quinta-feira, 28 de maio de 2026

SOBRE O CENTENÁRIO DO 28 DE MAIO DE 1926 (1926-2026)

 


SOBRE O CENTENÁRIO DA REVOLUÇÃO DO 
28 DE MAIO DE 1926 (1926-2026)

Recordar o centenário do golpe de Estado de 28 de Maio de 1926 não é fazer uma invocação de um evento pretérito da História de Portugal, nem manchar de vergonha a nossa democracia, mas fazer um convite a uma séria e profunda reflexão sobre as causas que conduziram ao seu aparecimento. Não é só o mundo, a economia, a sociedade e a civilização, tal como as conhecemos, que estão em crise, mas a democracia; e reflectir sobre por que é que as democracias falham e muitas vezes sucumbem ao mais poderoso e hediondo totalitarismo não só é um direito, como também um imperativo filosófico e cívico. Mais importante do que falarmos apenas de toda a repressão, censura, obscurantismo, dor e sofrimento que aconteceram durante os quase cinquenta anos de Estado Novo, também precisamos de compreender como é que uma república com quase dezasseis anos de existência colapsou apenas num dia. Muitas das causas podem ser uma repetição de problemas que ainda estão a acontecer no presente e, para isso, temos de ir ao passado encontrar, por vezes, as respostas porque, como uma vez disse Lord Byron, “O maior profeta do futuro é o passado”. As democracias não devem fazer a apologia a qualquer tipo de ditaduras, mas devem ter o dever ético de compreender as causas da sua degradação antes que seja tarde demais.

Tiago Moita

28.05.2026

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