quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

SOBRE A NONA SESSÃO "FUGAS POÉTICAS" NO NEPTÚLIA BAR EM SÃO JOÃO DA MADEIRA (17.02.2015)


FUGAS "HARDCORE" (1º ESCALÃO)

Nem toda a Poesia vive da tristeza, da dor ou da angústia. Também o humor é considerado um elemento fundamental na arte poética, desde o nascimento da arte das artes. Basta apenas recordar as sábias palavras do (grande mestre) José de Almada Negreiros, quando foi entrevistado no mítico programa "Zip-Zip", com Raul Solnado, Carlos Cruz e Fialho Gouveia, no longínquo ano de 1969, e passo a citar, "foi através do humor que se transitou do XIX para o XX", defendendo a importância do humor como instrumento de ruptura com o pensamento e a linguagem de um passado (cultural) ainda enraizado, mas moribundo, na mente de certas pessoas que pensam, teimosamente -, tal como agora -, que "tudo está feito" e que "não adianta tentar mais nada". Naquela terça-feira, dia 17 de Fevereiro, no Neptúlia Bar, a partir das 21H30, não se atingiu esse patamar revolucionário mas deu para libertar e inebriar as almas mais fatigadas e enregeladas com os estados de humor do tempo e com a espuma dos dias.

Seguindo o espírito de "liberdade livre" - típico das "Fugas Poéticas", mas também da época carnavalesca -, Tiago Moita, um dos fundadores e coordenadores desta iniciativa, a par do escritor e poeta sanjoanense Edmundo Silva, lançou o mote para uma noite destinada a homenagear o humor mais corrosivo e sarcástico que habita no âmago mais oculto da Poesia universal, principalmente da portuguesa. 

O tiro de partida começou com uma "Ferida Aberta" de Jorge de Sousa Braga e a partir daí não parou: conheceu-se a verdadeira "declaração de amor ao primeiro-ministro" de António Pedro Ribeiro; as opiniões profundas e delirantes sobre Fernando Pessoa e os seus heterónimos de Mário Cesariny; chalaceou-se com "As Rosas do Cume" de Laurindo Rabelo; quebrou-se o pranto com odes a estrelas porno de Natália Correia, sarcasmos bíblicos de Adília Lopes; apocalipses de João Habitualmente; "ofícios do mundo" de Rosa Alice Branco; versos dedicados às injustiças de um certo órgão do corpo humano, numa sessão onde ouviram-se poemas de poetas locais, desconhecidos e outras vozes estreantes, assim como se respirou e degustou-se a Poesia de Bocage, Paul Leminsky, José Carlos Ary dos Santos, David Mourão-Ferreira, Augusto Gil, Miguel Torga, Eugénio de Andrade, António Aleixo, José Luís Peixoto, António Maria Lisboa, Sophia de Mello Breyner Andresen, António Ramos Rosa, Manuel Bandeira, Carlos Cavaco, Paulo Condessa, Tagore, Pessoa, Vitorino Nemésio, António Gedeão, Rudyard Kipling, Rui Manuel Grácio das Neves e Manuel António Pina e que terminou com um agradecimento, a duas vozes, muito próprio de João Habitualmente que sublimou as mentes e os corações de todas aquelas almas, devotas ao convívio e à partilha da Arte de dizer Poesia e que foram capazes de trocar o conforto dos lares pelo aconchego de um bar e de um grupo de pessoas, que nada mais fez do que realçar a sua existência através da expressão da mais nobre e autêntica de todas as artes humanas.

Próxima paragem: Confeitaria "Colmeia", primeira terça-feira de Março, 03.03.2015, 21H30.

Tema (facultativo) de Março: POESIA.

Aqui ficam as fotos do evento: 


Parte do público presente na sessão.


Outra panorâmica do resto do público presente na sessão.


Tiago Moita - um dos fundadores e coordenadores das "Fugas 
Poéticas", juntamente com Edmundo Silva - lendo um dos poemas
que disse na 9ª "Fuga Poética" no Neptúlia Bar em São João da Madeira


Isabel Barbosa dizendo um poema da sua autoria


Tavares Ribeiro - Escritor e poeta oliveirense e
editor da CaimaPress - lendo um poema da sua
autoria


O doutor Ângelo Alberto Campelo Sousa
dizendo o poema "Poeta Castrado, Não"
de José Carlos Ary dos Santos


O doutor Magalhães dos Santos lendo um poema
de um poeta anónimo.


M Conceição Gomes lendo o poema "Estamos 
Fritos" de Joel Arsénio Batista


Um estreante - o senhor Altino - lendo o poema
"Equinócio" de David Mourão-Ferreira.


O poeta valecambrense Victor José lendo o poema
"Resignação", da sua autoria.


Rosa Familiar, escritora e poeta feirense, natural
da Arrifana, lendo o poema "Máscara Transparente"
de Fátima Campos.


Manuel Dias declamando "A Balada da Neve" de Augusto Gil.


António Pinheiro lendo o poema "Subi a Serra",
da sua autoria.


Um dos momentos mais hilariantes da noite:
O doutor Magalhães dos Santos lendo o poema
"As rosas do cume" do poeta brasileiro 
do séc.XVIII, natural da Baía, Laurindo Rabelo.


O poeta valecambrense Victor José lendo o poema
"Quebrou-se o silêncio" de Rosa Familiar


Joana Costa lendo o poema "Meteorológica"
de Adília Lopes.


Dinis Silva - locutor do programa "O correr das
Águas" da Rádio Clube da Feira - dizendo a
célebre quadra popular "Mosca sem valor"
de António Aleixo.


Lena França lendo o poema "Devagar" de
José Luís Peixoto.


André de Oliveira lendo o poema
"Apocalipse" de João Habitualmente.


O doutor Luís Quintino dizendo o poema "Porque"
de Sophia de Mello Breyner Andresen.


Isabel Barbosa lendo o poema "Arte Poética"
de António Ramos Rosa.


André de Oliveira lendo o poema "Fim do Dia"
de Tagore.


Manuel Dias dizendo o célebre "Poema a Galileu"
de António Gedeão.


O doutor Ângelo Alberto Campelo Sousa
dizendo o poema "If/Se" de Rudyard Kipling.


Tiago Moita lendo, juntamente com André de Oliveira, o poema
"Agradecemos" de João Habitualmente.


André de Oliveira lendo, juntamente com Tiago Moita, o poema
"Agradecemos" de João Habitualmente.

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