico literário e poeta, Pedro Mexia.


Sara F.Costa com Pedro Mexia
na altura da atribuição do Prémio 
(13.11.2004)

O resultado intitulou-se "A Melancolia das Mãos e Outros Rasgos", o primeiro livro da autora, editado pela Editora Pé de Página e apresentado no dia 13 de Novembro do presente ano, no Salão Nobre dos Paços do Concelho da Lousã. O Semanário Trevim (Lousã) que noticiou a cerimónia da entrega dos prémios, escreveu na sua edição de 19 de Fevereiro de 2004 "...o júri do Concurso considerou a obra "espantosa" e reveladora de "uma perspectiva intimista que mostra o sujeito poético inquieto e perspicaz em relação ao meio em que se envolve."


Sara Costa
(2004)

Em entrevista aos principais jornais sanjoanenses, Sara Costa explicou a razão de ser do título do seu primeiro poemário pelo facto de "as mãos serem responsáveis pela maioria da laboração humana concreta, tanto da mais trivial como da mais sublime, por isso, transportam consigo uma certa dose de melancolia", afirmou. Em relação aos "Outros Rasgos", referiu-os como poemas recentes que posteriormente acrescentou.


O poeta Oliveirense Luís de Aguiar

Segundo o poeta Oliveirense Luís de Aguiar, autor do prefácio do livro e amigo da poeta, era possível encontrar naquele poemário uma Poesia que parte ao encontro do Eu no silêncio do quotidiano, anunciando uma ascensão ao Uno, "evidenciando a Poesia o caminho a percorrer, colocando o discurso da voz interior a nu", afirmou. Também declarou que na Poesia de Sara "a metáfora ganha um papel preponderante , como se fosse através dela que as palavras e os versos procurassem a unidade e a noção de separação entre o Eu e o Outro". Uma prova da sua tentativa de busca de um estilo próprio e de personalização da sua criação, ao ponto de se tornar única e inovadora, como salientou uma vez esta jovem poeta de apenas dezassete anos que escrevia, nessa altura, não em função de uma inspiração que transcendesse o ser humano mas porque se sentia estimulada intelectualmente pelo universo literário.

"Asfixio a cor da minha pele contra a parede,
já não há espaço para a minha existência.
O limiar da sanidade desmoronou-se e,
agora basta-me passar os olhos
pelo portão adornado com motivos de chuva,
para me arruinar"

Sara Costa in A Melancolia das Mãos e Outros Rasgos

Apesar de ter sido apresentado na Lousã, a 13 de Novembro, e em São João da Madeira a 10 de Dezembro do corrente ano, na Biblioteca Municipal Dr. Renato Araújo, o livro "A Melancolia das Mãos e Outros Rasgos" passou despercebido, naquela altura, do meio literário português, à excepção do olhar crítico do escritor, poeta e editor da (extinta) Quasi Edições, Jorge Reis-Sá que disse na "Magazine Artes" em 2005, e passo a citar:

"...quantos poetas puderam assegurar o manejo das formas como Sara Costa o faz já?"


Jorge Reis-Sá

2. "UMA DEVASTAÇÃO INTELIGENTE" (2007)


"Sou uma devastação inteligente.
Com malmequeres fabulosos.
Ouro por cima.
A madrugada ou a noite triste tocadas
em trompete. Sou
alguma coisa audível, sensível.
Um movimento."

Herberto Hélder

Prestes a terminar o Ensino Secundário em 2005, Sara é surpreendida por novos reconhecimentos do seu talento literário. Fevereiro desse ano, recebe o Prémio Literário Correntes D'Escrita/Papelaria Locus, atribuído a novos autores na área da Poesia, no decurso do Festival Literário "Correntes D'Escrita 2005" na Póvoa de Varzim, com o poema "A Queda". E ainda nesse ano, ganhou uma menção honrosa do Prémio Natércia Freire, promovido pela Câmara Municipal de Benavente e, pela segunda vez consecutiva, o prémio revelação Agostinho Gomes, promovido pela Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis.

No ano seguinte, ganhara uma menção honrosa no Concurso literário internacional de Poesia Castello de Duíno em Trieste, Itália - o primeiro prémio atribuído à poeta no estrangeiro - e o terceiro lugar no prémio de contos Dr. João Isabel, promovido pela Câmara Municipal de Manteigas.

