terça-feira, 31 de março de 2015

8ª "FUGA POÉTICA" NA CONFEITARIA COLMEIA EM SÃO JOÃO DA MADEIRA (07.04.2015)


AVISO À  NAVEGAÇÃO

Depois do grande sucesso da 10ª "Fuga Poética" no Neptúlia Bar em São João da Madeira na terceira terça-feira do mês de Março, as noites poéticas mensais em São João da Madeira regressam em força no dia 7 DE ABRIL na CONFEITARIA COLMEIA, a partir das 21H30 em SÃO JOÃO DA MADEIRA.

A partir desta sessão vai haver uma grande homenagem poética ao maior poeta, depois de Fernando Pessoa, e aquele que mais marcou a poesia contemporânea da segunda metade do século XX: HERBERTO HÉLDER.

Nessa sessão, tal como aconteceu na outra, os desafios mantêm-se:
  1. Dizer, pelo menos, um poema de cor e salteado de um poema de um(a) poeta do vosso coração ou da vossa autoria nessa sessão.
  2. Dizer um poema sobre a LIBERDADE (Tema escolhido na sessão poética anterior)
NOTA: Estes desafios são FACULTATIVOS! Aqueles que os aceitarem, aceitam de livre e espontânea vontade! Quem aceitar os segundo, terá o primeiro quarto de hora desta sessão para dizer o poema do tema escolhido.

Quem quer participar no desafio?

Venham celebrar a festa da Poesia e soltar os poemas que habitam dentro de vós e no silêncio da gaveta e dos livros!

terça-feira, 24 de março de 2015

CONTO "ESTILO" DE HERBERTO HELDER


"ESTILO"

"- Se eu quisesse, enlouquecia. Sei uma quantidade de histórias terríveis. Vi muita coisa, contaram-me casos extraordinários, eu próprio...Enfim, às vezes já não consigo arrumar tudo isso. Porque, sabe?, acorda-se às quatro da manhã num quarto vazio, acende-se um cigarro...Está a ver? A pequena luz do fósforo levanta de repente a massa das sombra, a camisa caída sobre a cadeira ganha um volume impossível, a nossa vida...compreende?...a nossa vida, a vida inteira, está ali como...como um acontecimento excessivo...Tem de se arrumar muito depressa. Há felizmente o estilo. Não calcula o que seja? Vejamos: o estilo é um modo subtil de transferir a confusão e violência da vida para o plano mental de uma unidade de significação. Faço-me entender? Não? Bem, não aguentamos a desordem estuporada da vida. E então pegamos nela, reduzimo-la a dois ou três tópicos que se equacionam. Depois, por meio de uma operação intelectual, dizemos que esses tópicos se encontram no tópico comum, suponhamos, do Amor ou da Morte. Percebe? Uma dessas abstracções que servem para tudo. O cigarro consome-se, não é?, a calma volta. Mas pode imaginar o que seja isto todas as noites, durante semanas ou meses ou anos?
      Uma vez fui ao médico.
      - Doutor, estou louco - disse. - Devo estar louco.
      - Têm loucos na família? - perguntou o médico. - Alcoólicos, sifilíticos?
     - Sim, senhor. O pior. Loucos, alcoólicos, sifilíticos, místicos, prostitutas, homossexuais. Estarei louco?
      O médico tinha sentido de humor, e receitou-me barbitúricos. 
      - Não preciso de remédios - disse eu. - Sei histórias tenebrosas acerca da vida. De que me servem barbitúricos?

A verdade é que ainda não tinha encontrado o estilo. Mas ouça, meu amigo: conheço por exemplo a história de um homem velho. Conheço também a de um homem novo. A do velho é melhor, pois era muito velho, e que poderia ele esperar? Mas veja, preste bem atenção. Esse homem velhíssimo não resignaria nunca do amor. Amava as flores. No meio da sua solidão tinha vasos de orquídeas. 

