domingo, 5 de março de 2017
Poema "CARTA DE UM AMIGO AUSENTE" de Tiago Moita ("Metanoia", 2017)
CARTA DE UM AMIGO AUSENTE
Hoje,
os pássaros não cantam
O dia desfaz-se
nos meus olhos
e um fogo consome-me
em lume brando
como este silêncio
que acabo de escrever.
Para ti,
que não me obrigas o dia,
o tempo e o abismo.
Que não esperas esmolas,
horas e lágrimas
mas coroas de louros
na minha estrada.
Para ti,
que não atiras
com retratos vazios
e sorris dos meus futuros.
Que dispensas estrelas,
jardins, templos e impérios
e vives bem
com o meu silêncio.
Escrevo apenas para te dizer...
Que não estou sozinho
nem triste nem perdido
nem de coração mendigo
apenas saudoso
mas sempre presente
como abraço, sorriso,
vela, poema ou abrigo
Numa palavra:
Amigo.
TIAGO MOITA
"Metanoia"
Colecção "Prazeres Poéticos"
Chiado Editora
2017
Prestes a ser distribuído por todas as livrarias de Portugal e do Brasil a partir de 16 de Março deste ano.
quinta-feira, 2 de março de 2017
TIAGO MOITA ENTREVISTADO PELO "DIÁRIO DE AVEIRO" (27.02.2017)
Tiago Moita fala numa entrevista a razão pela qual defende que "A Cultura também puxa pela Economia" e o seu ponto de vista sobre São João da Madeira, numa entrevista dada ao "Diário de Aveiro" com Alberto Oliveira E Silva, e que saiu esta segunda-feira, dia 27 de Fevereiro de 2017.
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017
NOVO LIVRO DE POESIA DE TIAGO MOITA APRESENTADO NO "POESIA À MESA 2017" EM SÃO JOÃO DA MADEIRA.
APRESENTAÇÃO DO NOVO LIVRO DE POESIA DE TIAGO MOITA INSERIDO NO POESIA À MESA 2017.
Pela primeira vez na minha vida literária, vou apresentar um livro num evento onde cresci como escritor: o "Poesia à Mesa". Aprendi a ler como um diseur, conhecer novos poemas e novos poetas e vibrar com toda esta celebração à volta da Poesia na minha terra.
14 anos depois do arranque da primeira edição, vejo um sonho tornado realidade. Depois de assistir como espectador desde 2004, vou, pela primeira vez, apresentar um livro de Poesia neste maravilhoso evento.
Dia 16 DE MARÇO, QUINTA-FEIRA, às 21H30, ocorrerá a sessão oficial de Lançamento e apresentação do meu terceiro poemário "METANOIA" (Chiado Editora, 2017) na Biblioteca Municipal Dr. Renato Araújo em SÃO JOÃO DA MADEIRA. A sessão contará com momentos musicais e leituras poéticas, boa disposição, partilha e troca de ideias e comentários sobre a obra e a Poesia em geral com o autor e, claro, uma sessão de autógrafos.
A apresentação inicial será levada a cabo pelo meu amigo, o escritor sanjoanense Luís Quintino.
Marquem já nas vossas agendas!
Um abraço amigo e aberto como um livro, bom Carnaval e continuação de uma excelente semana.
Tiago Moita.
domingo, 26 de fevereiro de 2017
Poema "ARTE POÉTICA" de Tiago Moita (2017)
ARTE POÉTICA
O poema não nasce
do murmúrio da cinza
ou da cópula do fogo
que corre nas veias das palavras
O poema não cresce
do êxtase dos quatro elementos
ou do incêndio das feridas
transforma-se em Cosmos
com o silêncio dos búzios
O poema não pergunta
nem responde
à sublimação dos espelhos
e às epifanias dos números
reage contra a inércia do mundo
e a apatia das sombras
É sal, espinho, espelho, flor
carne, sémen, bolor. seiva
antes da menstruação do verbo
que pariu Deus
O poema é poema
antes da invenção das línguas
e da tradução dos ventos
Metanoia universal
do Tudo o Que É
Foi
e virá a Ser.
