terça-feira, 18 de março de 2014

POESIA À MESA 2014: A POESIA ESTÁ NA MESA E NA RUA EM S.JOÃO DA MADEIRA!




Mais uma vez, regressa a São João da Madeira,pelo 11º ano e pela 12ª Edição consecutiva, a campanha cultural POESIA À MESA. Um evento, do qual sou suspeito em apoiar - visto que assisto e participo nele desde 2004 -, mas que nunca deixo de o promover. Trata-se de uma das maiores e mais originais manifestações de homenagem à Poesia, onde o associativismo e a cultura se aliam numa simbiose perfeita com a cidade e o concelho, tornando São João da Madeira numa dos principais focos de atenção e dinâmica cultural das Terras de Santa Maria dos últimos tempos.

Os poetas homenageados este ano são VASCO GATO, JORGE DE SOUSA BRAGA, ANA PAULA TAVARES, INÊS PUPO, JOSÉ CARLOS ARY DOS SANTOS e LUÍZA NETO JORGE.

Eis o programa deste ano:

DATAS E EVENTOS A TER EM CONTA  

14 DE MARÇO, 18H00

Inauguração da Exposição de Pintura e Poesia ENTRE AS MÃOS E O SONHO de Adão Cruz e João Alexandre, Biblioteca Municipal Dr. Renato Araújo em São João da Madeira (patente até 14 de Abril)

18 DE MARÇO, 18H00

Tertúlia Poética dos poetas sanjoanenses, Biblioteca Municipal Dr. Renato Araújo em S. João da Madeira

19 DE MARÇO, TODO O DIA

Oficina Um Poema para o meu pai.
Abertura da exposição Poesia de Encantar trabalhos realizados pelos alunos no âmbito do Projecto Educativo Municipal. Biblioteca Municipal Dr. Renato Araújo em São João da Madeira.

20 DE MARÇO, 10H30 e 14H30

adVERSUS - Espectáculo Poe´tico de Largo Espectro

Estás triste? tem insónias? Sofre de comichões na carteira e de urticárias profissionais? Sente-se sem forças? Acha que anda a chocar uma depressão? O adVERSUS é um concentrado de sonhos que contém substâncias activas com efeitos imediatos na forma de olharmos o mundo à nossa volta. Há quem diga que a nossa sociedade está doente. E se lhe administrarmos uma boa dose de Poesia? O adVERSUS é isso mesmo. O prazer de dizer o mundo com as palavras dos poetas.

Paços da Cultura, ANDANTE associação artística
Peça direccionada para jovens a partir dos 15 anos.

21 DE MARÇO, 14H00

Quem escreveu o meu livro? com INÊS PUPO e GONÇALO PRATAS

21H30
PEREGRINAÇÃO POÉTICA com o actor Pêpê Rapazote e as associações culturais da cidade. Organização e apresentação pelo actor Pedro Lamares. Participação dos poetas José Fanha, Inês Pupo e Ana Paula Tavares. ZONA PEDONAL

Espectáculo de animação de rua com a associação ECOS URBANOS

22 DE MARÇO, 21H45

SERÃO POÉTICO com a actriz Ana Zanatti e o saxofonista José Menezes. Apresentação e participação do actor Pedro Lamares e do poeta José Fanha, PAÇOS DA CULTURA.

28 DE MARÇO, 18H00

Cerimónia de entrega de Prémios do concurso POESIA NA CORDA
Biblioteca Municipal Dr. Renato Araújo em S.João da Madeira

DURANTE A SEMANA

Poesia na Corda, Praça Luís Ribeiro (14 e 22 de Março)

Exposição Poesia de Encantar, trabalhos realizados pelos alunos no âmbito do Projecto Educativo Municipal, Bilbioteca Municipal Dr. Renato Araújo em São João da Madeira.