O mundo é assim, que quer? É forçoso encontrar um estilo . Seria bom colocar grandes cartazes nas ruas, fazer avisos na televisão e nos cinemas. Procure o seu estilo, se não quer dar em pantanas. Arranjei o meu estilo estudando matemática e ouvindo um pouco de música. - João Sebastião Bach. Conhece o Concerto Brandeburguês n.º 5? Conhece com certeza essa coisa tão simples, tão harmoniosa e definitiva que é um sistema de três equações a três incógnitas. Primário, rudimentar. Resolvi milhares de equações. Depois ouvia Bach. Consegui um estilo. Aplico-o à noite, quando acordo às quatro da madrugada. É simples: quando acordo aterrorizado, vendo as grandes sombras incompreensíveis erguerem-se no meio do quarto, quando a pequena luz se faz na ponta dos dedos, e toda a imensa melancolia do mundo parece subir do sangue com a sua voz obscura...Começo a fazer o meu estilo. Admirável exercício, este. Às vezes uso o processo de esvaziar as palavras. Sabe como é? Pego numa palavra fundamental. Palavras fundamentais, curioso...Pego numa palavra fundamental: Amor, Doença, Medo, Morte, Metamorfose. Digo-a baixo vinte vezes. Já nada significa. É um modo de alcançar o estilo. Veja agora esta artimanha:

As crianças enlouquecem em coisas de poesia.
Escutai um instante como ficam presas
no alto desse grito, como a eternidade as acolhe
enquanto gritam e gritam.
(...)
- E nada mais somos do que o Poema onde as crianças
se distanciam loucamente.

Trata-se de um excerto de uma poesia? Gosta de poesia? Sabe o que é a poesia? Tem medo da poesia? Tem o demoníaco júbilo da poesia?

Pois veja. É também um estilo. O poeta não morre da morte da poesia. É o estilo.

Está a ouvir como essas enormes crianças gritam e gritam, entrando na eternidade? Note: somos o Poema onde elas se distanciam. Como? Loucamente. Quem suportaria esses gritos magníficos? Mas o poeta faz o estilo.

Perdão, seja um pouco mais honesto. Seja ao menos mais inteligente. Vê-se bem que não estou louco. Eu, não. As crianças é que enlouquecem, e isso porque lhes falta um estilo.

Sabe do que lhe estive a falar? Da vida? Da maneira de se desembaraçar dela? Bem, o senhor não é estúpido mas também não é muito inteligente. Conheço. Conheço o género. Talvez eu já tivesse sido assim. Pratica as artes com parcimónia: não a poesia, mas as poesias. Cultiva-se, evidentemente. Se calhar está demasiado na posse de um estilo. Mas, escute cá, a loucura, a tenebrosa e maravilhosa loucura...Enfim, não seria isso mais nobre, digamos mais conforme ao grande segredo da humanidade?

Talvez o senhor seja mais inteligente do que eu.

HERBERTO HELDER
(1930-2015)
"Os Passos em Volta"
Assírio & Alvim
2009 (1.ª Edição: 1968)

 

Pedro Lamares lê o conto "Estilo" do livro
"Os Passos em Volta" de Herberto Helder.

POEMA "WE ARE WELCOME TO ELSINORE" DE MÁRIO DE CESARINY


"WE ARE WELCOME TO ELSINORE"


Entre nós e as palavras
Há metal fundente.

Entre nós e as palavras
há hélices que andam

E podem tirar-nos a morte

Violar-nos

Tirar do mais fundo de nós 
o mais útil segredo

Entre nós e as palavras
há perfis ardentes

Espaços cheios de gentes de costas

Altas flores ventosas, portas por abrir

E escadas e ponteiros e crianças
sentadas

À espera do seu tempo e do seu 
precipício  

Ao longo da morada em que habitamos

Há palavras de vida, há palavras de morte
Há palavras imensas que esperam por nós

E outras frágeis, que deixaram de esperar

Há palavras acesas como barcos

E há palavras homens, palavras que 
guardam 

o seu segredo e a sua posição.

Entre nós e as palavras, surdamente
As mãos e as paredes de Elsinore.

E há palavras nocturnas 
palavras gemidos

Palavras que nos sobem elegíveis
à boca

Palavras diamantes palavras nunca 
escritas

Palavras impossíveis de escrever

Por não termos connosco 
cordas de violinos

Nem todo o sangue do mundo

nem todo o amplexo do ar

E os braços dos amantes escrevem
muito alto

Muito além do azul onde oxidados
morrem

Palavras maternais só sombra só
soluço

só espasmo só amor só solidão desfeita

Entre nós e as palavras, os emparedados
Entre nós e as palavras, o nosso dever
falar.