Em 2005 entrou em Estudos Orientais na Universidade do Minho, espaço onde exerceu inúmeras actividades extracurriculares na Poesia e no Teatro, e, em 2006, fez parte do grupo cultural  "Tarde e a Más Horas", sediado na Livraria "Entrelinhas" em São João da Madeira, onde participou em algumas iniciativas culturais entre Setembro a Dezembro desse ano com Juliana Leite, Marco António Santos, o seu amigo poeta oliveirense Luís de Aguiar e o escritor e poeta sanjoanense, também seu amigo, Tiago Moita.


Sara F.Costa
(2007)

Todavia, a grande surpresa chegaria em Janeiro de 2007, quando recebera a notícia da vitória da primeira edição do Prémio João da Silva Correia 2006, na categoria Poesia, promovido pela Câmara Municipal de São João da Madeira. A edição do seu segundo trabalho, intitulado "Uma Devastação Inteligente" - outrora intitulado "Segmentos" - fora consequência directa desse galardão literário, num ano em que a poeta passou a ostentar o nome, pela qual, é conhecida no mundo da poesia portuguesa: Sara F.Costa.

A Sessão de atribuição do Prémio João da Silva Correia 2006
e de apresentação do segundo livro de poesia de Sara F.Costa
"Uma Devastação Inteligente" (Atelier, 2007)

Segundo a poeta, o livro apresentou não só uma evolução e demarcação com o que escreveu e pensou no passado mas também "num entendimento mais definitivo". Nas palavras de Sara, foi "um trabalho sobre a fragmentação e a tradução da realidade perante o meu olhar, o meu íntimo". Quatro anos depois, acrescentou que fora também uma forma de explorar a adolescência descobrir certas emoções e sentidos com um olhar mais intimista.

Para o júri que atribuiu o prémio à poeta de (apenas) dezanove anos, o livro tratou-se de "uma obra de profunda originalidade e criatividade em sentido demiúrgico da palavra, numa íntima relação cósmica da autora com o poema, constituindo um todo unitário, em que o acto poético se assume enquanto genuína expressão de uma existência".

"passos de zinco atravessam-se nas estradas.
dizes trazer o terror preso na garganta
e o amor de lado,
de um qualquer lado.
densas insónias circulam 
nos músculos das imagens,
colam-se às feições pouco nítidas
dos meus reflexos.
e a solidão incinerada nas beiras dos passeios
emana um odor turvo.
tu prossegues por dentro dos versos poluídos.
o silêncio surge-te a vermelho
enquanto o mundo vira a sua carne raspada
para os holofotes."

Sara F.Costa in "Uma Devastação Inteligente"

A obra em questão foi alvo, não só de uma apresentação pública na Biblioteca Municipal Dr. Renato Araújo em São João da Madeira a 22 de Março de 2007, como também de uma apresentação na Universidade do Minho, onde estudou. 

Entreo 2007 e 2008, participou em algumas palestras sobre literatura e viu o seu livro sugerido em 2009 pelo poeta contemporâneo Nuno Brito, assim como foi alvo de críticas literárias de duas importantes personalidades do mundo da cultura portuguesa:


"Sara, na minha imaginação, parece a Agustina na sua idade,
sabendo já o que quer ser"

Jorge Listopad
JL, 2007


"Não é todos os dias que se descobre um talento
a despontar com a força amadurecida de quem 
domina as palavras como a Sara F.Costa"

Lauro António 
(Lauroantonioapresenta.blogspot.pt, 2007)

3."O SONO EXTENSO" (2011)


"Deixei ao lume um murmúrio de mar e de ruído
que espero que possa ser utilizado para forrar a carne
como uma cortina de barro
na voz sombria destes versos.
escrevo de uma ponta particularmente silenciosa da vida, 
no Verão tenebroso do sono.
daqui sei apreciar a beleza natural da pulsação
e a riqueza vincada do sangue.
assim, respiro vagarosamente a sensibilidade das mãos
e o oxigénio teatral das horas."