À Mesa com Poesia, poesia nos restaurantes (17 a 22 de Março)

Oficinas de Poesia nas Escolas (10 a 21 de Março)

Poesia nas Fábricas (17 a 21 Março)

domingo, 9 de março de 2014

POETAS CONTEMPORÂNEOS DO SÉCULO XXI: JOÃO NEGREIROS


O TEMPO ÉS TU A PASSAR

semanas passam como tu
a espera conta-se pelos dedos 
dos palmos que te vão dar

há arranha-céus que esgravataram a terra 
para interceder por mim
e tu nem assim foste ao túnel comigo

comi a fruta mais áspera
contraí um cancro com o seu caroço
 para que fosse sã
e tu lambeste toda a sobremesa
 como se eu não tivesse direito 
ao que sobrou da solidão

semanas passam como tu
não dás fé do meu rosário e     no fascínio que por mim vai    chapinhaste um
espelho de poças
podiam ser uma interjeição mas em vez disso são água

sou o espelho turvo que te dá em troca
perdeste importância do amor-próprio
por não perceberes que só somos 
o que os outros amam

semanas passam como tu
o tempo és tu a passar.

De O Amor és tu.

JOÃO NEGREIROS nasceu em Matosinhos a 23 de Novembro de 1976. Foi o primeiro classificado no Prémio Internacional OFFLIP de Literatura (Brasil, 2009). 

Em Portugal, entre outros prémios, João Negreiros venceu o Prémio Nuno Júdice. Na área do Teatro, a sua obra foi crescendo, tendo hoje várias peças editadas "Silêncio" e "Os Vendilhões do Templo" (2007); "O segundo do fim" e "Os de sempre" (2008). 

No âmbito da poesia, publicou três livros: "O Cheiro da sombra das flores" (2007, Papiro Editora), seleccionado de entre as melhores obras de poesia ibérica publicadas entre 2007 e 2008 pelo Prémio Correntes D'Escrita de 2009; "Luto Lento" (2008, Papiro Editora) e "A Verdade dói mas pode estar errada" (2010, Camões e Companhia).

Em 2010, é editado o seu primeiro livro de prosa "O mar que a gente faz" e, em 2012, "O Sol Morreu aqui" - este último, vencedor do Prémio Literário Dias de Melo.

Para além de escritor, João Negreiros é actor e tem divulgado a poesia nacional através de espectáculos e vídeos de spoken word. Em 2011, o artista foi representante da Literatura Portuguesa na 7ª Edição do conceituado Festival Internacional das Artes de Castela e Leão.

OBRAS POÉTICAS PUBLICADAS:
  • "O Amor és tu" (Saída de Emergência, 2012)
  • "A Verdade dói mas pode estar errada" (Camões e Companhia, 2010)
  • "Luto lento" (Papiro Editora, 2008)
  • "O cheiro da sombra das flores" (Papiro Editora, 2007)

NEW AGE MUSIC: LISA LYNNE


Lisa Lynne 

"Lake of Dreams"

"Daughters of Celtic Moon"

2009

sábado, 1 de março de 2014

POETAS DA NOVA ERA: RON LAMPI


A PALAVRA

Suavemente falada: a Palavra.
Frequentemente, nós ouvimos o seu murmúrio - 
É uma voz que deseja despertar-nos.
É a memória da nossa renovação,
                                    desejo da nossa alma,
uma manifestação de tudo para ser chamado
                                   das profundezas.

Fora do mar, uma Palavra, 
anunciando o nosso verdadeiro destino. 
O destino imediato é semi-enterrado
                                  na areia -
nós somos as conchas que dormem.

Sobre uma costa resistente nós dormimos
O Por que é tão duradouro precisamos dormir?
Mas nós sonhamos...

Como o som do mar que ecoa
          até
Escutamos a Palavra do nosso despertar 
Ao mesmo tempo, uma voz murmura
suavemente nos nossos ouvidos...

