segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

SOBRE A SEXTA EDIÇÃO DAS "FUGAS POÉTICAS" NA CONFEITARIA COLMEIA (Terça-Feira, 03.02.2015, 21H30)

UM SOL NO SEIO DO INVERNO

Poderia ser uma noite para esquecer. Folha esborratada pelo crepúsculo da vergonha num livro ignoto; lusco-fusco titubeante de um momento sem eco nem brilho; fiasco de uma peça de teatro adiada pela mão cega do Destino. Poderia ser uma noite assim...mas não foi.

Tinham passado quinze minutos depois da hora habitual quando eu, mais a minha mãe, tínhamos acabado de chegar à Confeitaria Colmeia, naquela terça-feira gélida da primeira terça-feira de Fevereiro. Pela rigidez do Inverno que se fazia sentir pelas ruas e avenidas da cidade, pensava no pior. A fraca afluência inicial e o compasso de espera pela nossa chegada tinha o sabor agreste de um mau augúrio. Mal entrei, senti todas as minhas dúvidas de gesso a desfazerem-se como pequenos montes de folhas de Outono, levadas por um língua de vento faminta.

Como flores se espreguiçando e revelando a sua beleza ao céu, adivinhando por instinto a chegada da Primavera, a minha entrada naquele estabelecimento coincidiu com a chegada de mais pessoas e com a descoberta de caras novas, muitas delas trazidas por fregueses habituais das "Fugas Poéticas", o que me deixou muito satisfeito. O que parecia uma confeitaria transformou-se num daqueles cafés do princípio do século passado, fervilhando de intelectuais, escritores, poetas,artistas ou simples amantes da Cultura, das Letras e das Artes, ansiosos pelo começo de mais uma tertúlia noctívaga de homenagem à arte de todas as artes: a Poesia.

O toque do sino de um dos fundadores das "Fugas Poéticas" e coordenador daquela noite poética, Tiago Moita colocou em sentido todo aquele silêncio ensurdecedor e inaugurou a sexta edição das "Fugas Poéticas" na Confeitaria "Colmeia" - a primeira sessão sem a designação "Um Café com...Poesia" - com um poema que Natália Correia escreveu durante um debate na Assembleia da República sobre o Alcoolismo, para assim responder ao desafio (facultativo) de iniciar o primeiro quarto de hora com poemas acerca do tema do mês - o humor - e o resultado não se fez por esperar...

Um a um, os poemas ganhavam vida e saltavam dos livros e das folhas ou simplesmente do coração da alma para a boca de todos aqueles que quiseram participar e soltar a Poesia dos véus do Olvido e do silêncio das gavetas e das prateleiras poeirentas de estantes mudas das casas ou das bibliotecas. Desde a poesia sarcástica e satírica de Jorge de Sousa Braga e de João Habitualmente, o humor libertino de Bocage, passando pelo humor poético de Anthero Monteiro, Mário Henrique Leiria, Fábio Brasa, Alexandre O'Neill , Mário de Cesariny e de alguns poetas locais, ninguém ficou indiferente e substituiu muitas das habituais salvas de palmas por salvas de gargalhadas. Mas nem só de humor poético foi feitas essa noite...

Tal como uma corrente que arrasta toda a espécie de natureza, a Poesia circulou e libertou-se por entre todas aquelas pessoas que não pensavam intervir naquela noite. Fosse sentado ou em pé, de um livro, tablet, telemóvel ou mesmo de uma folha, bebeu-se a Poesia de João de Deus, Manuel Bandeira, Filipa Leal, Fernando Pessoa, Pablo Neruda, Maria Gabriela Llansol, Ana Luísa Amaral, Suzamna Guimarães, Orlando Ribeiro, António Gedeão, João Luís Barreto Guimarães, Maria do Rosário Pedreira, Tiago Moita, Novalis, Mia Couto, Edmundo Silva, Khalil Gibran, Pedro Abrunhosa, Nuno Júdice, Miguel Torga e Fausto Guedes Teixeira, passando por poemas de (novos) poetas desconhecidos e de uma interpretação fabulosa do poema "As minhas Asas" de Almeida Garrett por parte do professor Josias Gil - um das maiores personalidades sanjoanenses e um dos maiores vultos da Cultura em São João da Madeira que comoveu, encheu de orgulho, respeito e gratidão uma planteia emocionada que não resistiu a ovacionar de pé a sua prestação, fazendo, naquela noite, aquela confeitaria, não uma lua oculta num ventre de neve mas antes um sol no seio do Inverno.

