sexta-feira, 3 de abril de 2026

CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA PORTUGUESA DE 1976: 50 ANOS DEPOIS (1976-2026)

 Faz hoje 50 anos que foi aprovada por maioria absoluta (com os votos contra do CDS) a Constituição da República Portuguesa de 1976, a lei fundamental que substituiu definitivamente a Ditadura do Estado Novo (1933-1974) e consagrou e consolidou a nossa actual democracia. Foi revista diversas vezes mas não se afastou completamente dos seus valores. Pode não ser a mais perfeita do mundo, mas consagra aquelas que são as funções de um estado de direito democrático, os direitos, as liberdades e as garantias do cidadão e os seus principais valores. 

No meu entender, ela precisa de uma profunda revisão. Não para deturpar os seus princípios e os seus limites materiais, mas para democratizar ainda mais a nossa democracia e torná-la mais ética, mais transparente e mais democrática do que ela já é. Serão os nossos políticos capazes de o fazer? Depois dos discursos que ouvi esta manhã duvido muito...

Para terminar, gostaria de deixar aqui um aviso que o nosso rei D. Pedro V disse a respeito das constituições:

“A Constituição é qualquer coisa em que raramente se deve tocar – uma fórmula que, tendo de resistir à ebulição de cada espécie de paixão, deve ser tratada com respeito e não desfeita em mil bocados todos os dias.”

Tiago Moita. 

02.04.2026

OBRAS DE JOSÉ SARAMAGO OPCIONAIS NO 12.º ANO: A MINHA OPINIÃO

 A decisão da obra de José Saramago passar a ser opcional para os alunos do 12.º ano não é só perfeitamente descabida como absolutamente vergonhosa. É triste ver, ao longo dos anos, obras de grandes escritores como Vitorino Nemésio, Aquilo Ribeiro, Sophia de Mello Breyner, e agora, José Saramago passarem a ser consideradas "opcionais" consoante as decisões dos governos. Já sabemos que é preciso incluir autores contemporâneos consagrados, mas Saramago foi mais que um autor consagrado. Foi o primeiro escritor português a vencer o Prémio Nobel da Literatura em 1998 e portador de uma obra notável que aborda diversos temas sobre a natureza humana nunca antes abordados na literatura, de uma forma inovadora e arrebatadora.  

Os nossos estudantes mereciam melhor, a literatura merecia mais respeito e José Saramago também.

Tiago Moita. 

sexta-feira, 27 de março de 2026

O Teatro, segundo William Shakespeare (Dia Mundial do Teatro 2026)

 


"O Mundo é um grande palco e todos os homens e todas as mulheres são apenas actores"

William Shakespeare 

Feliz dia mundial do Teatro.

Tiago Moita. 

terça-feira, 24 de março de 2026

TIAGO MOITA PARTICIPOU NA TERTÚLIA DOS POETAS SANJOANENSES 2026 (18.03.2026)

 


Tiago Moita lendo o poema "Depuração" do seu 
terceiro livro de Poesia "Metanoia" na Biblioteca
Municipal de São João da Madeira (18.03.2026)

Eu, lendo o poeta "Depuração" do meu terceiro livro de Poesia "Metanoia" (Chiado Editora, 2017).

DEPURAÇÃO 

Sentado num rio de murmúrios e sombras
observo o bailado geométrico do lápis 

Mergulho na espuma da tarde
no sono etéreo da noite 
e procuro absorver o Todo 
na clarividente contingência 
das metáforas canónicas 
do olvido 

Depurei o sangue e o sal dos olhos
num salto quântico 
mergulhei num oceano 
de palavras primitivas 
regressando à epiderme do mundo 
onde o poema é uma viagem 
e a vida repousa. 

