sábado, 2 de novembro de 2013

POETAS PORTUGUESES DO SÉCULO XXI: FILIPA LEAL


ODE LOUCA

Todos os homens têm o seu rio. 
Lamentam-no sentados no interior das casas
de interior e como o poeta que escreve a lápis
apagam a memória com a sua água.
Os rios abandonam os homens que envelhecem 
Longe da infância, e eles choram
o reflexo absurdo na distância. 
Por vezes, enlouquecem os rios, os homens,
Os poetas nas suas palavras repetidas
que buscam uma ode que lhes diga
a textura. Todos procuram o mesmo:
um lugar mais do que o homem,
o poeta,
Porque dele se espera que nos devolva
a imagem de tudo, menos de si próprio.
Todos os rios têm o seu narciso,
mas poucos, muitos poucos,
O simples reflexo das suas águas

Filipa Leal
"A Cidade Líquida e Outras Texturas"
Deriva
2006

FILIPA LEAL nasceu no Porto a 14 de Março de 1979. Formou-se me Jornalismo na Universidade de Westminster e concluiu o Mestrado em Literatura (Estudos Portugueses e Brasileiros) na Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

Publicou o seu primeiro livro "Lua-Polaroid" (Ficção) em 2003, e estreou-se na Poesia no ano seguinte com "Talvez os Lírios Compreendam" - livro publicado pelos Cadernos do Campo Alegre, do qual ganhou o primeiro prémio. Seguiram-se, na Editora Deriva "A Cidade Líquida e Outras Texturas";"O Problema de ser norte"; "A Inexistência de Eva" e "Vale Formoso".

Fez passagem pela Rádio Nova. Foi editora do suplemento "Das Artes, Das Letras" no jornal "O Primeiro de Janeiro", colaborou com a revista "Os meus livros". Integrou também o projecto LEM (Lisboa, Encruzilhada de Mundos), na Câmara Municipal de Lisboa, participando na produção e divulgação do Festival TODOS, entre outros. Foi jornalista no programa "Câmara Clara" (RTP2), e colabora com a Casa Fernando Pessoa.

Depois de um ano de formação no Balleteatro do Porto, começou a participar, em 2003, em recitais de poesia no Teatro do Campo Alegre (Porto), ciclo "Quintas de Leitura", e, desde então tem feito leituras com regularidade (Centro Cultural de Belém, etc.). Tem colaborações dispersas em vários jornais e revistas (Egoísta, Mealibra, Inútil, Colóquio Letras, entre outras). Está representada em antologias em Portugal e no estrangeiro (Itália, Croácia, Colômbia e Galiza) e o seu livro "A Cidade Líquida e Outras Texturas" foi publicado em Espanha, em 2010, em edição bilingue, pela Editora Sequitur.

OBRAS PUBLICADAS
  • "Vale Formoso" (Deriva, 2012)
  • "A Inexistência de Eva" (Deriva, 2009)
  • "O Problema de ser norte" (Deriva, 2008)
  • "A Cidade Líquida e Outras Texturas" (Deriva, 2006; 2ª Edição, 2007)
  • "Talvez os lírios compreendam" (Cadernos do Campo Alegre, 2004)
  • "Lua-Polaroid" (Corpos Editora, 2003)

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