MÁRIO DE CESARINY
(1923-2006)



segunda-feira, 23 de março de 2015

SOBRE A DÉCIMA "FUGA POÉTICA" NO NEPTÚLIA BAR EM SÃO JOÃO DA MADEIRA (17.03.2015)

ENTRE NÓS E A POESIA

Havia metal fundente nas mentes mais desassossegadas naquela noite de fim de terça-feira, 17 de Março, pelas 21H00. Um metal feito de palavras. Palavras de vida, palavras de morte; perfis de incêndios almiscarados sobre o fogo enzimado daquilo que nunca foi dito nem escrito. Filas de gente de costas e de frente, olhos gulosos de vício e ócio, línguas lascivas de um verso; poemas à espera de um silêncio, reflexo do seu.

Poucos foram os que faltaram para aquela noite. Aquele pedaço de viuvez do dia onde se cruzaram duas sessões poéticas, semelhantes na essência, diferentes na forma. Se, por um lado, parte do público esteve presente para escutar o actor Pedro Lamares e algumas pessoas, representantes das associações cívicas sanjoanenses, a dizer poemas dos poetas homenageados na campanha cultural  "Poesia à Mesa" deste ano (Álvaro Magalhães, Ana Marques Gastão, Manuel Bandeira, Inês Fonseca Santos, Mário Cláudio e José Régio), por outro lado, existia uma vasta multidão anónima àquele evento, paciente e ansiosa para que o último diseur terminasse de dizer o seu último poema para começar a décima edição das "Fugas Poéticas" no Neptúlia Bar em São João da Madeira - a primeira inserida no programa desta grande iniciativa cultural sanjoanense.

Sincronismo ou talvez não, a sessão começou à hora marcada. Tiago Moita, o coordenador e um dos fundadores das "Fugas Poéticas", a par do seu amigo e escritor, Edmundo Silva, abriu as hostes, dando as boas-vindas a todos e começando com a leitura do poema "You are Welcome to Elsinore" de Mário Cesariny. Logo de seguida, as intervenções não se fizeram esperar: ouviram-se poemas de poetas locais e desconhecidos, clássicos e contemporâneos. Dentro daquelas quadro paredes de convívio e boémia escutaram-se poemas de Cesariny, Herberto Hélder, António Gedeão, José Fanha, Florbela Espanca, Miguel Torga, Alice Gomes, Eugénio de Andrade, Richard Zimler (Sim!Também escreve Poesia!), António Botto, Maria Lúcia, Jorge de Sousa Braga, Nuno Júdice, António Ramos Rosa, Pedro Barroso, Guerra Junqueiro, Almeida Garrett, Castro Reis, Bocage, Manuel Bandeira e Isabel Rosete na voz de muitas figuras habituais destas noites de poesia (e liberdade) vadia, onde nem um trecho de Jules Massenet, tocado pela clarinetista Catarina Rebelo, um "Cântico Negro" de José Régio declamado pelo célebre actor Pedro Lamares, duetos poéticos "Encandescentes" e outros mais transcendentes, não deixou ninguém indiferente e muito menos sem sair daquele momento de homenagem à Poesia com um sorriso no rosto e a Poesia a escorrer dos lábios porque, como já dizia Cesariny "Entre nós e as palavras, o nosso dever, falar."

PRÓXIMA PARAGEM: Confeitaria Colmeia, terça-feira, dia 7 de Abril, às 21H30.

TEMA (FACULTATIVO) DESTE MÊS: LIBERDADE

Aqui ficam as fotos do evento:


Isabel Barbosa lendo um poema
de António Gedeão.


Maria João Lobo dizendo um poema de 
Francisco Guedes de Amorim


M Conceição Gomes lendo um poema de
Florbela Espanca.


Joana Costa dizendo um poema de 
Francisco Guedes de Amorim


Victor José lendo um poema da sua autoria:
"Emoções Despidas".


Raquel Gomes de Pinho e Joana Costa lendo
um poema da colectânea poética
"Encadescente"


Uma jovem acabando de dizer um poema da sua
autoria.


Tiago Moita interpretando o conto poético "Estilo" do livro
"Os Passos em Volta" de Herberto Hélder.


Dina Silvério lendo um poema da sua
autoria.


Adriana Seixas - uma estreante nas "Fugas Poéticas" -
lendo o poema "Confidencial" de Miguel Torga.


Carlos Pinho lendo o poema "A Idade dos Porquês"
de Alice Gomes.


A dona Lisete Gomes lendo um poema da sua 
autoria.


O doutor Luís Quintino dizendo o poema "Os 
Amantes sem Dinheiro" de Eugénio de Andrade.


Carla Isabel Mota Caravalho lendo o poema
"Parabéns Poesia" de Miguel Fernandes.


