quarta-feira, 4 de outubro de 2017
ART7< BAR: A SOMBRA DO "10" (2007-2017)
ART7< BAR: A SOMBRA DO "10"
Faz hoje 10 anos que nasceste, debaixo da sombra de uma lenda. Todos os teus primeiros fregueses traziam uma saudade em lágrimas nas mãos e uma esperança no coração, quando abriste a porta naquela quinta-feira, 4 de Outubro de 2007, para mostrar ao mundo o que valias. Naquele momento, esperava tudo de ti.
Esperava que conseguisses trazer aquela energia primitiva e espírito rock n'roll que existia no "10", num copo de cerveja, numa sexta e sábado à noite de rock e de metal, num concerto ou outro evento mais erudito ou popular. Esperava ver nos olhos de todos aqueles que por lá passaram a mesma chama intensa, a mesma loucura, o mesmo desejo e a mesma liberdade que deambulava pelos cantos do 10Cíbeis Bar, numa troca de olhares, em dois dedos de conversa, na magia de um palco, num som de uma guitarra eléctrica ou numa mesa de bilhar. Esperava tanto de ti, Art7<. Esperava tanto...
Cheguei até a acreditar que podia ser o palco de uma revolução cultural na minha terra, São João da Madeira, quando eu, o Angel Roberto e o Vitó organizámos, para ti, sessões de cinema aos domingos em 2008; Filo-Cafés como "A Revolta das Palavras" (2008) - com a Associação "Teia dos Sentidos" - e "Drama e Plateia (2010), organizado a meias com um tio meu; noites de Poesia em 2009; peças de teatro com os grupos "Persona" (2009), "T.E.P.A.S" (2009) ou os "Spabilados" (2010); espetáculos de variedades como o do grupo "Cultura Viva" do doutor Magalhães dos Santos e do Pedro Laranjeira (2009); um "Café Filosófico" com o Professor Tomás Magalhães Carneiro (2010), noites "Kararock" que nos fizeram cantar, rir e chorar por mais, sem falar dos concertos da Irmandade Metálica (2010) e dos Revolution Within, E.A.K, Damnull, Breed Destruction, Crushing Sun, Pitch Black, Infernum, Catacombe, Indignus, Maze, Lulu Lemon, Templários do Rock, Super Dinamite, Fina Flor do Entulho, Art7< e tantos outros que ficaram na memória daqueles que assistiram e rejubilaram com tamanha oferta cultural. Cheguei a acreditar. A sério. Cheguei a acreditar em tudo isso, mas a realidade foi mais forte que o teu nome - e até o segundo nome que tu tiveste, antes de soltares o teu último suspiro naquele Fevereiro de 2013 (Inversus - 2011/13).
Quero que saibas o seguinte:
Que não estou zangado contigo, nem chateado e muito menos perdido. Apenas um pouco desiludido, mas nada arrependido. Foste o último ponto de encontro de uma geração órfã de um pequeno paraíso que se transformou numa lenda e razão das minhas saídas de sexta-feira e sábado à noite. Durante a tua existência ofereceste-me abrigo, amigos e amigas, convívios cheio de amizade, alegria, álcool e jogos de bilhar à mistura, concertos e os mais variados eventos que nos puseram a aplaudir, sorrir e refletir. Ofereceste-nos tudo isso e muito mais, mesmo sabendo que a maioria das pessoas sempre te viu, e verá, como a sombra do "10" e o último bar alternativo que existiu em São João da Madeira.
Parabéns, Art7< Bar.
Tiago Moita
4 de Outubro de 2017
terça-feira, 3 de outubro de 2017
POEMA "MERKABA" DE TIAGO MOITA
MERKABA
Os intervalos das sílabas etéreas
donde brota o sal do teu nome
evocam o fogo-fátuo vítreo
durante o compasso dos segmentos
dos relógios que negam o teu corpo.
