domingo, 4 de agosto de 2013
Poema "NESTE PAÍS DE LINHOS E PREDICADOS" de Edmundo Silva
NESTE PAÍS DE LINHOS E PREDICADOS
Neste país de linhos e predicados
horas forradas de musgo e amor
onde a humidade do sol desagua como carta sagrada
e num selo dessa corrente de rio meditações se afloram,
sento-me na relva desta paz do ar lambida
e sonho os sonhos das pedras e dos astros musicais...
Ouço os murmúrios azuis das constelações das nossas almas
e na biblioteca da noite o pulsar óbvio da sublimação
é uma gema que flutua no vácuo
germinando os jardins do nosso amor
e antecipando a felicidade em cometas irisados.
Aqui me deixo levar pela intrépida ovulação do Agora,
onde a fermentação dos nossos sentidos
placidamente passa pelos caminhos novos
dessa canção de rios e árvores, planetas e almas,
num súbito desaguar de melodias da eternidade...
Neste país de bálsamos siderais
a voz das plantas desenha o nosso sossego
e veste-nos de transparências primordiais
onde a verdade dos nossos vultos vive
e nas candeias da liberdade descansa...
Edmundo Silva
"Epifania ao Sol"
WorldArtFriends/Corpos Editora
2012
TEOSOFIA PURA :ALFRED PERCY SINNETT (1840-1921)
"Loucos são aqueles que, especulando apenas sobre o presente, voluntariamente fecham os olhos para o passado e, com isso, permanecem naturalmente cegos para o futuro."
Alfred Percy Sinnett (1840-1921)
"Cartas dos Mahatmas"
1923
(Livro publicado a título póstumo)
quarta-feira, 26 de junho de 2013
"O ÚLTIMO IMPÉRIO" DE TIAGO MOITA, SEGUNDO PAULO TELES (Blog "O Efeito dos Livros")
Se no princípio me custou agarrar neste livro devido ao tamanho, depois de o começar a ler foi como se passasse a pertencer ao enredo...não consegui parar de lê-lo.
Tiago Moita leva-nos a passear por terras, cidades, ruas, monumentos e personagens do meu, nosso, querido Portugal.
Muitas das vezes as descrições são tão boas que me levava a querer ir àquele lugar e ver com os meus olhos o que o autor descreve.
"repara na fachada do edifício: tem nove janelas, que correspondem aos nove olhos que espreitam o mistério, como indica o poema. Nove, na simbologia maçónica corresponde ao princípio da luz divina e é o número dos iniciados profetas. As colunas que vês entre as portas simbolizam os limites do mundo criado; a vida e a morte; o masculino e o feminino."
Gostaram? E se eu vos disser que a descrição se refere à Estação do Rossio? Digam lá que quando passarem por lá não vão olhar para a fachada de uma outra maneira.
Quanto à História, apaixonei-me por todo o enredo, além de ser uma ode a Portugal e ao povo Português é também uma valorização dos nosso feitos e dos nossos antepassados, não esquecendo também a projecção daquilo que o autor acharia que Portugal é capaz de fazer no futuro.
Tiago Moita consegue remasterizar os mais variados temas como a Maçonaria, a Opus Dei ou o Clube Bilderberg, mixando-os com terapias como o Reiki e ainda explicações que se socorrem da Astrologia. Brinda-nos ainda com mitos e lendas do nosso país, salientando que o passado, mas sem esquecer a actualidade, juntando-lhe assim acontecimentos que revelam um escritor atento e dono de uma crítica social perspicaz.
A meu ver, Tiago Moita reforça a importância de acreditarmos em Portugal e na grandiosidade da Nação. Ao ler senti-me ainda mais Português e a querer que as pessoas o sentissem também.
Vejamos "O Último Império" como um diário de acontecimentos da actualidade, onde nos revemos em cenas históricas repetidas e recorrentes. Um povo que não se valoriza, um povo que está a ser escravizado por políticos e outras forças que definem o que podemos ou não fazer e que nos rouba o pão de cada dia. No entanto, o autor passa uma mensagem de positivismo e de elevação a uma capacidade superior, que revê no povo Português e acaba num futuro que ele deseja para todos nós. Um futuro sem ódio, sem inveja, um futuro onde fôssemos todos iguais, onde o homem atingisse um estado pleno, onde a nossa alma ganhasse força e a nossa força fosse elevada para o bem e o para o amor.