PRÓXIMA PARAGEM: Neptúlia Bar, dia 17 do corrente mês às 21H30!

O tema (facultativo) mantêm-se: HUMOR.

Preparem-se para mais surpresas!...

Aqui ficam alguma fotos do evento.       


Tiago Moita lendo o poema sobre o Alcoolismo
de Natália Correia.

(Foto de Raquel Gomes de Pinho)


Amílcar Bastos lendo o poema "Bunda ou Peito"
de Fábio Brasa


O doutor Magalhães dos Santos lendo o poema
"A queda" da sua autoria.


Clara Oliveira lendo o poema "Dentro" de Anthero 
Monteiro


Susana Moura lendo um poema da sua autoria


David Morais Cardoso lendo o poema "Gomes de Sá"
de João Habitualmente.


M Conceição Gomes lendo um poema de Pedro
Branco de Almeirim


Um aspecto do público presente na sessão.


Isabel Barbosa dizendo um poema de Nuno Tolentino


Raquel Gomes de Pinho dizendo um poema
de Bocage.


Idiema Salgueiro dizendo um poema


O Dr. Francisco Costa dizendo um poema do
poeta brasileiro Manuel Bandeira


Manuel Dias dizendo um poema de Miguel Torga


Vânia Soares dizendo o poema "Língua Mar"
do poeta brasileiro Adriano Espínola


Manuel Dias - um poeta estreante nas "Fugas
Poéticas" - lendo o poema "Não me conheço"
da sua autoria.


Rosa Familiar lendo um poema de Joel Lira


Um estreante dizendo um poema da sua autoria.


Parte do público presente na sessão a assistir à leitura de um poema
(estiveram naquela noite perto de QUARENTA PESSOAS)


Joana Costa lendo o poema "Quotidiano" de
Filipa Leal (Extraído da colectânea poética
"Diga Trinta e Três" dos Cadernos do Campo
Alegre, 2008)


O Dr. Flores Santos Leite lendo um poema 
de Fernando Pessoa.


Carlos Pinho lendo o poema "Se me esquecerei"
de Pablo Neruda.


O doutor Luís Quintino lendo o poema 
"Onde vais Drama-Poesia?" de Maria Gabriela
Llansol (também leu Novalis)


O Professor Josias Gil entre os presentes.


David Morais Cardoso e Clara Oliveira 
lendo um poema de Ana Luísa Amaral


Edmundo Silva - um dos fundadores e coordenadores
das "Fugas Poéticas" - lendo o poema "Uma Questão
a não pensar" de Suzamna Guimarães.


Raquel Gomes de Pinho e Jorge Martins lendo um
poema em conjunto.


Parte do público presente na sessão


O doutor Ângelo Campelo dizendo o célebre
"Poema a Galileu" de António Gedeão.


Idiema Salgueiro lendo um poema de Maria do
Rosário Pedreira


Joana Painço lendo o poema "Elegia de um Adeus"
do livro "Post Mortem e Outros Uivos" 
(WorldArtFriends/Corpos Editora, 2012)
de Tiago Moita.


M Conceição Gomes lendo o poema "Ser Poeta"
de Florbela Espanca.


Joana Costa e Clara Oliveira lendo, em conjunto,
o poema "QUEDA DO GOVERNO" de
João Habitualmente.


Edmundo Silva lendo o poema "O Nómada" do seu
primeiro livro de poesia "Epifania ao Sol"
(WorldArtFriends/Corpos Editora, 2012)
em homenagem ao Prof. Josias Gil.


O Professor Josias Gil a assistir à homenagem.


O Professor Josias Gil lendo o poema "As minhas
Asas" de Almeida Garrett


Um dos sócios da Confeitaria Colmeia dizendo
uma quadra da sua autoria

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