Procuro-te quando mergulho
na rosa carne do teu Terceiro Olho
e assisto à evaporação das vírgulas
que tatuei nas máscaras avatares
de quem nunca fui
Encontro-me quando observo
a valsa matemática dos diamantes
dois triângulos fundidos no Devir
de uma geometria sagrada de sons
burilados por uma voz sem eco.
Por fim...
Transcendo os sintagmas das escadas
até não encontrar mais nenhum muro
tetraético que separe a carne do sol
e descubro o centro do Cosmos
quando encontro a raiz do poema
após a erosão dos nomes.
TIAGO MOITA
"Metanoia"
Chiado Editora
2017
sexta-feira, 29 de setembro de 2017
10 ANOS DEPOIS DO FIM DO 10(CIBEIS) BAR EM SÃO JOÃO DA MADEIRA - CRÓNICA DO FIM DE UMA LENDA (2007-2017)
(Foto da cortesia da Patrícia Cardoso. Sábado, 29 de Setembro de 2007)
10(CÍBIES)ANOS DE UMA SAUDADE
Faz hoje dez anos que nos deixaste e até parece que foi mentira. Recusei a acreditar na tua morte como quem tenta enganar a vida, com um truque de magia no fundo da algibeira das calças ou enverga uma máscara de gesso, para esconder as lágrimas das velas que acendeu em teu nome.
Gostava que soubesses que nem todos apagaram o teu nome dos calendários. Gostava que visses, através dos meus olhos e dos olhos daqueles que, ainda hoje, suspiram de saudades por aqueles seis anos em que deixaste a tua marca na minha cidade, os gritos e os uivos, as lágrimas e as gargalhadas estridentes que soltávamos nas noites em que deixávamos os relógios e as regras em casa para abraçar o vício, a loucura e o desejo acumulados durante o resto das semanas de estudo ou de trabalho ou de sem nada para fazer.
Gostava que visses, nesses mesmos olhos, as tribos da noite que invadiram as tuas quatro paredes bicolores e o teu pátio com a tua frondosa árvore. Sim, essa árvore. Esse marco vegetal que testemunhou toda a espuma dos dias e das noites que animaram os corações e as mentes dos teus fregueses e dos meros curiosos que por lá passaram. Gostava que te lembrasses dos góticos, dos metaleiros, dos punks, dos fãs da música alternativa, como eu, quando despíamos os hábitos e a cinza das horas para curtir a noite ao som de bandas como os Meshuggah, os Tool, os Mastodon, os Porcupine Tree, os Anathema, os AperfectCircle, os Gojira, os The Dillinger Scape Plan, os Metallica (dos "bons velhos tempos"), os Megadeath, os Manowar, os Sex Pistols, os System of a Down, os Nirvana e todo o som de Seattle, os Doors (Until The End, My friend, Until The End...), enfim...todas as canções do subsolo e das lendas do Rock e do Metal que inebriavam o mais fundo do nosso ser e faziam de nós crianças loucas regressando à inocência da nossa infância e à rebeldia da nossa adolescência.
