sábado, 5 de julho de 2014
Poema "OS LIVROS" de MANUEL ANTÓNIO PINA
OS LIVROS
É então isso um livro,
este, como dizer? Murmúrio,
este rosto virado para dentro de
alguma coisa escura que ainda não existe
que, se uma mão subitamente
inocente a toca,
se abre desamparadamente
como uma boca
falando com a nossa voz?
É isto um livro,
uma espécie de coração (o nosso coração)
dizendo "eu" entre nós e nós'
MANUEL ANTÓNIO PINA
"Como se desenha uma casa"
Assírio & Alvim
2011
(1943-2012)
quarta-feira, 2 de julho de 2014
SOBRE A SEGUNDA SESSÃO POÉTICA MENSAL "UM CAFÉ COM...POESIA" NA CONFEITARIA COLMEIA EM SÃO JOÃO DA MADEIRA (01.07.2014, 21H30)
UMA NOITE FEITA DE FOGO FORTE E SILÊNCIO
Todas as noites mensais de Poesia nos cafés e bares de São João da Madeira são diferentes uma da outra. Sem ninguém dar conta, chega sempre uma cara desconhecida ou um convidado com um(a) estreante nas lides poéticas, contra o tempo e contra todas as circunstâncias. A noite passada foi uma dessas. De todas as pessoas presentes em mais sessão poética mensal "Um Café com...Poesia" destaco essencialmente a presença do meu querido amigo, o professor Josias Gil: um homem que sempre admirei pela sua coragem, convicções, cultura e amizade. Apesar do seu estado débil provocado pela doença que combate todos os dias como um fogo que não teima em se apagar numa tempestade, o meu ilustre amigo e actual presidente da Assembleia Municipal de São João da Madeira, presenteou a todos com a sua presença e intervenção, lendo, não um, não dois mas CINCO poemas! Um gesto de resistência, coragem e amor à Poesia e à amizade que nunca irei esquecer.
Quanto à sessão em si, a Poesia soltou-se, mais uma vez, sem conhecer fronteiras e estilos. Apesar da ausência forçada e justificada de Edmundo Silva, Tiago Moita abriu as hostes com o poema "O Livro" de Manuel de António Pina e, subitamente, atravessaram-se séculos, relembraram-se poemas e poetas, uns conhecidos, outros desconhecidos e ainda outros esquecidos numa gaveta ou num telemóvel de alguém. Deu-se voz à poesia de Carlos de Oliveira, José Carlos Ary dos Santos, Sophia de Mello Breyner Andresen, Carlos Poças Falcão, Eugénio de Andrade, António Aleixo, Júlio Dantas (seguido de uma versão curta do célebre "Manifesto Anti-Dantas de José de Almada Negreiros), Herberto Hélder, Fernando Pessoa, Fernando Pinto do Amaral ou José Tolentino Mendonça.
Ouve quem se emocionasse com José Régio e Miguel Torga, risse com Mário Henrique Leiria e Alberto Pimenta e até quem se surpreendesse com um poema de Aleixo ou de Garrett. Tudo isso e muito mais, numa noite onde só todas aquelas pessoas, os astros e os deuses se lembraram até que a memória dos homens perdure no Universo.
A todos os que assistiram, o meu sincero muito obrigado.
Aqui ficam algumas fotos do evento:
O Dr. Luís Quintino lendo um poema de
Carlos de Oliveira
O sr. Alberto lendo um poema de
Eugénio de Andrade
A professora Maria Teresa Stanislau
lendo um poema de Sophia de Mello
Breyner Andresen
Raquel Gomes de Pinho lendo
um poema da sua autoria
O Professor - e escritor - Josias Gil
lendo um poema de Carlos Poças Falcão
O senhor Serafim lendo um poema
de Miguel Torga
O público presente na sessão
O Professor Josias Gil lendo o poema
"O Silêncio saiu à rua" de Tiago Moita
Raquel Gomes de Pinho
lendo um excerto do poema "Manifesto Anti-Dantas"
de José de Almada Negreiros
O Dr. Campelo recitando o célebre poema
de José Régio "O Cântico Negro"
Clara Lencastre lendo o poema
"Da mãe ao filho" do poeta norte-americano
Langston Hughes.
