quarta-feira, 11 de junho de 2014
"O POEMA" de HERBERTO HELDER
O POEMA
O poema cresce incessantemente
na confusão da carne.
Sobe ainda sem palavras, só ferocidade e gosto.
Talvez como o sangue
ou sombra de sangue pelos canais do ser.
Fora existe o mundo. Fora, a esplêndida violência
ou os bagos de uva de onde nascem
as raízes minúsculas do sol.
Fora, os corpos genuínos e inalteráveis
do nosso amor.
Rios, a grande paz exterior das coisas,
folhas dormindo o silêncio
- a hora teatral da posse.
E o poema cresce tomando tudo em seu regaço.
E já nenhum poder destrói o poema.
Insustentável, único,
invade as casas deitadas nas noites
e as luzes e as trevas em volta da mesa
e a força sustida das coisas
e a redonda e livre harmonia do mundo.
- Em baixo o instrumento perplexo ignora
a espinha do mistério.
- E o poema faz-se contra a carne e o tempo.
HERBERTO HELDER
terça-feira, 10 de junho de 2014
"Poesia à Solta" regressa na próxima terça-feira ao Neptúlia Bar em São João da Madeira
Depois do estrondoso sucesso que foram as duas primeiras noites poéticas mensais em São João da Madeira, o Neptúlia Bar regressa a mais uma noite de "Poesia à Solta" na próxima terça-feira, dia 17 de Junho, a partir das 21H30.
Apareçam com mais e novos poemas...e tragam alguém convosco!
A entrada é gratuita!
A primeira noite poética mensal "UM CAFÉ COM...POESIA" na Confeitaria "Colmeia" (S. João da Madeira, 03.06.2014)
"CONTRA A CARNE E O TEMPO"
Assim acabava o poema "O Poema" de Herberto Hélder, que Tiago Moita e Edmundo Silva leram para abrir as hostes para mais uma noite poética mensal em São João da Madeira. O local era estreante nesta tradição de exprimir Poesia. Foi na terça-feira da semana passada, dia 3 de Junho, pelas 21H30 que, sem o universo dar conta, a Confeitaria "Colmeia" em São João da Madeira abriu as portas para a sua primeira noite mensal de Poesia, intitulada "Um Café com...Poesia", um nome que não podia ser mais do que apropriado, para retratar o ambiente que se viveu durante cerca de duas horas e meia, onde se parou tudo para ouvir e beber o silêncio que brotavam das palavras dos poetas.
Mais do que uma metáfora, foi de silêncio e alegria, misturado com o odor das delícias da confeitaria, o sabor do café acabado de sair, mas também o aroma das palavras imortais que subiam pelas gargantas de todos os que responderam ao desafio de deixar-se levar por esta tão nobre arte de dizer e exprimir Poesia, a última frase do parágrafo anterior é um retrato fiel de tudo aquilo que se passou naquela noite. Ouviram-se os "ais" de Armindo Mendes de Carvalho, e os "Fastos" de fomento da natalidade de Alberto Pimenta; as interrogações de Adília Lopes em "O rapaz e as estrelas" e as dúvidas de Nuno Júdice em "Lusofonia"; a arte poética de António Ramos Rosa, mas também a de Camões, Florbela Espanca, José Régio e J.M de Matos Vila; dedicaram-se poemas a Portugal, mas também a Deus e à mulher; riu-se de nêsperas distraídas e de poemas embriagados de humor e amor; falou-se do tempo e de namorados, viajou-se no tempo sem nunca esquecer o presente; leram-se poemas do papel, do telemóvel ou mesmo da própria memória e terminou-se, entre o riso e o pranto com o menino Jesus de Alberto Caeiro.
Entre o fulgor daquela noite, ouviram-se muitas vozes veteranas nesta arte de dizer Poesia, mas também muitos estreantes, sobretudo jovens, bastantes jovens, que enriqueceram com o seu improviso e amor a algo que não cabe nos livros de contabilidade nem em memorandos de ajuda financeira internacional, mas é tão essencial à vida de cada ser humano como a respiração ou mesmo a água.
A todos os que estiveram presentes, em nome das "Fugas Poéticas", muito obrigado.