Gostava que ouvisses as conversas intemporais daqueles que se aconchegaram no teu recanto e partilharam as suas histórias e paixões, aventuras e desventuras, paranóias e partidas, em noite de "Rock N'Rollar". Gostava que te lembrasses dos teus dois festivais de rock que marcaram toda uma geração de músicos e amantes da música elétrica em São João da Madeira e fizeram desta cidade a "Seattle de Portugal" do princípio deste novo século - e milénio. Gostava que te lembrasses das noites de Metal em que eu, e os meus companheiros - e companheiras - cantávamos até à exaustão os hinos dos grandes deuses do metal como loucos, agitávamos as nossas cabeças e cabeleiras e fazíamos "Air Guitar" em sua homenagem; dos momentos hilariantes das "conversas com Joaquim Letria" à volta da fogueira; dos momentos em que eu, o Edgar e o Danny ríamos com sketches e anedotas do Herman José, dos Monty Pythons ou dos Gato Fedorento; dos concursos de DJ's que acabavam sempre em loucura; daquele amigo do Vitó que fez "breakdance" ao som dos Duran Duran; das noites extra(ordinárias) e pimbas do "Projecto Magalhães Lemos"; das bebedeiras e do som dos matrecos que jogávamos lá atrás, no pátio, das passagens de ano onde até o pessoal escorregava por causa da quantidade de cerveja deitada ao chão; das noites "kararock" onde todos queriam (tentar) interpretar as canções dos seus ídolos - tal como o Marty, com o seu "I Want Out" dos Helloween -, as noites "Back To The 80's, 90's" do Rui (Anonymous) Silva - o DJ mais barato que o Vitó alguma vez contratou, pois era pago com copos e copos de...Coca-Cola - em que cantávamos e dançávamos aos som da melhor música feita nas décadas de noventa do século passado; dos aniversários que foram lá feitos, dos poemas que escrevi, algumas vezes com a Juliana Leite, a Sara Costa e o "Gago" ou das noites em que os declamadores e amigos do José Fanha apareciam por lá, durante as campanhas "Poesia à Mesa", todos os meses de Março de cada ano. As noites em que eu conheci camaradas de verdade e amigos, alguns deles, para toda a vida. Gostava que te lembrasses, 10. Gostava tanto...
Dez anos aumentaram uma saudade insaciável e criaram um vazio que nenhum bar, ainda hoje, preencheu em São João da Madeira. Hoje, atiro para o céu a máscara, ergo o copo de cerveja que guardei no peito, acendo uma vela no coração e brindo ao vento por ti.
Para sempre, meu querido 10Cíbeis!
Tiago Moita
29 de Setembro de 2017
sexta-feira, 15 de setembro de 2017
A MINHA PRESENÇA NA FEIRA DO LIVRO DO PORTO 2017
Gostaria de agradece publicamente à Chiado Editora por, mais uma vez, promover, distribuir os meus livros e por ter satisfeito o meu desejo de dar mais uma sessão de autógrafos na Feira do Livro do Porto; à representante da Chiado Editora, Maria Helena Costa, pela paciência, palavras e fotos que tirou, durante a sessão, e a todas as pessoas que passaram pelos pavilhões da Chiado - todos desconhecidos. Nenhum dos meus amigos, parentes ou conhecidos que convidei para esta sessão estiveram presentes - e que fizeram desta minha sessão de autógrafos um momento inesquecível.
Muito obrigado e um grande bem haja a todos vós.
Até para o ano!
Tiago Moita.
quinta-feira, 17 de agosto de 2017
TIAGO MOITA NA FEIRA DO LIVRO DO PORTO 2017
No dia 15 de Setembro, sexta-feira, entre as 18H00 e as 19H00, vou dar uma sessão de autógrafos no Espaço Chiado Editora, na Feira do Livro do Porto deste ano (Pavilhões 57 e 58), que vai ocorrer, mais uma vez, nos jardins do Palácio de Cristal entre os dias 1 e 17 de Setembro.
Esta é a oportunidade para todos os fãs, admiradores, amigos, leitores e curiosos poderem contactar com o autor pessoalmente, partilharem experiências e receberem alguns autógrafos da sua parte.
Durante os dias da Feira, vão estar à venda no espaço acima mencionado (a preço de feira, ou seja mais baratos), exemplares dos meus dois primeiros romances "O Último Império" (2012) e "O Evangelho do Alquimista" (2016) - e do seu mais recente poemário "Metanoia" (2017).
Conto convosco! Até 15 de Setembro!
Tiago Moita.
sábado, 15 de julho de 2017
AS WORKSHOPS DE ESCRITA CRIATIVA DE TIAGO MOITA REGRESSAM A SÃO JOÃO DA MADEIRA!
ESCRITA CRIATIVA DE TIAGO MOITA REGRESSA A SÃO JOÃO DA MADEIRA DESTE SÁBADO A OITO!