Joana Costa lendo um poema do escritor Richard
Zimler, inserido na colectânea poética "A Poesia
não tem grades" de Filipe Lopes.


Fábio Silva lendo um poema "Devemos Partir"
da sua autoria.


Tavares Ribeiro lendo um poema de um dos seus
livros de Poesia.


Ana Paiva - uma estreante nas "Fugas Poéticas" -
dizendo um poema de António Botto.


Francisco Guedes de Amorim lendo o poema
"Proezia", da sua autoria.


Manuel Dias acabando de ler o poema
"Pescador da Barca Bela" de Almeida
Garrett.


O Actor Pedro Lamares dizendo o poema
"Cântico Negro" de José Régio.


O doutor Ângelo Alberto Campelo lendo o poema
"Destino da Árvore" de Maria Lúcia.


Edmundo Silva lendo o poema "Uma voz na Pedra"
de António Ramos Rosa.


Catarina Rebelo, interpretando ao clarinete, um 
excerto da célebre ópera "Täis" de Jules Massenet.


Lena França dizendo o poema "Angústia" de FL
(Antologia Poética "Um Rasgo de Espelhos")


Raquel Gomes de Pinho lendo um poema da
colectânea poética "Encandescente".


Vânia Soares lendo um poema.


O Dr. Flores Santos Leite lendo o "Poema do
Fecho-Éclair" de António Gedeão.


O senhor Altino lendo um poema de Castro Reis.


Maria João Lobo lendo o poema "Ribeirada"
de Bocage.


O Dr. Francisco Costa dizendo o poema 
"O Anel de Vidro" de Manuel Bandeira.


O doutor Ângelo Alberto Campelo dizendo o poema "Da Pátria"
de António Correia de Oliveira.


Donzília - uma estreante nas "Fugas Poéticas" - dizendo o poema
"Forma de Inocência" de António Gedeão.


O senhor António - um estreante nas "Fugas Poéticas" - lendo um 
poema da sua autoria, acabado de escrever.


O doutor Magalhães dos Santos lendo o poema "Perdoar sem 
Esquecer", da sua autoria.


Edmundo Silva lendo o poema "Escreve?" de Isabel Rosete

terça-feira, 10 de março de 2015

POEMA "AS MINHAS ASAS" DE ALMEIDA GARRETT


"AS MINHAS ASAS"

Eu tinha umas asas brancas
Asas que um anjo me deu,
Que, em me eu cansado da terra,
Batias-as, voava ao céu.

Eram brancas, brancas, brancas
Como as do anjo que m'as deu:
Eu inocente como elas,
Por isso voava ao céu.
Veio a cobiça da terra.
Vinha para me tentar,
Para seus montes de tesouros
Minhas asas não quis dar.
Veio a ambição cóas grandezas,
Vinham para m'as cortar, 
Davam-em poder e glória,
Por nenhum preço as quis dar.

Porque as minhas asas brancas,
Asas que um anjo me deu, 
Eu me eu cansado da terra
Batias, voava ao céu.

Mas uma noite sem lua
Que eu contemplava as estrelas,
E já suspenso da terra,
Ia voar para elas,

Deixei descair os olhos
Do céu alto e das estrelas...
Vi entre a névoa da terra
Outra luz mais bela que elas.

E as minhas asas brancas
Asas que um anjo me deu,
Para a terra me pesavam
Já não se erguiam ao céu.

Cegou-me essa luz funesta
De enfeitiçados amores...
Falta amor, negra hora
Foi aquela hora de dores!

Tudo perdi nessa hora
Que provei nos seus amores
O doce fel do deleite,
O acre prazer das dores.

E as minhas asas brancas
Asas que um anjo me deu,
Pena a pena me caíram...
Nunca mais voei ao céu.

ALMEIDA GARRETT
(1799-1854)

POEMA "UM SÓ PENSAMENTO - LIBERDADE" DE PAUL ÉLUARD


UM SÓ PENSAMENTO - LIBERDADE

"Nos meus cadernos de escola
 Nesta carteira nas árvores
 Nas areias e na neve
 Escrevo o teu nome

 Em toda a página lida
 Em toda a página branca
 Pedra sangue papel cinza
 Escrevo o teu nome

 Nas imagens redouradas
 Na armadura de guerreiros
 E na coroa dos reis
 Escrevo o teu nome

 Nas jângalas, do deserto
 Nos ninhos e nas giestas
 Nos ecos da minha infância
 Escrevo o teu nome