Não vou contar mais sobre a história pois perderia a graça para quem a queira ler, mas aproveito para salientar algumas partes, pois cada quando já estava envolvido na trama, o autor brinda-nos com este pequeno deleite:
"Nada é tão absorvente como o prazer de ler um livro num café ou numa esplanada. Deixar-se levar pelo sabor das palavras ou pela essência do enredo; devorar cada capítulo como quem se deixa dominar pela gula ou por uma noite de prazer; desfiar o fio do novelo dum mistério de uma narrativa, deixar-se contagiar pela natureza das personagens; desafiar o tempo com o virar de uma página no intervalo de um café ou de uma refeição frugal."
Gostei também de algumas frases que poderíamos usar numa qualquer manifestação dos dias de hoje, deixo-vos com esta:
"Um líder pode mentir ao povo uma vez, não pode é mentir-lhe para sempre"...
Paulo Teles
26.06.2013
quinta-feira, 20 de junho de 2013
"O ÚLTIMO IMPÉRIO" DE TIAGO MOITA NO BRASIL
Um ano depois da sua edição:
"O ÚLTIMO IMPÉRIO" DE TIAGO MOITA CHEGOU AO BRASIL.
(Com a devida vénia ao Jornal "O Regional" de São João da Madeira)
"O Último Império" de Tiago Moita (Chiado Editora, 2012) chegou a terras de Vera Cruz no mês passado e está à venda nas maiores cadeias de livrarias do maior país da América do Sul a CULTURA...
...e SARAIVA!
Numa entrevista dada o jornal "O Regional", Tiago Moita manifestou o seu regozijo dizendo que "graças a esta informação, sou, por assim dizer, o primeiro autor sanjoanense a ter um livro da sua autoria à venda no estrangeiro" e que está muito confiante, pois segundo ele "o Brasil é um mercado com mais de 88,2 milhões de leitores e, curiosamente, um país muito mais receptivo ao conceito do Quinto Império e do Regresso de Dom Sebastião do que Portugal, tirando raras excepções, muito graças à acção do Padre António Vieira, Fernando Pessoa e ao Professor Agostinho da Silva, mas também devido à abertura espiritual do povo brasileiro, uma vez que este livro fala essencialmente de espiritualidade. Também disse a este jornal que, mais do que conquistar leitores, este livro "está a despertar consciências" e esta "passagem para o Atlântico" pode ser uma consequência de tudo isso, e, "com certeza, um primeiro passo para a internacionalização do meu primeiro romance"
O escritor e poeta Tiago Moita.
Tiago Moita, que começou aos 15 anos a escrever Poesia, não esconde a alegria de ver o seu livro passar o Atlântico e recorda Edmund Burke quando afirma que "as dificuldades crescem à medida que nos aproximamos do nosso objectivo. Eu, como todos os verdadeiros escritores - e poetas -, não fugimos à regra de querer que os nossos livros consigam sair do país donde foram editados e tenham sucesso fora de portas.". Na sua opinião, quando o autor é desconhecido para o mercado e para a comunicação social, "o respeito pelo seu trabalho é mais lento." Entende, contudo, que "existem sempre factores de diversas ordens que escapam à mente do autor, cuja principal função é criar e não fazer o trabalho que incumbe às editoras, às promotoras e às distribuidoras fazer."
O aparecimento de novas editoras a apostar em novas autores e as novas tecnologias de informação e redes sociais, assim como prémios e festivais literários aumentou a confiança deste autor sanjoanense e português. Segundo o que disse ao jornal "O Regional" "estou convencido de que essa dificuldade acabará por ser superada e os autores emergentes conseguirão ter o respeito e o reconhecimento que merecem mais depressa, tal como acontece com os autores consagrados."
terça-feira, 30 de abril de 2013
Poema LIVRE-ARBÍTRIO de Tiago Moita
Escolhe
aceita esta dádiva
como parte de ti
escolhe tudo escolhe agora
escolhe o espelho a casa
e a hora fecunda
escolhe o macho e a fêmea
para embalar o teu berço
na copulação do fogo
escolhe a língua e a pele
escolhe o signo do teu dia
para a gestação do teu karma
O mundo é uma estrada perdida
feita de espinhos e pétalas
de rosas selvagens
semântica viva de sensações
e sentidos
em fila de espera para lado nenhum
labirinto de imagens e sombras
em constante mutação
imitação da vida
em três actos
O filme prossegue sem intervalos
nem interrupções
o actor principal dará lugar em breve
ao único espectador da sala
escolhe tudo escolhe agora
espera tudo o que não pensas esperar
vive tudo o que juraste morrer
no efémero do imediato
esconde-se um cálice de infinito
na profundidade de cada silêncio
existe um sol para cada palavra
Não confundas nuvens com estrelas
resiste à agridoce tentação da fuga
Decifra cada metáfora sanguínea
na sublimação das legendas
não confundas figurantes e coisas
com actores principais
O actor
A caneta
O papel
A realização
e o argumento
és tu
Por isso escolhe
mesmo quando penses
que não tens nada para escolher.
