domingo, 27 de março de 2011

RECEITA PARA SE FAZER UM HERÓI (Edgar Scandura)

Pega-se num homem

Feito de nada como nós

em tamanho natural


Embebe-se-lhe a carne

de maneira irracional

com fome e ódio


Depois, perto do fim

levanta-se o pendão

e toca-se o clarim...


Serve-se morto.



Edgar Scandura

ARTE EM MOVIMENTO (ALEX GREY)


sábado, 19 de fevereiro de 2011



Quando a beleza se funde

com o espírito

há explosões

que vêm de dentro

quando a beleza se funde

com o espírito

há mundos que se abrem

loucura

criação

quando a beleza se funde

com o espírito

há aves livres

banquetes

celebração

quando a beleza se funde

com o espírito

és tu à mesa

és tu ao balcão

quando a beleza se funde

com o espírito

já não há mais mercado

nem prisão


A.Pedro Ribeiro

sábado, 12 de fevereiro de 2011

CORRENTES D'ESCRITA 2011 NA PÓVOA DO VARZIM


Será entre os dias 22 a 26 de Fevereiro que realizar-se-á mais um Correntes d'Escrita no auditório Municipal da Póvoa do Varzim. Depois de muitos anos de falta (quatro) o autor deste blogue vai (fazer os possíveis) para (desta vez) estar presente.
breve história:
Inicialmente concebida como forma de homenagear o centenário da morte de Eça de Queirós em Fevereiro de 2000, o Correntes d'Escrita transformou-se desde cedo no maior encontro internacional ibero-americano de escritores e poetas que há memória em Portugal, fruto da visão da Câmara Municipal da Póvoa do Varzim que apostou na sua continuidade, mantendo como tema fundamental, o mar, que se vê nestas duas línguas: o Português e o Espanhol. Não só a língua que une os participantes mas também o mar donde saíram as caravelas e naus desse espaço mítico e universal que se transformou numa grande estrada cultural em direcção a um maior intercâmbio entre culturas tão semelhantes como ancestrais e, ao mesmo tempo, universais.
Para mais informações sobre o programa, consultem a seguinte hiperligação:
Aparecam!

terça-feira, 30 de novembro de 2010

FERNANDO PESSOA (1888-1935)






Hoje, fazem precisamente setenta e cinco anos que o maior poeta da língua portuguesa partiu (mas não morreu...) do nosso mundo.





Juntamente com milhares de fãs e simpatizantes da sua obra e pensamento, a "Garganta..." presta-lhe uma homenagem singela através de alguns dos seus poemas.





Para sempre, Fernando Pessoa...



"Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive."

Ricardo Reis

"Creio no Mundo como um malmequer
Porque não o vejo. Mas penso nele
Porque pensar é não compreender...
O mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharnmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia, tenho sentido...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é.
Mas porque o amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe porque ama, nem sabe o que é amar...

Amar é a eterna inocência,
E a única inocência é não pensar...

Alberto Caeiro

"(...) A minha cruz está dentro de mim, hirta,
a escaldar, a quebrar
E tudo dói na minha alma extensa
Como um universo."

Álvaro de Campos

"Tenho vontade de erguer os braços e gritar
coisas de uma selvajaria ignorada, de dizer
palavras aos mistérios altos, de afirmar uma
nova personalidade larga aos grandes espaços
da matéria vazia"

Bernardo Soares

"Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda uma,
que o mar unisse, já não separasse.
sagrou-te, foste desvendando a espuma,

E a orla branca foi de ilha em continente,
clareou, correndo até ao fim do mundo,
e viu-se a terra inteira, de repente,
surgir, redonda, do azul profundo

Quem te sagrou criou-te português.
do mar e nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!

Fernando Pessoa

sábado, 19 de junho de 2010



POEMA À BOCA FECHADA

Não direi:
que o silêncio me sufoca e me amordaça
calado estou, calado ficarei,
pois que a língua que falo é de outra raça.

Palavras consumidas se acumulam
se represam, cisterna de águas mortas
Ácidas mágoas em limos transformadas,
Vaza de fundo em que há raízes tortas

Não direi:
Que nem sequer o esforço de as dizer merecem,
Palavras que não digam quanto sei
Neste retiro em que me conhecem.