Sara F. Costa "Respiração"
in "O Sono Extenso"

O fim do seu curso de Estudos Orientais na Universidade do Minho em 2008 e a conclusão do Mestrado em 2009, fizeram com que Sara passasse a conhecer a (cruel) realidade do (difícil) mundo laboral e fê-la entrar (ainda mais) em contacto com o mundo real. Com o virar da década, começou a sentir na pele os dramas da sua geração - e de outras - como o desemprego e a precaridade que, uma forma mais ou menos indirecta, influenciaram a sua poesia.


Sara F.Costa 
(2011)

A 3 de Janeiro de 2010, Sara F.Costa inaugurou um novo blog intitulado "Fast Culture". Um blog onde o poeta escreveu os seus mais recentes poemas. Neles, acrescentou uma ironia extravagantemente sarcástica e corrosiva contra uma sociedade hiper-consumista e hiper-materialista (tantas vezes criticada por ensaístas e filósofos como Guy Debord, J.G. Ballard, George Steiner ou Mário Vargas Llosa) e, nas palavras da poeta, "uma geração muito peculiar" e "muito mimada por uma certa dose de consumismo". Esse trabalho poético passou a manuscrito e acabou  por ganhar "Ex Aequo" o Prémio Literário José Luís Peixoto em Galveias, na presença do escritor.


Sara F. Costa com José Luís Peixoto

Depois de ter participado na primeira edição da Revista literária "Criatura" em 2008, merecedora de uma crítica literária por parte de um dos maiores poetas contemporâneos portugueses vivos, Nuno Júdice, no JL desse mesmo ano, participou também com um poema na primeira edição da Revista "Ítaca" em 2011.

No verão desse ano, é surpreendida com uma grande notícia: o seu mais recente poemário tinha ganho, pela segunda vez consecutiva, o Prémio João da Silva Correia (2010), na categoria Poesia, promovido, mais uma vez, pela Câmara Municipal de São João da Madeira.

O livro, agora intitulado "O Sono Extenso" recebeu como prémio a sua publicação pela Âncora Editora e a sua subsequente apresentação na Biblioteca Municipal Dr. Renato Araújo em São João da Madeira, a 16 de Dezembro desse ano.


Sara F.Costa apresentando o seu livro "O Sono Extenso"
na Biblioteca Municipal Dr. Renato Araújo em São João da Madeira
(16.12.2011)

Segundo a poeta, o livro explorava as incoerências do viver de hoje em dia que, especialmente, marcam os jovens, por criarem expectativas que, no fim, acabam por não se cumprir. Uma obra com um olhar mais cínico - em comparação com o carácter mais intimista de "Uma Devastação Inteligente" - onde é explorada a insatisfação e a frustração provocadas por um "mundo de aparentes facilidades", no qual salienta, "a felicidade parece estar ao alcance da mãe, mas onde nos podemos perder." Sara sublinhou ainda a sensação de ausência de valores e uma falta de diferenciação entre o bem e o mal, entre o que está certo e o que está errado.

Nas palavras do Júri, a sua obra mais recente realçou "a força original interpelante e perturbadora dos seus versos, capazes de fazer com que o leitor mergulhe na surpresa de uma "desvairada" criação de existências vivas intensas e de uma desconcertante realidade."


Josias Gil

Josias Gil, escritor e professor de Filosofia sanjoanense, e um doa membros do júri do Prémio João da Silva Correia  de 2006 e de 2010, mencionou, num artigo de opinião publicado no jornal sanjoanense "O Regional" de 5 de Janeiro de 2012, Sara F. Costa como uma poeta de "uma invulgar maturidade e mestria nas palavras". Na opinião do escritor e professor de Filosofia, ao lermos "O Sono Extenso" ganhamos a surpresa de participar no momento da criação, onde tudo é o início. Sara, na sua opinião, "transporta-nos ao estado de imersão na realidade, onde tudo é possível porque tudo é dito pela primeira vez, em versos que vão-nos despindo de preconceitos e, nus, atiram-nos para o risco absoluto de quem acorda do sono - extenso, manco, opaco, que nos preenche toda a vida - de quem abre os olhos e se vê em plena viagem, no lado oculto mais perigosamente familiar da existência", sublinhou.