Tiago Moita. 
"Metanoia"
Chiado Editora 
2017 

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quarta-feira, 18 de março de 2026

TIAGO MOITA VAI PARTICIPAR NA TERTÚLIA DOS POETAS SANJOANENSES (18.03.2026)

 


TIAGO MOITA VAI PARTICIPAR NA TERTÚLIA
DOS POETAS SANJOANENSES 2026

Hoje, quarta-feira, dia 18 de Março, às 18H30, vou participar na Tertúlia dos Poetas Sanjoanenses, na Biblioteca Municipal Doutor Renato Araújo em São João da Madeira. 

A tertúlia seá orientada pela professora e crítica literária Cristina Marques. O espaço estará aberto a tod@s aquel@s que queiram soltar a sua veia poética e ler os seus poemas, tenham eles sido publicados ou não.

Apareçam! Até logo!

Tiago Moita. 

terça-feira, 17 de março de 2026

TIAGO MOITA PARTICIPOU NA TERTÚLIA POÉTICA "A VIGÍLIA" COM PEDRO LAMARES E LÚCIA MONIZ (07.03.2026)

 


TIAGO MOITA PARTICIPOU NA TERTÚLIA POÉTICA
"A VIGÍLIA" COM PEDRO LAMARES E LÚCIA MONIZ

Eu, lendo o meu poema "O Silêncio Saiu à Rua" ,do meu segundo livro de Poesia "Post Mortem e Outros Uivos" (2012), durante a tertúlia poética "A Vigília", com Pedro Lamares e Lúcia Moniz, no Café O Poeta, no dia 7 de Março, pelas 21H30, em São João da Madeira. 

O SILÊNCIO SAIU À RUA

O silêncio saiu à rua sem aviso prévio
num sarcasmo saido de uma sede invisível
de rosto descalço e peito fustigado 
pela febre azul do desassossego 

Vestia pele de cobra
com tatuagens de sombras 
rosas sangue nos olhos 
e um fogo índigo na alma 
lavrando a palavra e o corpo 

Alastrava cego e surdo
como um incêndio
por entre ruas e avenidas 
despia máscaras com um grito
e poder com a presença 

Por onde passava 
multiplicava desejos e sonhos 
multiplicava-se 
diluindo o medo
no lume brando da vida 

Não trazia relógio nem calendário 
nem bilhete de identidade nem passaporte 
apenas o eco exange do estômago 
ignorado pela metafísica das sondagens
 
Talvez precisasse de dicionários 
para cada legenda dos seus uivos
talvez precisasse de agendas 
para cada intervalo de fúria 

Poderia ser qualquer coisa... 

Fulgor de chama sem sangue 
pseudónimo almiscarado de uma bandeira nua 
ruído de fundo de um buraco negro 
Poderia ser tudo...

Menos silêncio.

Tiago Moita. 
Post Mortem e Outros Uivos 
WorldArtFriends Editora 
2012 

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quinta-feira, 12 de março de 2026

PARA SEMPRE, MÁRIO ZAMBUJAL (1936-2026)

 


PARA SEMPRE, MÁRIO ZAMBUJAL 

(1936-2026)

Lembro-me de um grande amigo meu da Secundária n.º 3 (Aka Escola básica e secundária Oliveira Júnior) me emprestar para ler um exemplar do romance "Crónica dos Bons Malandros" do Mário Zambujal em 1995. Li-o todo no verão desse ano, antes de entrar para a Faculdade e fiquei maravilhado com a sua linguagem, a história e as suas personagens. Reencontrei-o, uns anos mais tarde, na Biblioteca Municipal Doutor Renato Araújo da minha terra, São João da Madeira, mas não consegui falar com ele, por causa da multidão de fãs e leitores das suas obras que se aglomeraram à sua volta para conseguir um autógrafo e trocar dois dedos de conversa com ele.

Com muita tristeza, soube hoje da sua partida do mundo dos vivos. Para sempre, Mário Zambujal. Partiu o homem, mas os teus livros ficarão para sempre na nossa memória, principalmente a tua "Crónica dos Bons Malandros" que, a meu ver, garantiu a tua imortalidade.

Tiago Moita.

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