Nos dias 22 de 29 de Julho deste mês, sábado, entre as 09H30 e 18H30, ocorrerão os workshops de Escrita Criativa da Academia (virtual) de Escrita Criativa "Viver as Palavras" de Tiago Moita, na Biblioteca de Fundo de Vila, propriedade da Junta de Freguesia em São João da Madeira. A saber:
- Workshop "ESCREVA VOCÊ MESMO" (Introdução à Escrita Criativa)
- Workshop "OFICINA DE PERSONAGENS" (Como construir personagens para uma estória)
- Workshop "OFICINA DAS PALAVRAS" (A Poesia como instrumento de Escrita Criativa)
Todas as formações ocorrerão apenas nestes sábados e terão a duração máxima de 8 horas e terão lugar na Biblioteca de Fundo de Vila em São João da Madeira.
Haverá pausas de 10 minutos de manhã e de tarde e um intervalo para o almoço das 12H30 às 14H30.
Poderão inscrever-se todas as pessoas, a partir dos 16 anos, na Junta de Freguesia de São João da Madeira ou na Biblioteca de Fundo de Vila.
Todas as inscrições custam 25 Euros (Quem trouxer uma pessoa para se inscrever consigo, num dos workshops de Escrita Criativa de Tiago Moita, terá um desconto de 80%)
As inscrições para os workshops de 22 de Julho terminam no dia 19 deste mês, quarta-feira. Para as de dia 29 de Julho, no dia 26 deste mês (até às 18H00)
No fim de cada workshop, receberão um Certificado de Participação, assinado pelo formador.
Não percam esta oportunidade! Soltem o escritor, o poeta ou, ainda melhor, o criativo adormecido que habita dentro de vós!
Para mais informações, dirijam-se à:
- JUNTA DE FREGUESIA DE SÃO JOÃO DA MADEIRA: Avenida da Liberdade, 354. 3700-163 São João da Madeira. Telefone: 266 200 540. Horários: de segunda à sexta-feira, das 09H00 às 18H00)
- BIBLIOTECA DE FUNDO DE VILA: Rua Cerqueira de Vasconcelos, 3700 São João da Madeira. Telefone: 256 824 305. Horários: de segunda à sexta-feira à sexta-feira, das 09H00 e as 18H00).
Ou então contactem o formador, através do e-mail: tiagomoita75@gmail.com.
segunda-feira, 10 de julho de 2017
POEMA "METADE" DE OSWALDO MONTENEGRO
"METADE"
Que a força do medo que eu tenho
não me impeça de ver o que eu anseio.
Que a morte de tudo o que acredito
não me tape os ouvidos e a boca.
Porque metade de mim é o que eu grito,
mas a outra metade é silêncio...
Que a música que eu ouço de longe,
seja linda, ainda que triste...
Que a mulher que eu amo
seja para sempre amada
mesmo que distante.
Porque metade de mim é partida,
mas a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo
não sejam ouvidas como prece
e nem repetidas com fervor ,
apenas respeitadas,
como a única coisa que resta
a um homem inundado de sentimentos.
Porque metade de mim é o que ouço,
mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora
se transforme na calma e na paz
que eu mereço.
E que essa tensão
que me corrói por dentro
seja um dia recompensada.
Porque metade de mim é o que eu
penso,
mas a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste
e que o convívio comigo mesmo
se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto,
um doce sorriso,
que me lembro ter dado na infância.
Porque metade de mim
é a lembrança do que fui,
a outra metade eu não sei.
Que não seja preciso
mais do que uma simples alegria
para me fazer aquietar o espírito.
E que o teu silêncio
me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo,
mas a outra metade é cansaço
Que a arte nos aponte uma resposta,
mesmo que ela não saiba.
E que ninguém a tente complicar
porque é preciso simplicidade
para fazê-la florescer.
Porque metade de mim é plateia
e a outra metade é canção.
E que a minha loucura seja perdoada.
Porque metade de mim é amor
e a outra metade...
também.
OSWALDO MONTENEGRO
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