sábado, 20 de junho de 2015
TIAGO MOITA NA 85ª FEIRA DO LIVRO DE LISBOA: AGRADECIMENTO PÚBLICO
Gostaria de agradecer à Chiado Editora e à organização da A.P.E.L pela oportunidade de poder estar presente 85ª Feira do Livro de Lisboa. Apesar da chuva, a sessão de autógrafos foi um sucesso e cumpri um sonho (adiado) há 30 anos: voltei a visitar a Feira do Livro de Lisboa.
A todos aqueles que puderam estar presentes, o meu muito obrigado.
Tiago Moita.
quinta-feira, 11 de junho de 2015
TIAGO MOITA PRESENTE NA 85ª FEIRA DO LIVRO DE LISBOA (14.06.2015)
É oficial: o escritor sanjoanense Tiago Moita vai estar presente na 85ª edição da Feira do Livro de Lisboa, este domnigo, dia 14 de Junho, entre as 14H00 e as 14H55, para dar uma sessão de autógrafos a todos os leitores do seu primeiro romance "O Último Império" (Chiado Editora, 2012).
A notícia vem na sequência de um convite, dirigido ao autor pela Chiado Editora, em estar presente na maior feira do livro de Portugal, para interagir e autografar exemplares do seu romance "O Último Império" (Chiado Editora, 2012).
"O Último Império" é o primeiro romance do escritor Tiago Moita. O primeiro thriller sobre a História Oculta de Portugal e os desafios do mundo no terceiro milénio. Esta obra é também o primeiro thriller sobre o (verdadeiro) significado do Quinto Império e do Regresso de Dom Sebastião a Portugal. Um livro onde grandes figuras da História de Portugal como Dom Afonso Henriques, Camões, Padre António Vieira ou Fernando Pessoa são protagonistas.
Este livro recebeu críticas positivas e rasgados elogios de escritores e autores muito importantes da nossa praça como MIGUEL REAL, MÁRIO CLÁUDIO, LUÍS MIGUEL ROCHA (Autor de renome internacional de livros como "O Último Papa" ou "A Mentira Sagrada"), ALBERTO S.SANTOS (autor dos livros "A Escrava de Córdova" ou "O Segredo de Compostela"), SÓNIA LOURO (Autora do livro "O Cônsul Desobediente" e "Amália - O romance da sua vida") e da professora universitária de Literatura Contemporânea da Universidade do Algarve, escritora e poeta, LUÍSA MONTEIRO.
Há dois anos atrás, este livro chegou ao Brasil e está, desde hoje, à venda nas livrarias "Cultura" e "Saraiva" (A "Saraiva" está para o Brasil como a Bertrand está para Portugal. Com este feito, Tiago Moita acabou por ser o primeiro autor sanjoanense a ter uma obra distribuída no mercado estrangeiro.
Esta é a primeira vez que Tiago Moita estará presente, enquanto autor, na maior feira do livro de Portugal. Para quem quiser conhecer o autor e a sua obra, Tiago Moita estará presente na Zona Nascente 2, Praça Azul, Pavilhões D27, D29, D31, D34, D36 e D38 no Parque Eduardo VII, Lisboa.
Aqui fica o booktrailer oficial do livro "O Último Império" de Tiago Moita (Chiado Editora, 2012)
DÉCIMA TERCEIRA "FUGA POÉTICA" NO NEPTÚLIA BAR EM SÃO JOÃO DA MADEIRA (16.06.2015)
AVISO À NAVEGAÇÃO.
Depois do grande sucesso que foi a 10ª "Fuga Poética" na Confeitaria "Colmeia" na primeira terça-feira deste mês, as noites poéticas mensais nos cafés e bares de São João da Madeira regressam em força na terça-feira da próxima semana, dia 16 de JUNHO, terceira terça-feira do mês, para a 13ª "FUGA POÉTICA", a partir das 21H30 no Neptúlia Bar em São João da Madeira!
Nesta sessão, tal como aconteceu com na outra, os desafios mantêm-se:
- Dizer pelo menos um poema, da vossa autoria ou de um(a) poeta do vosso coração, de cor e salteado nessa sessão.
- Dizer um poema sobre PORTUGAL (tema escolhido na sessão poética anterior).
NOTA: Estes desafios são FACULTATIVOS! Aqueles que os aceitarem, aceitam de sua livre e espontânea vontade! Quem aceitar o segundo, terá o primeiro quarto de hora desta sessão para dizer o poema do tema escolhido.
Quem quer participar no desafio?
Venham celebrar a festa da Poesia e soltar os poemas que habitam no silêncio das gavetas e dos livros!
quarta-feira, 10 de junho de 2015
POEMA "PORTUGAL FUTURO" DE RUY BELO
"PORTUGAL FUTURO"
O Portugal futuro é um país
aonde o puro pássaro é possível
e sobre o leito negro do asfalto da estrada
as profundas crianças desenharão a giz
esse peixe da infância que vem na enxurrada
e me parece que se chama sável.