Liliana Santos lendo um poema da sua
autoria.
O poeta Francisco Guedes de Amorim
lendo um poema da sua autoria
O senhor Carlos Pinho declamando
"A Nau Catrineta" de Almeida Garrett
Uma senhora lendo um poema da sua
autoria, dedicado à sua neta.
A próxima sessão é daqui a duas semanas, dia 15 de Julho no Neptúlia Bar,
a partir das 21H30.
Apareçam!
quarta-feira, 25 de junho de 2014
TIAGO MOITA ENTREVISTADO PELO JORNAL "O REGIONAL" ACERCA DAS NOITES POÉTICAS EM SÃO JOÃO DA MADEIRA (
Na sequência de uma entrevista que Tiago Moita deu ao Jornal "O Regional" acerca do projecto das noites poéticas pelos cafés e bares de São João da Madeira no dia 20 de Maio - dia da primeira sessão poética mensal " Poesia à Solta" no Neptúlia Bar.
A entrevista foi conduzida pelo jornalista António Gomes Costa e realça a origem, o sentido e o papel desta iniciativa cultural na vida do concelho e das pessoas.
A entrevista foi conduzida pelo jornalista António Gomes Costa e realça a origem, o sentido e o papel desta iniciativa cultural na vida do concelho e das pessoas.
terça-feira, 24 de junho de 2014
"UM CAFÉ COM...POESIA" REGRESSA NA PRÓXIMA TERÇA-FEIRA À CONFEITARIA COLMEIA EM SÃO JOÃO DA MADEIRA
Depois do estrondoso sucesso que foram as três primeiras noites poéticas mensais em São João da Madeira, a Confeitaria Colmeia regressa a mais uma noite de "UM CAFÉ COM...POESIA" na próxima terça-feira, dia 1 de Julho, a partir das 21H30.
Apareçam com mais e novos poemas...e tragam alguém convosco!
A entrada é gratuita!
SOBRE A SEGUNDA SESSÃO "POESIA À SOLTA" NO NEPTÚLIA BAR EM SÃO JOÃO DA MADEIRA (17.06.2014)
O POEMA E O TEMPO
Com esta frase finda o célebre poema homónimo de Sophia de Mello Breyner Andresen, lido, em conjunto pelos mentores e coordenadores das noites poéticas mensais nos cafés e bares de São João da Madeira, Tiago Moita e Edmundo Silva. Nunca uma frase ilustrou com tanto realismo os dois elementos que se fizeram sentir mais naquele noite, onde o tempo resolveu pregar uma partida a todos os presentes mas, mesmo assim, a Poesia não se rendeu à sua presença.
Naquele momento de pura partilha e entrega, a Poesia rendeu-se à homenagem que todas aquelas pessoas que, fora do conforto dos seus lares, a abraçaram e dançaram com ela, fazendo circular o silêncio das palavras de boca em boca, como beijos agridoces levados pelo vento, e aqueceram as almas - assim como as mantas improvisadas pelos responsáveis do bar aqueceram os corpos -, do público presente naquela noite.
Terminada a leitura conjunta do poema de Sophia, Tiago Moita lançou o desafio e cedo se fizeram ouvir os primeiros poemas. Ouve quem homenageasse a Poesia, a mãe ou o amigo ausente; ouve quem lesse do papel, do telemóvel ou mesmo do livro da segunda classe, que guardava no baú das memórias; leram-se poemas com sabor sanjoanense; outros de sabor desconhecido e outros com o sabor imortal dos poemas de poetas imortais como Manuel António Pina, Eugénio de Andrade, Luís Vaz de Camões, Fernando Pessoa - pela voz dos seus heterónimos Álvaro de Campos e Alberto Caeiro -, José Tolentino Mendonça, Nuno Júdice, Miguel Torga, Afonso Lopes Vieira, António Ramos Rosa e Herberto Hélder. Também se escutou Poesia na língua de Camões, vinda do outro lado do Atlântico, como Vinícius de Moraes e Oswaldo Montenegro.