TIAGO MOITA
Aqui ficam algumas fotos do evento.
O público presente na noite "Um café com...Poesia"
Um senhor lendo um poema do seu avô
transmontano de 1913.
A doutora Maria Teresa Azevedo
- directora da Biblioteca Municipal
de São João da Madeira - lendo o poema
"Arte Poética" de António Ramos Rosa.
O poeta sanjoanense Francisco Guedes
de Amorim lendo "O poema original"
da sua autoria
Claúdia "Kaya" Rodrigues lendo
"Os namorados de Lisboa" de
José Carlos Ary dos Santos
O Doutor Magalhães dos Santos
lendo poema "Namoradinha",
da sua autoria
A professora (e mestre em literatura contemporânea)
Cristina Marques lendo um poema.
Arlete Santos, funcionária da Biblioteca Municipal
de São João da Madeira e aluna da Universidade
Aberta, lendo o poema "O rapaz e as estrelas"
de Adília Lopes
Filipa Gomes (APROJ) lendo um poema
A poeta Ana Albergaria lendo um poema
da sua autoria, dedicado às mulheres
O aluno da Universidade Sénior lendo
um poema de Florbela Espanca
Maria Clara lendo um poema de um
poeta desconhecido (António Santos)
do seu telemóvel
Pedro Laranjeira lendo "O Cântico Negro"
de José Régio
O Doutor Magalhães dos Santos
interpretando o "Cântico Tinto"
de J.M de Matos Vila (Paródia ao
"Cântico Negro" de José Régio.
Inês, uma jovem sanjoanense, estreante
nestas noites poéticas mensais citando um
poema.
Edmundo Silva, um dos escritores e poetas
mentores e coordenadores das noites poéticas
mensais em São João da Madeira, lendo
"O Rifão Quotidiano" de Mário Henrique Leiria
Edmundo Silva lendo "O Alegre Silente"
de Augusto Gil
Francisco Guedes de Amorim lendo
mais um poema da sua autoria
Cláudia "Kaya" Rodrigues lendo o poema
"Tarde" de José Carlos Ary dos Santos
Sofia, mais uma jovem estreante na arte
de dizer Poesia nas noites poéticas mensais
de São João da Madeira, lendo um poema de
Valter Hugo Mãe.
Ana albergaria lendo um poema da sua
autoria
Um jovem citando "O poema do Menino Jesus"
de Alberto Caeiro (Fernando Pessoa) de cor.
segunda-feira, 2 de junho de 2014
"UM CAFÉ COM...POESIA" estreia esta terça-feira em São João da Madeira!
Depois do estrondoso êxito da primeira sessão poética mensal "POESIA À SOLTA" no Neptúlia Bar, há duas semanas atrás, as noites poéticas mensais regressam este mês em força, não a um mas a dois dos mais emblemáticos estabelecimentos da cidade de São João da Madeira.
A próxima sessão ocorrerá amanhã, terça-feira, dia 3 de Junho, a partir das 21HJ30, na histórica Confeitaria "Colmeia" e denomina-se "UM CAFÉ COM...POESIA".
Tal como aconteceu na sessão "Poesia à Solta", este evento está aberto a todos aqueles que desejem assistir e partilhar a Poesia que guardam dentro de si, nas estantes das casas ou no silêncio das gavetas dos armários.
A entrada é gratuita.
Apareçam!
A próxima sessão ocorrerá amanhã, terça-feira, dia 3 de Junho, a partir das 21HJ30, na histórica Confeitaria "Colmeia" e denomina-se "UM CAFÉ COM...POESIA".
Tal como aconteceu na sessão "Poesia à Solta", este evento está aberto a todos aqueles que desejem assistir e partilhar a Poesia que guardam dentro de si, nas estantes das casas ou no silêncio das gavetas dos armários.
A entrada é gratuita.
Apareçam!
Poema "ARTE POÉTICA" de António Ramos Rosa
Se o poema não serve para dar o nome às coisas
outro nome e ao seu silêncio outro silêncio,
se não serve para abrir o dia
em duas metades como dois dias resplandecentes
e para dizer o que cada um quer e precisa
ou o que a si mesmo nunca disse.