"há em toda a linguagem um excesso
que nos escorre dos ombros
quando os nossos nervos reflectem a nossa inocência
e um brilho sonolento nos separa dos sons.
mantemos nas mãos todos os crimes
e na superfície das palavras deixamos um fogo salgado
a carbonizar o tempo."

Sara F.Costa in "O Sono Extenso"

O livro, além de ter sido alvo de uma apresentação em São João da Madeira, também foi merecedor de uma apresentação no Instituto Politécnico de Leiria (onde Sara anteriormente trabalhava como professora assistente), tendo como apresentador o escritor e professor de Filosofia sanjoanense Josias Gil em 2012.

Para além das apresentações de que foi alvo, o livro beneficiou de uma muito mais abrangente e melhor distribuição por algumas das principais lojas e livrarias de todo o país e de uma crítica literária a respeito da poeta, hoje homenageada, por parte de Nuno Brito em 2013, que disse, e passo a citar:


"A criação poética de Sara F.Costa abre a porta à revitalização 
de muitos temas, através de uma linguagem cheia de imagens
originais em que aforismos significativos e elementos
epigramáticos co-existem. a sua poesia mantém um perfeito 
equilíbrio interior e universos exteriores são observados de
muitos ângulos - ser aquele erotismo (do corpo ou da alma)
ou a proximidade da tecnologia. Ela é uma múltipla, revigorante 
e nova voz poética"

Nuno Brito
(www.poemsfromtheportuguese.org) 

Face a estes factos, excluo mais argumentos para justificar tamanha - e merecida homenagem - à Sara F. Costa. Salientar os meus comentários, não só enquanto admirador mas, sobretudo, enquanto amigo, fariam deles um acto parcial e comprometido para alguns. Além do mais, tudo o que mencionei nesta pequena e singela homenagem aos dez anos de carreira desta (pequena) grande poeta, nada mais é que uma forma literária humilde e amiga de lhe dizer em poucas palavras - e num português corrento-rudimentar, pós-existencialista e (nada) erudito...

PARABÉNS SARA!

PARA SEMPRE, MANOEL DE BARROS (1916-2014)


POEMA

A poesia está guardada nas palavras - é tudo que
eu sei.
Meu fado é o de não saber quase tudo.
Sobre o nada eu tenho profundidades.
Não tenho conexões com a realidade.
Poderoso para mim não é aquele que descobre ouro.
Para mim poderoso é aquele que descobre as 
insignificâncias (do mundo e das nossas).
Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil.
Fiquei emocionado e chorei.
Sou fraco para elogios.

Manoel de Barros
(1916-2014)

Adeus? Nunca!

...até sempre poeta...

terça-feira, 11 de novembro de 2014

POESIA À SOLTA REGRESSA A SÃO JOÃO DA MADEIRA AO NEPTÚLIA BAR (18.11.2014)


AVISO À NAVEGAÇÃO!!!

Depois do grande sucesso do último "UM CAFÉ COM...POESIA"  na  Confeitaria Colmeia na terça-feira passada, as noites poéticas mensais em São João da Madeira continuam no mês de Novembro!

A segunda noite poética, denominada "POESIA À SOLTA", começa já na terça-feira da próxima semana, dia 18 de Novembro, a partir das 21H30 na Neptúlia Bar em São João da Madeira. 

Pela primeira vez, essa sessão traz dois desafios: 

1. Dizer pelo menos um poema, da vossa autoria ou de um(a) poeta do vosso coração, de cor e salteado nessa sessão!

2. Dizer um poema sobre a Paz (tema escohido na sessão poética anterior).

NOTA: Estes desafios são FACULTATIVOS! Aqueles que os aceitarem, aceitam de sua livre e espontânea vontade! Quem aceitar o segundo, terá o primeiro quarto de hora desta sessão para dizer o poema do tema escolhido.

Quem quer participar no desafio?

Venham celebrar a festa da Poesia e soltar os poemas que habitam dentro de vós e  no silêncio das gavetas e dos livros!

