quarta-feira, 15 de março de 2017

PRIMEIRA SESSÃO DE APRESENTAÇÃO DO LIVRO "METANOIA" EM SÃO JOÃO DA MADEIRA


Esta quinta-feira, dia 16 de Março de 2017 às 21H30, o escritor Tiago Moita apresentará o seu terceiro livro de Poesia "Metanoia" (Chiado Editora, 2017) na Biblioteca Municipal Dr. Renato Araújo de São João da Madeira.

Esta é a primeira vez que a campanha cultural "Poesia à Mesa" acolhe a apresentação de uma obra deste autor sanjoanense.

Durante a sessão serão feitas algumas leituras poéticas de alguns poemas do novo poemário de Tiago Moita e um momento musical, protagonizado pela concertista Cláudia Patrícia Alves Pereira.

A apresentação da obra será feita pelo doutor Luís Quintino.

No final, o autor da obra estará disponível para responder a eventuais perguntas e a dar autógrafos.

No final, será servido um porto de honra.

"METANOIA" - O TERCEIRO LIVRO DE POESIA DE TIAGO MOITA


"Metanoia" é uma palavra grega que significa transformação de comportamento ou de carácter, mudança de pensar e sentir no caminho da perfeição, conversão interior. Na retórica, é um artifício que serve para reforçar uma afirmação, para refazê-la logo de seguida, corrigindo-a, enfatizando-a ou atenuando-a.

Em apenas 33 poemas, Tiago Moita revela nesta obra um sujeito poético em busca da origem do silêncio primordial da criação que habita no âmago das palavras, cuja essência e significado transcendem o tempo, o espaço e a linguagem. 

MARCA D'ÁGUA

Esconde-se na candura
do seio secreto das folhas
até que a chama grávida
de um desejo exíguo
exponha a nudez da verdade 
que habita no silêncio

Teu símbolo mancha a sede ferida 
de uma nódoa do mar
húmida presença 
do legado azul de uma memória

Espelho de uma obra matiz
impressão digital da chuva
rio vigilante de um lençol de vida
sal de uma lágrima guardiã
das legendas opacas
nas entrelinhas do mundo.

TIAGO MOITA
"Metanoia"
Colecção "Prazeres Poéticos"
Chiado Editora
2017


"(Tiago Moita) domina bem a linguagem poética 
e consegue um equilíbrio que mantém uma tensão
do princípio ao fim."

Nuno Júdice


"Uma obra invulgar e com uma profundidade e
amplitude notáveis."

Fernando Pinto do Amaral

domingo, 12 de março de 2017

Poema "POIESIS" de Tiago Moita ("Metanoia", 2017)


POIESIS

Perguntei a uma página exangue 
do lume de um êxtase de mantras
e desejos por arder do limbo dos dias
a origem da Poesia
enquanto desflorava o silêncio
da sua carne

Debrucei-me nessa angústia filosófica
como quem mergulha num deserto
para decifrar uma sede incógnita 
e bruxuleante de tanto sofrer
e perguntei aos meus amigos,
sem didascálias,
como quem mendiga um sonho:
"De onde veio a Poesia?"

Nenhuma resposta...

Depois virei-me para os poetas de hoje,
jovens turcos feitos dentes-de-leão,
cheios de silogismos enciclopédicos
e metáforas na ponta da língua,
e fiz a mesma pergunta:
"De onde veio a Poesia?"

Nenhuma resposta também...

De seguida, virei-me para os poetas de outrora,
bibliotecas canónicas vivas
alquimistas ascetas da pureza
exilados da morfina da realidade
e fiz a mesma pergunta
mas, desta vez, a resposta foi diferente:

"Leia os Clássicos!"

Confuso com aquela resposta 
desbravei as profundezas dos livros
e comecei a esgravatar a essência
de todas as artes
devorando lirismos em chamas,
acalantos sem berço, acrósticos
anónimos, elegias sem lápide,
epigramas sem epitáfio, odes
agridoces a homens feitos deuses
pela palavra dos poetas, 
madrigais alcoviteiros, haikus e tankas
cheios de epifanias, sonetos imperiais
e quando saltei a grande muralha do ritmo...

...encontrei uma rosa
plantada num chão de mármore polar
de um templo feito de quartzo
coberto de espinhos mudos 
ao meu desassossego

Caminhei descalço para a colher
mastigando o prazer e a dor
daquela fome esfíngica,
ansiosa por se extinguir
no primeiro contacto 
com a sua pele

A rosa bebeu as minhas lágrimas
e incandesceu com o sorriso que rasguei
no meu rosto exsudado
a resposta à minha pergunta
não estava no momento em que a conheci
nem no instante em que a afaguei

Encontrei-a no intervalo.