Se o poema não serve para que o amigo ou amiga
entrem nele como numa ampla esplanada
e se sentem a conversar longamente com um copo de vinho na mão
sobre as raízes do tempo ou o sabor da coragem
ou como tarda a chegar o tempo frio.
Se o poema não serve para tirar o sono a um canalha
ou a ajudar a dormir o inocente
se é inútil para o desejo e o assombro,
para a memória e para o esquecimento.
Se o poema não serve para tornar quem o lê
num fanático
que o poeta então se cale.
António Ramos Rosa
Sílex
1980
Primeira noite mensal "POESIA À SOLTA" no Neptúlia Bar em São João da Madeira: um marco histórico
Foi num ambiente de verdadeira partilha e emoção que começou, no dia 20 de Maio às 21H30, a primeira sessão poética mensal "Poesia à Solta" no Neptúlia Bar em São João da Madeira. O convite feito por mim, e pelo meu amigo, escritor e poeta sanjoanense, Edmundo Silva surtiu efeito.
Num espaço de duas horas e meia, respirou-se Poesia, soltaram-se palavras e revelaram-se silêncios em cada intervenção. Ouviu-se Eugénio de Andrade, Natália Correia, Alberto Caeiro, Mário de Sá-Carneiro. Jorge de Sousa Braga, Vasco Gato, Mia Couto, Sophia de Mello Breyner, David Mourão-Ferreira, Florbela Espanca, José Régio, Álvaro de Campos, Herberto Hélder, mas também ouviu-se muita poesia de assinatura sanjoanense como Sara F.Costa, Edmundo Silva, Tiago Moita, Dina Silvério entre tantos outros nomes da literatura nacional e local, que percorreram ao lado de todos aqueles que assistiram e participaram naquela noite maravilhosa que, só aqueles que assistiram, tiveram o privilégio de testemunhar.
Houve quem cantasse poemas, lesse poemas directamente de uma parede, de uma folha de papel, de um livro ou mesmo de um telemóvel. Houve quem lesse para a mãe, para o pai e houve quem tirasse a gravata e desabotoasse o colarinho para falar de cor.
Nas palavras da jornalista Anabela Carvalho, do Jornal "Labor" de São João da Madeira, "no aconchego de um pequeno café onde quase todos se tropeçam em livros - estão na mesa mas também sobre a mesa, suspensos por cordas - a palavra correu com informalidade, alegria e sentimento. E a Poesia nunca foi tão bem acolhida."
A todos os que participaram e foram solidários com esta iniciativa, minha e do Edmundo, muito obrigado em nome da Poesia, da Cultura e de São João da Madeira.
Próxima paragem: Confeitaria "Colmeia", terça-feira, dia 3 de Junho às 21H30 (é já amanhã")
Apareçam!
Aqui ficam algumas fotos dessa noite histórica e extraordinária.
Num espaço de duas horas e meia, respirou-se Poesia, soltaram-se palavras e revelaram-se silêncios em cada intervenção. Ouviu-se Eugénio de Andrade, Natália Correia, Alberto Caeiro, Mário de Sá-Carneiro. Jorge de Sousa Braga, Vasco Gato, Mia Couto, Sophia de Mello Breyner, David Mourão-Ferreira, Florbela Espanca, José Régio, Álvaro de Campos, Herberto Hélder, mas também ouviu-se muita poesia de assinatura sanjoanense como Sara F.Costa, Edmundo Silva, Tiago Moita, Dina Silvério entre tantos outros nomes da literatura nacional e local, que percorreram ao lado de todos aqueles que assistiram e participaram naquela noite maravilhosa que, só aqueles que assistiram, tiveram o privilégio de testemunhar.
Houve quem cantasse poemas, lesse poemas directamente de uma parede, de uma folha de papel, de um livro ou mesmo de um telemóvel. Houve quem lesse para a mãe, para o pai e houve quem tirasse a gravata e desabotoasse o colarinho para falar de cor.
Nas palavras da jornalista Anabela Carvalho, do Jornal "Labor" de São João da Madeira, "no aconchego de um pequeno café onde quase todos se tropeçam em livros - estão na mesa mas também sobre a mesa, suspensos por cordas - a palavra correu com informalidade, alegria e sentimento. E a Poesia nunca foi tão bem acolhida."