Numa noite onde nem o frio nem a intervenção da polícia (certamente, também para ler algum poema) faltou, a Poesia vibrou e mostrou a sua presença numa plateia com mais de quatro dezenas de pessoas e trinta participações, onde, pela primeira vez, assistiram e participaram crianças. A todas essas pessoas que vieram celebrar a Poesia, o meu muito sincero e humilde muito obrigado.
Aqui ficam as fotos dessa noite maravilhosa:
Parte do público presente na sessão
Uma da pessoas que participou
lendo um poema da sua autoria
Um portuense lendo poemas de Afonso
Lopes Vieira do "livro da Segunda Classe"
Mais um partipante das noites poéticas
mensais, lendo um poema da sua autoria
Uma criança lendo um poema dedicado
à Poesia
Mais um participante lendo um poema
do célebre heterónimo de Fernando Pessoa,
Álvaro de Campos
O escritor e poeta sanjoanense, Edmundo
Silva - um dos mentores e coordenadores
das noites poéticas mensais nos cafés e bares
de São João da Madeira - lendo o poema "Convidado"
de Rabindranath Tagore
Uma criança lendo um poema dedicado
à sua mãe
O Dr. Luís Quintino lendo um poema de
Manuel António Pina
O doutor Magalhães dos Santos lendo
um dos seus poemas
Pedro Laranjeira lendo um poema
A Poeta Dina Silvério lendo um poema
da sua autoria
O senhor Reis cantando um poema
Filipa Gomes (APROJ) lendo o poema
"Metade" do poeta brasileiro Oswaldo
Montenegro
Maria Clara lendo um poema de um
poeta desconhecido
Raquel Gomes de Pinho
lendo um conto poético
Uma jovem lendo um poema do poeta
brasileiro Vinicius de Moraes
A directora da Biblioteca Municipal
Dr. Renato Araújo de São João da Madeira,
Doutora Maria Teresa Azevedo, lendo
um poema de Miguel Torga
O poeta sanjoanense Francisco
Guedes de Amorim lendo um poema
de Luís Vaz de Camões
Edmundo Silva lendo o poema
"LIVRE-ARBÍTRIO" do livro
"Post Mortem e Outros Uivos"
(WorldArtFriends/Corpos Editora, 2012)
de Tiago Moita
Filipe, responsável pelo Neptúlia Bar,
lendo um poema
quarta-feira, 11 de junho de 2014
"O POEMA" de HERBERTO HELDER
O POEMA
O poema cresce incessantemente
na confusão da carne.
Sobe ainda sem palavras, só ferocidade e gosto.
Talvez como o sangue
ou sombra de sangue pelos canais do ser.
Fora existe o mundo. Fora, a esplêndida violência
ou os bagos de uva de onde nascem
as raízes minúsculas do sol.
Fora, os corpos genuínos e inalteráveis
do nosso amor.
Rios, a grande paz exterior das coisas,
folhas dormindo o silêncio
- a hora teatral da posse.
E o poema cresce tomando tudo em seu regaço.
E já nenhum poder destrói o poema.
Insustentável, único,
invade as casas deitadas nas noites
e as luzes e as trevas em volta da mesa
e a força sustida das coisas
e a redonda e livre harmonia do mundo.
- Em baixo o instrumento perplexo ignora
a espinha do mistério.
- E o poema faz-se contra a carne e o tempo.
HERBERTO HELDER
terça-feira, 10 de junho de 2014
"Poesia à Solta" regressa na próxima terça-feira ao Neptúlia Bar em São João da Madeira
Depois do estrondoso sucesso que foram as duas primeiras noites poéticas mensais em São João da Madeira, o Neptúlia Bar regressa a mais uma noite de "Poesia à Solta" na próxima terça-feira, dia 17 de Junho, a partir das 21H30.
Apareçam com mais e novos poemas...e tragam alguém convosco!
A entrada é gratuita!
Subscrever:
Mensagens (Atom)



