quinta-feira, 13 de novembro de 2014

PARA SEMPRE, MANOEL DE BARROS (1916-2014)


POEMA

A poesia está guardada nas palavras - é tudo que
eu sei.
Meu fado é o de não saber quase tudo.
Sobre o nada eu tenho profundidades.
Não tenho conexões com a realidade.
Poderoso para mim não é aquele que descobre ouro.
Para mim poderoso é aquele que descobre as 
insignificâncias (do mundo e das nossas).
Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil.
Fiquei emocionado e chorei.
Sou fraco para elogios.

Manoel de Barros
(1916-2014)

Adeus? Nunca!

...até sempre poeta...

terça-feira, 11 de novembro de 2014

POESIA À SOLTA REGRESSA A SÃO JOÃO DA MADEIRA AO NEPTÚLIA BAR (18.11.2014)


AVISO À NAVEGAÇÃO!!!

Depois do grande sucesso do último "UM CAFÉ COM...POESIA"  na  Confeitaria Colmeia na terça-feira passada, as noites poéticas mensais em São João da Madeira continuam no mês de Novembro!

A segunda noite poética, denominada "POESIA À SOLTA", começa já na terça-feira da próxima semana, dia 18 de Novembro, a partir das 21H30 na Neptúlia Bar em São João da Madeira. 

Pela primeira vez, essa sessão traz dois desafios: 

1. Dizer pelo menos um poema, da vossa autoria ou de um(a) poeta do vosso coração, de cor e salteado nessa sessão!

2. Dizer um poema sobre a Paz (tema escohido na sessão poética anterior).

NOTA: Estes desafios são FACULTATIVOS! Aqueles que os aceitarem, aceitam de sua livre e espontânea vontade! Quem aceitar o segundo, terá o primeiro quarto de hora desta sessão para dizer o poema do tema escolhido.

Quem quer participar no desafio?

Venham celebrar a festa da Poesia e soltar os poemas que habitam dentro de vós e  no silêncio das gavetas e dos livros!

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Poema "SONETO DA FIDELIDADE" de Vinícius de Moraes


SONETO DA FIDELIDADE

De tudo, ao meu amor serei atento
antes, e como tal zelo, e sempre, e tanto
que mesmo em face do maior encanto
dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
e em seu louvor hei de espalhar meu canto
e rir meu riso e derramar meu pranto
ao seu pesar ao seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
quem sabe a morte, angústia de quem vive
quem sabe a solidão, fim de quem ama.

Eu posso dizer do amor (que tive):
que não seja imortal, posto que é chama
mas que seja infinito enquanto dure.

VINÍCIUS DE MORAES
"Operário em construção"

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

SOBRE A QUARTA SESSÃO POÉTICA MENSAL "UM CAFÉ COM...POESIA" NA CONFEITARIA COLMEIA (04.11.2014)


"AMOR E HUMOR EM TEMPOS DE POESIA"

Uma das provas do contraste entre o humor do tempo e o humor humano evidenciou-se ontem à noite, durante a quarta sessão poética mensal "Um café com...Poesia" na Confeitaria "Colmeia" em São João da Madeira. Apesar das previsões meteorológicas apontarem para uma noite aziaga, postal ilustrado de um Outono a querer imitar o seu irmão Inverno, nada esmoreceu o ambiente de partilha, silêncio e alegria que se passou durante aquelas duas horas e meia naquele pequeno recanto de vida na Praça Luís Ribeiro (quase) condenada ao abandono pela solidão da noite.

Numa sessão marcada pelo desafio de cada um dos participantes ler um poema de cor, lançado na noite poética anterior, a Poesia pareceu ganhar outro fôlego, outro fulgor, outro golpe de asa, com aquela proposta lançada pelo instinto e que contagiou parte das pessoas que participaram - inclusive este modesto cronista que teve o privilégio de inaugurar esse desafio, dizendo "Adiar o Coração" de António Ramos Rosa - onde até um dos sócios da Confeitaria "Colmeia" não foi excepção à regra. Enalteceu-se o amor, não só com a poesia de António Ramos Rosa, mas também Vinícius de Moraes, Camões, Tagore, Pessoa, Al Berto, Eugénio de Andrade, Nuno Júdice e Albano Martins. Ficou-se a saber porque é que "os carros dançam" com Filipa Leal, conheceu-se a visão holística do Amor, segundo um dos mentores e coordenadores das noites poéticas, Edmundo Silva, assim como o ciúme e a paixão.

Invocou-se a sátira corrosiva a Salazar, o Quinto Império e a Liberdade, segundo Fernando Pessoa. Visitou-se o "Guardador de Rebanhos" de Alberto Caeiro e a "Tabacaria" de Álvaro de Campos; revisitou-se David Mourão-Ferreira, José Régio, Pedro Branco de Almeirim e nem mesmo o humor satírico dos epigramas de Bocage fora esquecido num evento onde, entre poemas inéditos ou de poetas ocultos na sombra dos dias - onde nem a literatura infantil foi posta de parte - declamados e citados por presenças habituais e vozes estreantes, o Amor e o Humor andaram de braços dados com a memória e a Poesia.

Aqui ficam as fotografias do evento:


Tiago Moita - um dos mentores e coordenadores das noites poéticas
nos cafés e bares de São João da Madeira, a par de Edmundo Silva - 
lendo o poema "Horto" de Al Berto.


Luís Quintino dizendo um poema de
Sophia de Mello Breyner Andresen


Carlos Pinho dizendo o soneto "Ó Virgem Maria" de
Antero de Quental


O Dr. Francisco Costa dizendo "Alma minha gentil, 
que te partiste" de Luís Vaz de Camões


O senhor Amílcar Bastos lendo um poema da sua 
autoria


Uma panorâmica do público durante a sessão


Outra panorâmica do público durante a sessão 


O senhor Serafim lendo um poema de David Mourão-Ferreira


Jorge Martins: uma estreia na leitura poética, lendo 
o "Soneto da Fidelidade" de Vinícius de Moraes


Raquel Gomes de Pinho lendo um poema da sua 
autoria


O doutor Magalhães dos Santos lendo um poema de Pedro Branco
de Almeirim


O Dr. Flores Santos Leite lendo um dos seus 
sonetos


Maria Clara lendo o poema "Quinto Império"
de Fernando Pessoa


O doutor Magalhães dos Santos contando uma
anedota


António Quirino lendo "O Guardador de Rebanhos"
de Alberto Caeiro


O poeta sanjoanense Fábio Silva lendo um poema 
da sua autoria


Inês Severino dizendo um poema de um poeta
desconhecido


A professora Maria Teresa Stalisnau lendo um
poema de João de Deus


A professora Isabel Barbosa lendo um poema


Vânia Soares: uma estreia na leitura poética 
lendo um poema de Pedro Branco de Almeirim


Um dos sócios da Confeitaria Colmeia
dizendo um poema da sua autoria


O doutor Magalhães dos Santos lendo o epigrama
autobiográfico de Bocage


Belarmina: outra estreante na leitura poética, lendo 
um poema de um poeta vianense, 
Maria de Vasconcelos