A todos os que participaram e foram solidários com esta iniciativa, minha e do Edmundo, muito obrigado em nome da Poesia, da Cultura e de São João da Madeira.
Próxima paragem: Confeitaria "Colmeia", terça-feira, dia 3 de Junho às 21H30 (é já amanhã")
Apareçam!
Aqui ficam algumas fotos dessa noite histórica e extraordinária.
O público que assistiu ao "Poesia à Solta"
Dina Silvério lendo um poema da sua autoria
Um jovem que acompanhou a leitura de um poema à viola
Maria Clara lendo um poema
Francisco Guedes de Amorim, o poeta residente
lendo um poema da sua autoria
Filipa Gomes (APROJ) lendo um poema
"Portugal" de Jorge de Sousa Braga do
seu telemóvel
O doutor Magalhães dos Santos lendo
o "Cântico Negro" de José Régio
O Dr. Luís Quintino recitando Eugénio de Andrade
com a gravata de fora (Foto de Maria Clara)
O senhor Domingos cantando um dos poemas de
Dina Silvério à guitarra (Foto de Maria Clara)
A doutora Maria Teresa Azevedo,
Directora da Biblioteca Municipal
de São João da Madeira,
lendo um poema de Mia Couto
Maria João, uma cliente do Neptúlia Bar
lendo um poema do computador
Angel Roberto recitando Álvaro de Campos
(Foto de Maria Clara)
Li Viana lendo um poema de Natália Correia
(Foto de Maria Clara)
Tiago Moita
(Foto de Maria Clara)
Edmundo Silva lendo o poema
"Homo Noeticus" do livro
"Post Mortem e Outros Uivos"
(WorldArtFriends/ Corpos Editora, 2012)
de Tiago Moita
Maria João lendo um poema de Francisco
Costa, colado a uma das paredes do
Neptúlia Bar
segunda-feira, 19 de maio de 2014
"POESIA À SOLTA" - A PRIMEIRA NOITE DE POESIA MENSAL EM SÃO JOÃO DA MADEIRA, 2014
PORQUÊ NOITES POÉTICAS NOS CAFÉS?
O café – ou cafetaria –
sempre foi, sobretudo na Europa, ponto de encontro de pessoas de diferentes
correntes de pensamento, culturas, sexos, raças, nacionalidades, idades e
religiões. A Arte e o Pensamento se cruzavam com o convívio e a bebida que deu
nome ao estabelecimento, que fez da tertúlia um evento regular e característico
de países, onde a liberdade e a democracia são tão importantes como a mais
básica das necessidades de cada ser vivo. Tanto é que, o famoso ensaísta George
Steiner, durante uma palestra no Nexus Institut de Amesterdão, durante a
presidência holandesa da União Europeia, em 2004, afirmou – e passo a citar –
“enquanto existirem cafetarias a “ideia de Europa” terá conteúdo.”
TRAZER
A CULTURA PARA ONDE O POVO SE JUNTA.
Levando mais longe esta
citação, afirmando que, enquanto existirem estabelecimentos públicos, como os
cafés ou os bares, onde pessoas possam reunir-se livremente, debaterem e
celebrarem o Pensamento e a Cultura, a Liberdade e a condição humanas terão
mais valor e conteúdo, dois escritores e poetas de São João da Madeira – Tiago
Moita e Edmundo Silva – resolveram tomar a iniciativa de trazer de volta essa
tradição – que já existe em muitas cidades como é o caso de Lisboa e do Porto -
(Os primeiros que tentaram mantê-la foram o Art7
O sonho, o pensamento e
a criação precisam de respirar em espaços onde a liberdade é um hábito e nunca um
acontecimento social anual.
A primeira noite
poética mensal, denominada “POESIA À SOLTA!”, ocorrerá no Neptúlia Snack-Bar
(Avenida da Misericórdia, 171) no dia 20 de Maio, terça-feira, a partir das
21H30, e decorrerá todas as terceiras terças-feiras de cada mês.
As noites poéticas
serão coordenadas pelos escritores e poetas Tiago Moita e Edmundo Silva e são
apoiadas pela Junta de Freguesia de São João da Madeira e diversas
personalidades e associações cívicas do concelho.
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