sexta-feira, 30 de setembro de 2011

POETAS CONTEMPORÂNEOS DO SÉCULO XXI: ALEXANDRE NAVE




O CHEIRO DOS CARNICEIROS A TATUAR PALAVRAS

Os pés nos campos de algodão

calcinados de sangue, abertos
descidos os buracos do corpo

caminhamos os campos desprovidos
abrimos poços nos ouvidos.
um a um num cordão a enfiar,

nascemos uns nos outros

não sabemos quem nos vem queimar.

Alexandre Nave
Columbários & Sangradouros
Quasi
2003

ALEXANDRE NAVE, nasceu em Lisboa no ano de 1969. Estudou Artes Plásticas, área na qual frequentou cursos de pintura e desenho, escultura, video, teatro e banda desenhada. Em 2004 foi distinguido com o Prémio Primeira Obra, atribuído pelo P.E.N Clube Português ao livro Columbários & Sangradouros pela Quasi, havia ganho o 1º Prémio Internacional de Poesia "León Felipe".

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

FILOSOFIA PURA (RALPH WALDO EMERSON)




"O que fica atrás de nós e o que jaz à nossa frente têm muito pouca importância, comparado com o que há dentro de nós".

Ralph Waldo Emerson
Escritor, Poeta, Filósofo e Ensaísta
1803-1831

domingo, 27 de março de 2011

RECEITA PARA SE FAZER UM HERÓI (Edgar Scandura)

Pega-se num homem

Feito de nada como nós

em tamanho natural


Embebe-se-lhe a carne

de maneira irracional

com fome e ódio


Depois, perto do fim

levanta-se o pendão

e toca-se o clarim...


Serve-se morto.



Edgar Scandura

ARTE EM MOVIMENTO (ALEX GREY)


sábado, 19 de fevereiro de 2011



Quando a beleza se funde

com o espírito

há explosões

que vêm de dentro

quando a beleza se funde

com o espírito

há mundos que se abrem

loucura

criação

quando a beleza se funde

com o espírito

há aves livres

banquetes

celebração

quando a beleza se funde

com o espírito

és tu à mesa

és tu ao balcão

quando a beleza se funde

com o espírito

já não há mais mercado

nem prisão


A.Pedro Ribeiro

sábado, 12 de fevereiro de 2011

CORRENTES D'ESCRITA 2011 NA PÓVOA DO VARZIM


Será entre os dias 22 a 26 de Fevereiro que realizar-se-á mais um Correntes d'Escrita no auditório Municipal da Póvoa do Varzim. Depois de muitos anos de falta (quatro) o autor deste blogue vai (fazer os possíveis) para (desta vez) estar presente.
breve história:
Inicialmente concebida como forma de homenagear o centenário da morte de Eça de Queirós em Fevereiro de 2000, o Correntes d'Escrita transformou-se desde cedo no maior encontro internacional ibero-americano de escritores e poetas que há memória em Portugal, fruto da visão da Câmara Municipal da Póvoa do Varzim que apostou na sua continuidade, mantendo como tema fundamental, o mar, que se vê nestas duas línguas: o Português e o Espanhol. Não só a língua que une os participantes mas também o mar donde saíram as caravelas e naus desse espaço mítico e universal que se transformou numa grande estrada cultural em direcção a um maior intercâmbio entre culturas tão semelhantes como ancestrais e, ao mesmo tempo, universais.
Para mais informações sobre o programa, consultem a seguinte hiperligação:
Aparecam!

terça-feira, 30 de novembro de 2010

FERNANDO PESSOA (1888-1935)






Hoje, fazem precisamente setenta e cinco anos que o maior poeta da língua portuguesa partiu (mas não morreu...) do nosso mundo.





Juntamente com milhares de fãs e simpatizantes da sua obra e pensamento, a "Garganta..." presta-lhe uma homenagem singela através de alguns dos seus poemas.





Para sempre, Fernando Pessoa...



"Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive."

Ricardo Reis

"Creio no Mundo como um malmequer
Porque não o vejo. Mas penso nele
Porque pensar é não compreender...
O mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharnmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia, tenho sentido...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é.
Mas porque o amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe porque ama, nem sabe o que é amar...

Amar é a eterna inocência,
E a única inocência é não pensar...

Alberto Caeiro

"(...) A minha cruz está dentro de mim, hirta,
a escaldar, a quebrar
E tudo dói na minha alma extensa
Como um universo."

Álvaro de Campos

"Tenho vontade de erguer os braços e gritar
coisas de uma selvajaria ignorada, de dizer
palavras aos mistérios altos, de afirmar uma
nova personalidade larga aos grandes espaços
da matéria vazia"

Bernardo Soares

"Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda uma,
que o mar unisse, já não separasse.
sagrou-te, foste desvendando a espuma,

E a orla branca foi de ilha em continente,
clareou, correndo até ao fim do mundo,
e viu-se a terra inteira, de repente,
surgir, redonda, do azul profundo

Quem te sagrou criou-te português.
do mar e nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!

Fernando Pessoa