segunda-feira, 10 de novembro de 2014
quinta-feira, 6 de novembro de 2014
Poema "SONETO DA FIDELIDADE" de Vinícius de Moraes
SONETO DA FIDELIDADE
De tudo, ao meu amor serei atento
antes, e como tal zelo, e sempre, e tanto
que mesmo em face do maior encanto
dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
e em seu louvor hei de espalhar meu canto
e rir meu riso e derramar meu pranto
ao seu pesar ao seu contentamento.
E assim, quando mais tarde me procure
quem sabe a morte, angústia de quem vive
quem sabe a solidão, fim de quem ama.
Eu posso dizer do amor (que tive):
que não seja imortal, posto que é chama
mas que seja infinito enquanto dure.
VINÍCIUS DE MORAES
"Operário em construção"
quarta-feira, 5 de novembro de 2014
SOBRE A QUARTA SESSÃO POÉTICA MENSAL "UM CAFÉ COM...POESIA" NA CONFEITARIA COLMEIA (04.11.2014)
"AMOR E HUMOR EM TEMPOS DE POESIA"
Uma das provas do contraste entre o humor do tempo e o humor humano evidenciou-se ontem à noite, durante a quarta sessão poética mensal "Um café com...Poesia" na Confeitaria "Colmeia" em São João da Madeira. Apesar das previsões meteorológicas apontarem para uma noite aziaga, postal ilustrado de um Outono a querer imitar o seu irmão Inverno, nada esmoreceu o ambiente de partilha, silêncio e alegria que se passou durante aquelas duas horas e meia naquele pequeno recanto de vida na Praça Luís Ribeiro (quase) condenada ao abandono pela solidão da noite.
Numa sessão marcada pelo desafio de cada um dos participantes ler um poema de cor, lançado na noite poética anterior, a Poesia pareceu ganhar outro fôlego, outro fulgor, outro golpe de asa, com aquela proposta lançada pelo instinto e que contagiou parte das pessoas que participaram - inclusive este modesto cronista que teve o privilégio de inaugurar esse desafio, dizendo "Adiar o Coração" de António Ramos Rosa - onde até um dos sócios da Confeitaria "Colmeia" não foi excepção à regra. Enalteceu-se o amor, não só com a poesia de António Ramos Rosa, mas também Vinícius de Moraes, Camões, Tagore, Pessoa, Al Berto, Eugénio de Andrade, Nuno Júdice e Albano Martins. Ficou-se a saber porque é que "os carros dançam" com Filipa Leal, conheceu-se a visão holística do Amor, segundo um dos mentores e coordenadores das noites poéticas, Edmundo Silva, assim como o ciúme e a paixão.
Invocou-se a sátira corrosiva a Salazar, o Quinto Império e a Liberdade, segundo Fernando Pessoa. Visitou-se o "Guardador de Rebanhos" de Alberto Caeiro e a "Tabacaria" de Álvaro de Campos; revisitou-se David Mourão-Ferreira, José Régio, Pedro Branco de Almeirim e nem mesmo o humor satírico dos epigramas de Bocage fora esquecido num evento onde, entre poemas inéditos ou de poetas ocultos na sombra dos dias - onde nem a literatura infantil foi posta de parte - declamados e citados por presenças habituais e vozes estreantes, o Amor e o Humor andaram de braços dados com a memória e a Poesia.
Aqui ficam as fotografias do evento:
Tiago Moita - um dos mentores e coordenadores das noites poéticas
nos cafés e bares de São João da Madeira, a par de Edmundo Silva -
lendo o poema "Horto" de Al Berto.