Mas desenhem elas o que desenharem
é essa a forma do meu país
e chamem elas o que lhe chamarem
Portugal será e lá serei feliz.
Poderá ser pequeno como este
ter a oeste o mar e a Espanha a leste
tudo nele será novo desde os ramos à raiz.
À sombra dos plátanos as crianças dançarão
e na avenida que houver à beira-mar
pode o tempo mudar será verão.
Gostaria de ouvir as horas do relógio da matriz
mas isso era o passado e podia ser duro
edificar sobre ele o Portugal futuro.
RUY BELO
(1933-1978)
"Um Homem de Palavra"
1969
POEMA "PORTUGAL" DE JORGE DE SOUSA BRAGA
"PORTUGAL"
Portugal
Eu tenho vinte e dois anos e tu
às vezes fazes-me sentir
como se tivesse oitocentos.
Que culpa tive eu que
D.Sebastião fosse combater
os infiéis no norte de África
só porque não podia
combater a doença que lhe
atacava os órgãos genitais
e nunca mais voltasse.
Quando chego a pensar que é
tudo mentira
que o Infante D.Henrique
foi uma invenção do Walt Disney
e o Nuno Álvares Pereira
uma reles imitação do
Príncipe Valente.
Portugal
Não imaginas o tesão que
sinto quando ouço o hino
nacional
(que os meus egrégios avós
me perdoem)
Ontem estive a jogar Póker
com o Velho do Restelo
Anda na consulta externa do
Júlio de Matos
Deram-lhe uns electro-choques
e que está a recuperar
aparte do facto de agora me
tentar convencer que nos
espera um futuro de rosas
Portugal
Um dia fechei-me no
Mosteiro de Jerónimos
a ver se contraía a febre do Império
mas a única coisa que
consegui apanhar foi um
resfriado
Virei a Torre do Tombo do
avesso sem lograr encontrar
um pétala que fosse
das rosas que Gil Eanes
trouxe do Bojador
Portugal
Se tivesse dinheiro
comprava um império
e dava-to
Juro que era capaz de fazer
isso só para te ver sorrir.
Portugal
Vou contar-te uma coisa que
nunca contei a ninguém
Sabes
Estou loucamente
apaixonado por ti.
Pergunto a mim mesmo
como me pude apaixonar
por um velho decrépito e
idiota como tu
mas que tem o coração doce
ainda mais doce que os
pastéis de Tentúgal
e o corpo cheio de pontos
negros para poder
espremer à minha vontade.
Portugal
Estás a ouvir-me?
Eu nasci em mil novecentos
e cinquenta e sete
Salazar estava no poder
Nada de ressentimentos
O meu irmão esteve na guerra
tenho amigos que emigraram
Nada de ressentimentos
Um dia bebi vinagre
Nada de ressentimentos
Portugal
Depois de ter salvo
inúmeras vezes "Os Lusíadas"
a nado
na Piscina Municipal de Braga
ia agora propôr-te um projecto
eminentemente nacional
Que fôssemos todos a Ceuta
à procura do olho que
Camões lá deixou
Portugal
Sabes de que cor são os
meus olhos?
São castanhos
como os da minha mãe.
Portugal
Gostava de te beijar muito
apaixonadamente
na boca.
JORGE DE SOUSA BRAGA
"De manhã vamos todos acordar com uma pérola no cu."
1981
POEMA "PORTUGAL" DE ALEXANDRE O'NEILL
"PORTUGAL"
Ó Portugal, se fosses apenas três sílabas
linda vista para o mar,
Minho verde, Algarve de cal,
jerico rapando o espinhaço da terra,
surdo e miudinho,
moinho a braços com um vento
testarudo, mas embolado e, afinal, amigo,
se fosses só o sal, o sol, o sul,
o ladino pardal,
o manso boi coloquial,
a rechinante sardinha,
a desancada varina,
o plumitivo ladrilhado de lindos adjectivos,
a muda queixa amendoada
duns olhos pestanítidos,
se fosses a carrega do estio, dos estilos,
o ferrugento cão asmático das praias,
o grilo engaiolado, a grila no lábio,
o calendário na parede, o emblema na lapela,
ó Portugal, se fosses apenas três sílabas
de plástico, que era mais barato!
*
Doceiras de Amarante, barristas de Barcelos,
rendeiras de Viana, toureiras da Golegã,
não há "papo-de-anjo que seja do meu derriço,
galo que cante a cores na minha prateleira,
alvura arrendada para meu devaneio,
bandarilha que possa enfeitar o meu cachaço.