Ron Lampi
2004

SABEDORIA PURA: BOB PROCTOR


"Os único limites na nossa vida são aqueles que impomos a nós mesmos"

Bob Proctor

Filósofo neotranscendentalista e Life Coacher

NEW AGE ART: JAMES ROSENQUIST


"Sand of the Cosmic Desert in Every Direction"

James Rosenquist

2012

POETAS CONTEMPORÂNEOS DO SÉCULO XX E XXI: JAIME ROCHA


TODA AQUELA ASSOMBRAÇÃO ESTÁ GRAVADA

Toda aquela assombração está gravada
na tinta como se pertencesse a um livro
queimado, roído pelo sol. O homem sabe
que se trata de uma morta, mas não
entende que é a cicatriz do seu peito que
lhe ocupa o sono e o cativa para um ritual
demoníaco. Conhece os seus cabelos, os 
lábios a descerem pelas amoras, pela cera.
E toda a sua pele sobressai, pintada na
parede, nos pregos, nas mãos que descansam
em cima de uma toalha. Um navio incendeia-se
contra um recife. É ela ou os seus vestidos a 
desaparecerem no horizonte, no fim de tudo.

De Necrophilia

JAIME ROCHA nasceu em 1949, na Nazaré, Portugal. 

Estudou na Faculdade de Letras de Lisboa e viveu em França nos últimos anos da ditadura até 1974. Exerce a profissão de jornalista há cerca de três décadas, com o nome próprio de Rui Ferreira e Sousa. Tem editadas várias obras de poesia, ficção e teatro. No domínio da poesia, Jaime Rocha publicou Melânquico (com o pseudónimo de Sousa Fernando), A Dança dos lilazes, Beber a Cor, A Pequena Morte/Esse Eterno Canto (díptico com Hélia Correia), A Perfeição das coisas, Do Extermínio, Arco de Jasmim, Os Que Vão Morrer e Zona de Caça. Na ficção destacam-se os romances Loucura Branca, Tonho e as Almas e Os dias de um Excursionista. No Teatro, editou mais de uma dezena de peças. Foi galardoado, em 1998, com o Grande Prémio APE de Teatro, com a pela O Terceiro Andar, texto incluído no volume O Construtor e, em 2000, com o Prémio Eixo Atlântico de Textos Dramáticos, com a peça Seis Mulheres sob Escuta. A sua primeira peça representada intitula-se A Repartição e foi levada à cena, na Comuna, pelo Grupo de Teatro da Faculdade de Ciência de Lisboa em 1989. O Teatro de Carnide encenou, em 1998, a sua peça Depois da Noite o Quê? Uma réplica à obra de José Saramago, A Noite. Em 2001, estrearam quatro peças suas: Casa de Pássaros pelo Teatro Experimental de Cascais, O Televisor pelo Teatro Mosca, Transviriato pelo Trigo Limpo Teatro Acert e O Jogo da Salamandra, uma co-produção da Comuna Teatro, uma co-produção da Comuna Teatro de Pesquisa e do Teatro Público, de Lisboa. Em 2003, Seis Mulheres sob Escuta numa produção do Teatro da Trindade e Quinze minutos de Glória pelo GRETUA - Grupo Experimental de Teatro da Universidade de Aveiro. em Fevereiro de 2004 estreia em Lisboa a peça Homens como Tu. De Pesquisa e do Teatro Público, de Lisboa. Em 2003, Seis Mulheres sob Escuta numa produção do Teatro da Trindade e Quinze minutos de Glória pelo GRETUA. Em Fevereiro de 2004 estreia em Lisboa a peça Homens como Tu.

OBRAS PUBLICADAS
  • "Necrophilia" (Relógio D'Água, 2010)
  • "Do Extermínio" (Relógio D'Água, 2003)
  • "Zona de Caça" (Relógio D'Água, 2002)
  • "Os que vão morrer" (Relógio D'Água, 2000)
  • "Arco de Jasmim" (Edições Duas Luas, Belo Horizonte, Brasil, 1999)
  • "A Perfeição das Coisas" (Caminho, 1988)
  • "A Pequena Morte/Esse eterno canto" (Black Sun Editores, 1986)
  • "Beber a cor" (Edições &Etc., 1985)
  • "A Dança dos Lilazes" (Edições Bico d'Obra, 1982)
  • "Melânquico" (Livro de Autor, 1970)