 Nas maravilhas das noites
 No pão branco da alvorada
 Nas estações enlaçadas
 Escrevo o teu nome

 Nos meus farrapos azul
 No tanque sol que mofou
 No lago lua vivendo
 Escrevo o teu nome

 Nas campinas do horizonte
 Nas asas dos passarinhos
 E no moinho das sombras
 Escrevo o teu nome

 Em cada sopro da aurora
 Na água do mar nos navios
 Na serrania demente
 Escrevo o teu nome

 Até na espuma das nuvens
 No suor das tempestades
 Na chuva insípida e espessa
 Escrevo o teu nome

 Nas formas resplandecentes
 Nos sinos das sete cores
 E na física verdade
 Escrevo o teu nome

 Nas veredas acordadas
 E nos caminhos abertos
 Nas praças regurgitantes
 Escrevo o teu nome

 Na lâmpada que se acende
 Na lâmpada que se apaga
 Nas minhas casas reunidas
 Escrevo o teu nome

 No fruto partido em dois
 Do meu espelho e do meu quarto
 Na cama concha vazia
 Escrevo o teu nome

 No meu cão guloso e meigo
 Nas suas orelhas fitas
 Na sua pata canhestra
 Escrevo o teu nome

 No trampolim desta porta
 Nos objectos familiares
 Na língua do fogo puro
 Escrevo o teu nome

 Em toda a carne possuída
 Na fronte dos meus amigos
 Em cada mão que se estende
 Escrevo o teu nome

 Na vidraça das surpresas
 Nos lábios que estão atentos
 Bem acima do silêncio
 Escrevo o teu nome

 Nos meus refúgios destruídos 
 Nos meus faróis desabados
 Nas paredes do meu tédio 
 Escrevo o teu nome

 Na ausência sem mais desejos
 Na solidão despojada
 E nas escadas da morte 
 Escrevo o teu nome

 Na saúde recobrada 
 No perigo dissipado
 Na esperança sem memórias
 Escrevo o teu nome

 E ao poder de uma palavra
 Recomeço a minha vida
 Nasci para te conhecer
 E te chamar

 Liberdade."

 PAUL ÉLUARD
(1895-1952)

segunda-feira, 9 de março de 2015

DÉCIMA "FUGA POÉTICA" NO NEPTÚLIA BAR EM SÃO JOÃO DA MADEIRA (17.03.2015)


AVISO À NAVEGAÇÃO!!!

Depois do grande sucesso da sétima "Fuga Poética" na Confeitaria "Colmeia" na primeira terça-feira do mês, as "Fugas Poéticas" em São João da Madeira regressam em força no dia 17 de Março, a partir das 21H30, no Neptúlia Bar em São João da Madeira.

Esta será mais uma sessão especial: pela primeira vez na sua história, uma "Fuga Poética" vai ser publicitada na campanha cultural "POESIA À MESA" deste ano. A sessão vai continuar a seguir a mesma informalidade, liberdade e independência, com a diferença de ser promovida, desta vez, por um dos mais emblemáticos eventos culturais sanjoanenses. Entre outras surpresas...

Nessa sessão, tal como aconteceu na outra, os desafios mantêm-se:
  1. Dizer pelo menos um poema, da vossa autoria ou de um(a) poeta do vosso coração, de cor e salteado nessa sessão!
  2. Dizer um poema sobre POESIA (Tema escolhido na sessão poética anterior).
NOTA: Os desafios são FACULTATIVOS!Aqueles que aceitarem, aceitam de sua livre e espontânea vontade! Quem aceitar o segundo, terá o primeiro quarto de hora desta sessão para dizer o poema do tema escolhido

Quem quer participar no desafio?

Venham celebrar a festa da Poesia e soltar os poemas que habitam dentro de vós e no silêncio das gavetas e dos livros!

SOBRE A SÉTIMA "FUGA POÉTICA" NA CONFEITARIA "COLMEIA" EM SÃO JOÃO DA MADEIRA (03.03.2015)

TRIBUTO A UM ADEUS

Prestar homenagem a alguém que deixou sementes de futuro na Terra e tentou criar um paraíso no coração dos homens é também Poesia, quando o momento é oportuno, a linguagem é certa e o sentimento apropriado. Nessa noite fresca de terça-feira, dia 3 de Março, na Confeitaria "Colmeia", pelas 21H30, podiam não estar todas as pessoas que gostaram do professor Josias Gil ou todos os poetas e amantes da Poesia do mundo, mas quem assistiu e participou na VII "Fuga Poética", naquele espaço emblemático da Praça Luís Ribeiro em São João da Madeira, de homenagem à Poesia e, especialmente, a um dos mais ilustres sanjoanenses que esta terra conheceu, não ficou indiferente a tudo o que aconteceu naquela noite.