Luís Quintino dizendo um poema de
Sophia de Mello Breyner Andresen
Carlos Pinho dizendo o soneto "Ó Virgem Maria" de
Antero de Quental
O Dr. Francisco Costa dizendo "Alma minha gentil,
que te partiste" de Luís Vaz de Camões
O senhor Amílcar Bastos lendo um poema da sua
autoria
Uma panorâmica do público durante a sessão
Outra panorâmica do público durante a sessão
O senhor Serafim lendo um poema de David Mourão-Ferreira
Jorge Martins: uma estreia na leitura poética, lendo
o "Soneto da Fidelidade" de Vinícius de Moraes
Raquel Gomes de Pinho lendo um poema da sua
autoria
O doutor Magalhães dos Santos lendo um poema de Pedro Branco
de Almeirim
O Dr. Flores Santos Leite lendo um dos seus
sonetos
Maria Clara lendo o poema "Quinto Império"
de Fernando Pessoa
O doutor Magalhães dos Santos contando uma
anedota
António Quirino lendo "O Guardador de Rebanhos"
de Alberto Caeiro
O poeta sanjoanense Fábio Silva lendo um poema
da sua autoria
Inês Severino dizendo um poema de um poeta
desconhecido
A professora Maria Teresa Stalisnau lendo um
poema de João de Deus
A professora Isabel Barbosa lendo um poema
Vânia Soares: uma estreia na leitura poética
lendo um poema de Pedro Branco de Almeirim
Um dos sócios da Confeitaria Colmeia
dizendo um poema da sua autoria
O doutor Magalhães dos Santos lendo o epigrama
autobiográfico de Bocage
Belarmina: outra estreante na leitura poética, lendo
um poema de um poeta vianense,
Maria de Vasconcelos
domingo, 2 de novembro de 2014
sexta-feira, 31 de outubro de 2014
segunda-feira, 27 de outubro de 2014
"UM CAFÉ COM...POESIA" REGRESSA À CONFEITARIA COLMEIA EM SÃO JOÃO DA MADEIRA (04.11.2014)
AVISO À NAVEGAÇÃO!!!
Depois do grande sucesso do último "POESIA À SOLTA" no Neptúlia Bar na terça-feira passada, as noites poéticas mensais em São João da Madeira continuam no mês de Novembro!
A primeira noite poética, denominada "UM CAFÉ COM...POESIA", começa já na terça-feira da próxima semana, dia 4 de Novembro, a partir das 21H30 na Confeitaria Colmeia (Praça Luis Ribeiro).
Pela primeira vez, essa sessão traz um desafio: dizer pelo menos um poema, da vossa autoria ou de um(a) poeta do vosso coração, de cor e salteado nessa sessão!
Quem quer participar no desafio?
Venham celebrar a festa da Poesia e soltar os poemas que habitam dentro de vós e no silêncio das gavetas e dos livros!
Conto convosco?
sexta-feira, 24 de outubro de 2014
"O MOSTRENGO" DE FERNANDO PESSOA (Versão João Villaret)
O MOSTRENGO
O mostrengo que está no fim do mar
na noite de breu ergueu-se a voar;
à roda da nau rodou três vezes,
rodou três vezes a chiar,
e disse "Quem é que ousou entrar
nas minhas cavernas que não desvendo,
meus tectos negros do fim do mundo?"
E o homem do leme disse, tremendo,
"El-Rei D. João Segundo!"
"De quem são as velas de onde me roço?
De quem as quilhas que vejo e ouço?"
Disse o mostrengo e rodou três vezes.
Três vezes rodou imundo e grosso.
"Quem vem poder o que só eu posso,
Que moro onde nunca ninguém me visse
e escorro os medos do mar sem fundo?"
E o homem do leme tremeu, e disse:
"El-Rei D. João Segundo!"
Três vezes do leme as mãos ergueu
Três vezes ao leme as repreendeu
E disse no fim de tremer três vezes:
"Aqui ao leme sou mais do que eu:
Sou um povo que quer o mar que é teu;
e mais que o mostrengo que me alma teme
e roda nas trevas do fim do mundo,
manda a vontade que me ata ao leme,
de El-Rei D. João Segundo!"
Fernando Pessoa
"Mensagem"
1934
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