TIAGO MOITA
"Metanoia"
Colecção "Prazeres Poéticos"
Chiado Editora
2017

Prestes a ser distribuído por todas as livrarias de Portugal e do Brasil a partir de Março de 2017.

domingo, 5 de março de 2017

Poema "CARTA DE UM AMIGO AUSENTE" de Tiago Moita ("Metanoia", 2017)


CARTA DE UM AMIGO AUSENTE

Hoje,
os pássaros não cantam
O dia desfaz-se 
nos meus olhos
e um fogo consome-me 
em lume brando
como este silêncio
que acabo de escrever.

Para ti, 
que não me obrigas o dia,
o tempo e o abismo.
Que não esperas esmolas,
horas e lágrimas
mas coroas de louros 
na minha estrada.

Para ti,
que não atiras 
com retratos vazios
e sorris dos meus futuros.
Que dispensas estrelas,
jardins, templos e impérios 
e vives bem 
com o meu silêncio.

Escrevo apenas para te dizer...

Que não estou sozinho
nem triste nem perdido
nem de coração mendigo
apenas saudoso
mas sempre presente
como abraço, sorriso, 
vela, poema ou abrigo

Numa palavra:
Amigo.

TIAGO MOITA
"Metanoia"
Colecção "Prazeres Poéticos"
Chiado Editora
2017

Prestes a ser distribuído por todas as livrarias de Portugal e do Brasil a partir de 16 de Março deste ano.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Poema "ARTE POÉTICA" de Tiago Moita (2017)


ARTE POÉTICA

O poema não nasce
do murmúrio da cinza
ou da cópula do fogo
que corre nas veias das palavras

O poema não cresce 
do êxtase dos quatro elementos
ou do incêndio das feridas
transforma-se em Cosmos
com o silêncio dos búzios

O poema não pergunta
nem responde 
à sublimação dos espelhos
e às epifanias dos números
reage contra a inércia do mundo
e a apatia das sombras

É sal, espinho, espelho, flor
carne, sémen, bolor. seiva
antes da menstruação do verbo
que pariu Deus

O poema é poema
antes da invenção das línguas
e da tradução dos ventos
Metanoia universal
do Tudo o Que É
Foi 
e virá a Ser.

O poema existe
o poema morre
para voltar a ser poema
o poema transfigurar-se
o poema é tudo
o poema sabe
o poema
é.

TIAGO MOITA
"Metanoia"
Colecção "Prazeres Poéticos"
Chiado Editora
2016

Prestes a ser editado e distribuído em todas as livrarias de Portugal e do Brasil a partir de Março de 2017. 

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Poema "EPIFANIA BOREAL" de Tiago Moita (2017)


EPIFANIA BOREAL

Mergulhei num sono de prata
para encontrar uma epifania
do nascimento de Vénus
na noite dos teus olhos

Naveguei num mantra tibetano
até à raíz de um fogo líquido 
oculto na epiderme dos sonhos
tatuados no êxtase deste verso

Escalei montanhas de dúvidas
para escutar o eco do sal
que brotou quarto minguante 
no lugar do teu sorriso

Procurei-te numa palavra
e só no teu coração descobri

Que tudo o que é belo
é um reflexo da rosa que somos
que tudo o sonho
é o fruto proibido do que sonhamos
e tudo o que sinto aqui e agora
resume-se na memória de uma estrela
que transcende todas as palavras
que esculpi deste silêncio.

TIAGO MOITA
"Metanoia"
Colecção "Prazeres Poéticos"
Chiado Editora
2017

Prestes a ser distribuído em todas as livrarias portuguesas e brasileiras a partir de Março de 2017.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Poema "ÁGAPE" de Tiago Moita (2017)


ÁGAPE

Desliga-te de tudo
menos deste instante
abdica-te dessa bruma ácida
que consome o que vales
e regressa ao princípio do Nada
numa respiração prânica 
até ao centro de ti

Concentra-te...

Observa-me até não observares mais nada 
neste horto de urzes
que não seja o lusco-fusco
desse fumo invisível e amendoado
que brotou das reticências
de cada um de nós

Relaxa...

Deixa-te invadir pela solidão avulsa
deste abraço sinestésico
que devolvemos ao coração do verbo
que dividiu a nossa unidade 
com uma maçã

Desperta...

Voa sem asas até ao princípio do Todo
e beija o átomo primordial
antes de sucumbir ao êxtase da lava 
condensa a eternidade num segundo
e a sublimação do fogo menstruado 
de um desejo serpentário 
num orgasmo de uma estrela
para que, depois de renderes a guarda
aos teus sentidos,
descubras que a tua metade maior 
é o reflexo de um céu que já existe 
dentro de ti.

TIAGO MOITA
"Metanoia" 
Colecção "Prazeres Poéticos"
Chiado Editora
2017

Prestes a ser distribuído em todas as livrarias de Portugal e do Brasil a partir de Março de 2017.