Não ficou indiferente à homenagem poética e simbólica dos organizadores das "Fugas Poéticas", Tiago Moita e Edmundo Silva, quando ambos depositaram um laço preto e branco e uma rosa numa cadeira vazia, a mesma cadeira onde se sentou o ilustre professor na última "Fuga Poética" que participou - fez nesse dia um mês - e leram o poema "As minhas Asas" de Almeida Garrett, antes de entregarem o laço, a rosa e as folhas do poema que leram à família, como gesto simbólico de gratidão e tributo a esse grande homem.

Terminada a homenagem dos organizadores, iniciou-se a sessão. Num espaço preenchido com mais de setenta pessoas, houve lugar para elegias de homenagem ao professor Josias Gil, canções capazes de sublimar as almas mais adormecidas, anedotas inocentes, testemunhos sentidos de almas órfãs de saudade, acompanhadas pela Poesia de poetas tão díspares como David Mourão-Ferreira, Florbela Espanca, José Luís Peixoto, Paul Éluard, António Gedeão, Pablo Neruda mas, essencialmente de muitos poetas locais e desconhecidos que, entre o júbilo e o pranto, prestaram homenagem a alma que viveu a vida tão intensamente como um poema voando à solta pelo silêncio do mundo.

Próxima Paragem: Neptúlia Bar, 17 de Março, Terça-feira, 21H30.

Tema (Facultativo): POESIA.

Conto convosco!

Aqui ficam fotos do evento:


Parte das mais de setenta pessoas que estiveram presentes na 
sessão de homenagem à Poesia e, especialmente, ao Professor
Josias Gil


Outra panorâmica do público presente na sessão


O Dr.Flores Santos Leite lendo um poema da
sua autoria, dedicado ao Prof. Josias Gil.


Isabel Barbosa dizendo um poema da sua autoria


O Dr. Francisco Costa lendo um poema da sua
autoria, em homenagem ao Prof. Josias Gil
intitulado "Elegia ao Professor Josias Gil".


António Salgueiro - um poeta natural de Espinho e
um estreante nas "Fugas Poéticas" - lendo
um poema da sua autoria.


David Morais Cardoso lendo um poema


O senhor Amílcar Bastos lendo um poema da sua
autoria, de homenagem ao Professor Josias Gil,
intitulado "Filosofia e Viagens".


O senhor Altino lendo um poema.


O senhor Manuel Dias lendo o poema "Poesia"
de Miguel Fernandes.


Idiema Salgueiro lendo um poema.


O doutor Luís Quintino lendo um poema de David
Mourão-Ferreira.


Joana Costa lendo um poema de Florbela Espanca


O doutor João Carlos Silva lendo o poema
"Um só pensamento" de Paul Éluard.


A acordeonista - e ex-aluna do professor Josias Gil -
 Cláudia Patrícia Alves Pereira tocando uma peça
musical com o seu acordeão.


O doutor Magalhães dos Santos contando uma
anedota.


O senhor Carlos Pinho lendo o poema
"Calçada de Carriche" de António Gedeão.


Tavares Ribeiro lendo um poema da sua autoria:
"À procura do Amor".


A Clarinetista Catarina Rebelo tocando a célebre 
peça musical "Pavane pour une infant défunt"
do compositor Maurice Ravel.


Sara Gil - um das filhas do Professor Josias Gil -
lendo um poema do seu pai.


O Dr. Adão Cruz lendo um poema da sua autoria.


A professora Eva Cruz lendo um poema 
da sua autoria.


M Conceição Gomes lendo um poema de Joel Lira


O doutor Magalhães dos Santos lendo um poema
humorístico da sua autoria: "Rimeiro".


Inês Severino lendo o poema "É proibido"
de Pablo Neruda.


O poeta Valecambrense Victor José lendo um
poema da sua autoria: "Na minha solidão".


O professor Daniel Neto contando uma estória
sobre o seu amigo, o Prof. Josias Gil.


O Professor Daniel Neto lendo um poema da sua
autoria, de homenagem ao seu amigo, o Professor
Josias Gil: "Educação".

O doutor Ângelo Campelo lendo - pela primeira
vez - o poema "Lusitanos" de António F.Pina.