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

SOBRE A QUARTA SESSÃO POÉTICA MENSAL "UM CAFÉ COM...POESIA" NA CONFEITARIA COLMEIA (04.11.2014)


"AMOR E HUMOR EM TEMPOS DE POESIA"

Uma das provas do contraste entre o humor do tempo e o humor humano evidenciou-se ontem à noite, durante a quarta sessão poética mensal "Um café com...Poesia" na Confeitaria "Colmeia" em São João da Madeira. Apesar das previsões meteorológicas apontarem para uma noite aziaga, postal ilustrado de um Outono a querer imitar o seu irmão Inverno, nada esmoreceu o ambiente de partilha, silêncio e alegria que se passou durante aquelas duas horas e meia naquele pequeno recanto de vida na Praça Luís Ribeiro (quase) condenada ao abandono pela solidão da noite.

Numa sessão marcada pelo desafio de cada um dos participantes ler um poema de cor, lançado na noite poética anterior, a Poesia pareceu ganhar outro fôlego, outro fulgor, outro golpe de asa, com aquela proposta lançada pelo instinto e que contagiou parte das pessoas que participaram - inclusive este modesto cronista que teve o privilégio de inaugurar esse desafio, dizendo "Adiar o Coração" de António Ramos Rosa - onde até um dos sócios da Confeitaria "Colmeia" não foi excepção à regra. Enalteceu-se o amor, não só com a poesia de António Ramos Rosa, mas também Vinícius de Moraes, Camões, Tagore, Pessoa, Al Berto, Eugénio de Andrade, Nuno Júdice e Albano Martins. Ficou-se a saber porque é que "os carros dançam" com Filipa Leal, conheceu-se a visão holística do Amor, segundo um dos mentores e coordenadores das noites poéticas, Edmundo Silva, assim como o ciúme e a paixão.

Invocou-se a sátira corrosiva a Salazar, o Quinto Império e a Liberdade, segundo Fernando Pessoa. Visitou-se o "Guardador de Rebanhos" de Alberto Caeiro e a "Tabacaria" de Álvaro de Campos; revisitou-se David Mourão-Ferreira, José Régio, Pedro Branco de Almeirim e nem mesmo o humor satírico dos epigramas de Bocage fora esquecido num evento onde, entre poemas inéditos ou de poetas ocultos na sombra dos dias - onde nem a literatura infantil foi posta de parte - declamados e citados por presenças habituais e vozes estreantes, o Amor e o Humor andaram de braços dados com a memória e a Poesia.

Aqui ficam as fotografias do evento:


Tiago Moita - um dos mentores e coordenadores das noites poéticas
nos cafés e bares de São João da Madeira, a par de Edmundo Silva - 
lendo o poema "Horto" de Al Berto.


Luís Quintino dizendo um poema de
Sophia de Mello Breyner Andresen


Carlos Pinho dizendo o soneto "Ó Virgem Maria" de
Antero de Quental


O Dr. Francisco Costa dizendo "Alma minha gentil, 
que te partiste" de Luís Vaz de Camões


O senhor Amílcar Bastos lendo um poema da sua 
autoria


Uma panorâmica do público durante a sessão


Outra panorâmica do público durante a sessão 


O senhor Serafim lendo um poema de David Mourão-Ferreira


Jorge Martins: uma estreia na leitura poética, lendo 
o "Soneto da Fidelidade" de Vinícius de Moraes


Raquel Gomes de Pinho lendo um poema da sua 
autoria


O doutor Magalhães dos Santos lendo um poema de Pedro Branco
de Almeirim


O Dr. Flores Santos Leite lendo um dos seus 
sonetos


Maria Clara lendo o poema "Quinto Império"
de Fernando Pessoa


O doutor Magalhães dos Santos contando uma
anedota


António Quirino lendo "O Guardador de Rebanhos"
de Alberto Caeiro


O poeta sanjoanense Fábio Silva lendo um poema 
da sua autoria


Inês Severino dizendo um poema de um poeta
desconhecido


A professora Maria Teresa Stalisnau lendo um
poema de João de Deus


A professora Isabel Barbosa lendo um poema


Vânia Soares: uma estreia na leitura poética 
lendo um poema de Pedro Branco de Almeirim


Um dos sócios da Confeitaria Colmeia
dizendo um poema da sua autoria


O doutor Magalhães dos Santos lendo o epigrama
autobiográfico de Bocage


Belarmina: outra estreante na leitura poética, lendo 
um poema de um poeta vianense, 
Maria de Vasconcelos