O poema existe
o poema morre
para voltar a ser poema
o poema transfigurar-se
o poema é tudo
o poema sabe
o poema
é.
TIAGO MOITA
"Metanoia"
Colecção "Prazeres Poéticos"
Chiado Editora
2016
Prestes a ser editado e distribuído em todas as livrarias de Portugal e do Brasil a partir de Março de 2017.
sábado, 25 de fevereiro de 2017
Poema "EPIFANIA BOREAL" de Tiago Moita (2017)
EPIFANIA BOREAL
Mergulhei num sono de prata
para encontrar uma epifania
do nascimento de Vénus
na noite dos teus olhos
Naveguei num mantra tibetano
até à raíz de um fogo líquido
oculto na epiderme dos sonhos
tatuados no êxtase deste verso
Escalei montanhas de dúvidas
para escutar o eco do sal
que brotou quarto minguante
no lugar do teu sorriso
Procurei-te numa palavra
e só no teu coração descobri
Que tudo o que é belo
é um reflexo da rosa que somos
que tudo o sonho
é o fruto proibido do que sonhamos
e tudo o que sinto aqui e agora
resume-se na memória de uma estrela
que transcende todas as palavras
que esculpi deste silêncio.
TIAGO MOITA
"Metanoia"
Colecção "Prazeres Poéticos"
Chiado Editora
2017
Prestes a ser distribuído em todas as livrarias portuguesas e brasileiras a partir de Março de 2017.
domingo, 12 de fevereiro de 2017
Poema "ÁGAPE" de Tiago Moita (2017)
ÁGAPE
Desliga-te de tudo
menos deste instante
abdica-te dessa bruma ácida
que consome o que vales
e regressa ao princípio do Nada
numa respiração prânica
até ao centro de ti
Concentra-te...
Observa-me até não observares mais nada
neste horto de urzes
que não seja o lusco-fusco
desse fumo invisível e amendoado
que brotou das reticências
de cada um de nós
Relaxa...
Deixa-te invadir pela solidão avulsa
deste abraço sinestésico
que devolvemos ao coração do verbo
que dividiu a nossa unidade
com uma maçã
Desperta...
Voa sem asas até ao princípio do Todo
e beija o átomo primordial
antes de sucumbir ao êxtase da lava
condensa a eternidade num segundo
e a sublimação do fogo menstruado
de um desejo serpentário
num orgasmo de uma estrela
para que, depois de renderes a guarda
aos teus sentidos,
descubras que a tua metade maior
é o reflexo de um céu que já existe
dentro de ti.
TIAGO MOITA
"Metanoia"
Colecção "Prazeres Poéticos"
Chiado Editora
2017
Prestes a ser distribuído em todas as livrarias de Portugal e do Brasil a partir de Março de 2017.
domingo, 5 de fevereiro de 2017
Poema "O PRIMEIRO POEMA" de Tiago Moita (2017)
O PRIMEIRO POEMA
O primeiro poema que li de ti
não tinha palavras nem espaços
apenas silêncios oblíquos
em margens feridas
pelo branco grito
da água
O primeiro poema que li de ti
não tinha cor nem cheiro
nem fogo nas sílabas
apenas sal e sangue
no lugar das lágrimas
O primeiro poema que li de ti
não tinha braços nem pernas
nem mãos nem dedos
apenas fios de teia
e uma bússola ao peito
O primeiro poema que li de ti
não tinha ponteiros nem estradas
apenas mapas-múndi
de labirintos e legendas
Tinha apenas sol e lua num rosto
esperanto num sorriso
e asas abertas nos olhos
Tinha feridas essenciais
na ponta dos dedos
e corações sem relógios
na palma da mãos
Tinha universos inexpugnáveis
e lanternas acesas em florestas virgens
Tinha tudo num meio de nadas
vazio e absoluto no ventre
de uma chama
Não era simples nem abstrato
era claro como o grito de
de uma lágrima
Silhueta de uma alma
canto de pássaro engaiolado
Era sentido
era corpo
era um nome
eras tu.
TIAGO MOITA
"Metanoia"
Colecção "Prazeres Poéticos"
Chiado Editora
2017
Em todas as livrarias de Portugal e do Brasil a partir de Março.
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