Nem só lodos se arrastam, nem só lamas
Nem só animais boiam, mortos, medos,
Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam
no negro poço de onde sobem dedos

Só direi,
Crispadamente recolhido e mudo,
Que quem se cala quando me calei
Não poderá morrer sem dizer tudo.

José Saramago
(1922-2010)
R.I.P

OPINIÃO DE TIAGO MOITA: Ontem não morreu só um escritor, apenas se apagou uma estrela lírica que iluminou o coração de milhares e milhares de escritores não só em Portugal mas em todo o mundo. Não só a sua vastíssima obra e os prémios que ganhou ao longo da sua carreira o tornaram num escritor universal mas, principalmente a forma como libertou a palavra e emancipou a linguagem do romance, o percurso de um homem do povo que trabalhou a vida a pulso, trabalhou inúmeras profissões e combateu injustiças durante toda a sua vida, Fizeram de Saramago não só um dos maiores escritores portugueses de todos os tempos, como um exemplo de ser humano capaz de ultrapassar as fronteiras do seu corpo e alma pela arte.

Para ti Saramago, nunca te direi adeus...apenas...até breve.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Filo-Café DRAMA E PLATEIA em S.João da Madeira




Depois de dois anos de ausência, o Filo-Café regressa à cidade de S.João da Madeira. Desta vez, com um tema sobre o teatro, uma vez que este evento se encontra inserido no IV Festival de Teatro de São João da Madeira.

DRAMA E PLATEIA: A VIDA COMO ESPECTÁCULO.

Quando Shakespeare colocou na boca de Hamlet a famosa frase "O mundo é um palco", para além de querer afirmar o sentido da sua vingança, o bardo postulou uma questão interpretativa moderna em relação entre a Arte, a Vida e as suas representações.

Se, nunca como agora, o Mundo está transformado num palco Tragicómico, onde está a plateia? Estaremos nós de que lado da cortina? Sonhamos ser como Aristófanes - crítico de situação social, não muito diferente da nossa actual? E Antígona, hoje seria uma heroína ou uma maníaco-depressiva?

No fundo: Quem tomará conta da História?

Teixeira Moita.

O QUE É UM FILO-CAFÉ?

Um Filo-Café é, no essencial, um espaço público de trocas. Real. Com pessoas vivas, para lá do virtual . A partir de um tema, há uma pequena comunicação (não superior a dez minutos) que serve para estimular a emissão do pensamento aberta a todos os presentes .

No meio das trocas de pensamento surgem emissões artísticas: Pequenas performances, música, poesia, , etc. Isto é: a conversa é espontânea, a emissão artística é "preparada" antecipadamente. No espaço onde se realiza o Filo-Café há também lugar para a exposição de fotografia, pintura, escultura, instalação. É efémero. A participação na conversa é absolutamente livre. As inscrições livres, destinam-se às pessoas que querem apresentar apresentar algum trabalho artístico.

ABERTAS AS INSCRIÇÕES GRATUITAS NAS SEGUINTES ÁREAS:Poesia, Performance, Teatro, Fotografia, Pintura, Dança, Multimédia, Artesanato, Música, Escultura, Pensamento, Literatura, etc,

PARA INDICAR O NOME E ÁREA DE ACTUAÇÃO, FAVOR LIGAR PARA O SEGUINTE NÚMERO: 966 410 970

COORDENADOR: Teixeira Moita
Convidados confirmados(sujeito a actualizações):
Teixeira Moita Porto - Pensamento, música Elisabete Monteiro Vila Nova de Gaia -Pintura; Alexandre Teixeira Mendes Porto - Pensamento; Jorge Velhote + Sara Canelhas Porto, Poesia; Susana Correia Oliveira de Azeméis, fotografia; Nelson Silva Porto, Fotografia; Júlia Esmeralda Porto, Poesia Carlos Araújo Alves Portugal, Pensamento; Floriano Martins Portugal, Poesia; Mariola Kleine Kartoffel Soutelo Portugal, Pensamento; Inês Ramos Lisboa, Poesia; Virgílio Liquito Portugal, Poesia; Pedro Laranjeira Portugal, Poesia+Pensamento; Tiago Moita S.João da Madeira, Poesia+Pensamento

O Filo-Café terá lugar no ART7< a 14 DE ABRIL DE 2010, Quarta-Feira, às 21H30

A entrada é livre.