Portugal: questão que eu tenho comigo mesmo,
golpe até ao osso, fome sem entretém,
perdigueiro marrado e sem narizes, sem perdizes,
rocim engraxado,
feira cabisbaixa,
meu remorso,
meu remorso de todos nós...
ALEXANDRE O'NEILL
(1924-1986)
"Feira Cabisbaixa"
1965
POEMA "LAMENTO PELA LÍNGUA PORTUGUESA" DE VASCO GRAÇA MOURA"
"LAMENTO PELA LÍNGUA PORTUGUESA"
Não és mais do que as outras, mas és
nossa,
e crescemos em ti. Nem se imagina
que alguma vez uma outra língua possa
pôr-te incolor, ou inodora, insonssa,
ser remédio brutal, mera aspirina,
ou tirar-nos de vez de alguma fossa,
ou dar-nos vida nova e repentina.
Mas é o teu país que te destroça
o teu próprio país quer-te esquecer
e a sua condição te contamina
e no seu dia-a-dia te assassina.
Mostras por ti o que lhe vais fazer:
vai-se por cá mingando e desistindo,
e desde ti nos deitas a perder
e fazes com que fuja o teu poder
enquanto o mundo vai de nós fugindo:
ruiu a casa que és do nosso ser
e este anda por isso desavindo
connosco, no sentir e no entender,
mas sem que a desavença nos importe
nós já falamos nem sequer fingindo
que só ruínas vamos repetindo.
Talvez seja o processo e o desnorte
que mostra como é a realidade
a relação da língua com a morte,
o nó que faz com ela e que entrecorte
a corrente da vida da cidade.
Mais valia que fossem de outra sorte
em cada um a força de vontade
e tão filosofais melancolias
nessa escusada busca da verdade,
e que a ti nos prendesse melhor grade.
Bem que ao longo do tempo
ensurdecias,
nublando-se entre nós os teus cristais
e entre gentes remotas descobririas
o que não eram notas tropicais
mas coisas tuas que não tinhas mais,
perdidas no enredar das nossas vias
por desvairados, lúgubres sinais,
mísera sorte, estranha condição
mas cá e lá do que eras tu te esvais,
por ser combate de armas desiguais.
Matam-te a casa, a escola, a profissão,
a técnica, a ciência, a propaganda,
o discurso político, a paixão,
de estranhas novidades, a ciranda
de violência alvar que não abranda
entre rádios, jornais, televisão.
E toda a gente o diz, mesmo essa que
anda
por tal degradação tão mais feliz
que o repete por luxo e não comanda,
com o bafo de hienas dos covis,
mais que o vela vã nos ventos panda
cheia do podre cheiro a que tresanda.
Foste memória, música e matriz
de um áspero combate: aprender
a dominar o mundo e as mais subtis
equações em que é igual a xis
qualquer das dimensões do conhecer,
dizer de amor e morte, e a quem quis
e soube utilizar-te, do viver,
do mais simples viver quotidiano
de ilusões e silêncios, desengano,
sombras e luz, risadas e prazer
e dor e sofrimento, e de ano a ano,
passarem aves, ceifas, estações,
o trabalho, o sossego, o tempo insano
do sobressalto a vir a todo o pano,
e bonanças também e tais razões
que no mundo costumam suceder
e deslumbram na só variedade
de seu modo, lugar e qualidade,
e coisas certas, inexactidões,
venturas, infortúnios, cativeiros,
e paisagens e luas e monções,
e os caminhos da terra a percorrer,
e arados, atrelagens e veleiros,
pedacinhos de conchas, verde jade,
doces luminescências e luzeiros,
que podias dizer e desdizer
no teu corpo de tempo e liberdade.
Agora que és refugo e cicatriz
esperança nenhuma hás-de manter:
o teu próprio domínio foi proscrito,
laje de lousa gasta que algum giz
se esborratou informe em borrões vis.
De assim acontecer, ficou-te o mito
de haver milhões que te uivam
triunfantes
na raiva e na oração, no amor, no grito,
de desespero, mas foi noutro atrito
que tu partiste nas tuas próprias jantes
nos estradões da história: estava escrito
que iam desconjuntar-te os teus falantes
na terra em que nasceste, eu acredito
que te fizeram avaria grossa.
Não rodarás nas rotas como dantes,
quer murmures, escrevas, fales, cantes,
mas apesar de tudo ainda és nossa,
e crescemos em ti. Nem imaginas
que alguma vez uma outra língua possa
por-te incolor, inodora, insossa,
ser remédio brutal, vãs aspirinas,
ou tirar-nos de vez de alguma fossa,
ou dar-nos vidas novas repentinas.
Enredada em vilezas, ódios, troça,
no teu próprio país te contaminas
e é dele essa miséria que te roça.
Mas com o que te resta me iluminas.
VASCO GRAÇA MOURA
(1942-2014)
"Antologia dos Sessenta Anos"
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