TIAGO MOITA
"Post Mortem e Outros Uivos"
WorldArtFriends/Corpos Editora
2012
(Nota: este poema foi publicado no Facebook do autor (Tiago V.Moita) no dia 25 de Abril deste ano. Viva a Liberdade!)
domingo, 21 de abril de 2013
POETAS PORTUGUESES DO SÉCULO XXI: ANTÓNIO PEDRO RIBEIRO
Declaração de Amor ao Primeiro-Ministro
Estou apaixonado pelo primeiro-ministro
por todos os primeiro-ministros
e pelos segundos
e pelos terceiros
estou apaixonado por todos os presidentes de Câmara
e de Junta
por todos os benfeitores de obra feita
por todos os que erguem e mandam erguer
estradas, pontes, casas, estádios, fontanário, salões paroquiais
estou apaixonado por todos aqueles que governam, que executam,
que decidem sem pestanejar
por todos aqueles que dão o cu pela causa pública
que se sacrificam pelo bem comum sem nada pedir em troca.
Quero votar entusiasticamente em todos eles
afogá-los em votos
até que se venham
em triunfo
Estou apaixonado pelo primeiro-ministro
quero vê-lo num bacanal
com todos os ministros
de todos os ministérios
e arfar de prazer
e enrabar o défice, o orçamento
o IVA, a inflação, a recessão
ágil e empreendedor
como um super-homem.
Estou apaixonado pelo primeiro-ministro
Quero vê-lo num filme porno.
De Declaração de amor ao Primeiro-Ministro
ANTÓNIO PEDRO RIBEIRO, ou A.P.Ribeiro, nasceu no Porto em Maio de 1968. Tem permanecido em Braga, Porto, Trofa, e Vilar do Pinheiro (Vila do Conde). Publicou cerca de dez livros de poesia e um livro de crónicas entre 1988 e 2012. Foi fundador da Revista Literária "Águas Furtadas". Colaborou (e colabora) nas revistas "Piolho/A voz de Deus"; "Cráse", "Bíblia" entre outras. Actuou como disuer/performer nos Festivais Paredes de Coura de 2006 (ao lado de Adolfo Luxúria Canibal e Isaque Ferreira) e de 2009 com um espectáculo "Um poeta no sapato", local onde regressa a 26 de Maio com a performance "Se pagares uma cerveja está a financiar a Revolução", acompanhado de Suzana Guimarães. Coordenou com Luís Carvalho as sessões de "Poesia de Choque" no Clube Literário do Porto e tem dinamizado as sessões de poesia dos bares "Púcarus" e "Pinguim", no Porto. Foi activista estudantil na Faculdade de Letras na Universidade do Porto e no Jornal Universitário do Porto. É licenciado em Sociologia e é cronista em jornais. Há quem lhe chame provocador, agitador profissional e um dos poetas com mais ascenção mediática da actualidade.
OBRAS PUBLICADAS
- "Fora da Lei" (E-ditora, 2012)
- "Café Paraíso" (CulturePrint, 2011)
- "Nietzsche, Jim Morrison, Henry Miller os mercados e outras conversas" (WorldArtFriends/Corpos Editora, 2011)
- "Um poeta no Piolho" (Corpos Editora, 2009)
- "Queimai o dinheiro" (Corpos Editora, 2009)
- "Um poeta a mijar" (Corpos Editora, 2007)
- "Saloon" (Edições Mortas, 2007)
- "Declaração de Amor ao Primeiro-Ministro" (Objecto Cardíaco, 2006)
- "Sexo, Noitadas e Rock N´Roll" (Edições Pirata, 2004)
- "Á mesa de um homem só" (O silêncio da Gaveta, 2001)
- "Gritos, Murmúrios" (com Rui Soares, Grémio Lusíada, 1988)
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