Nós, almas criadoras, artesão da grandeza e da beleza que habita no silêncio do Universo, reivindicamos, enquanto seres universais e alquimistas da palavra, da arte e do saber, o direito à transcendência da palavra, da arte e do homem, enquanto corpo, mente e espírito, em nome de uma vontade que ultrapassa a razão de onde viemos, quem somos e para onde vamos.
Imbuídos nesse espírito inconformado e aventureiro, pretendemos apresentar uma alternativa ao desalento e ao desencantamento pelo novo, ao fragmento do texto narrativo pela memória, ao acaso fútil e circunstancial, à melancolia existencial, ao recolhimento intimista permanente e diferido pelo sentimento de perda, à errância sem sentido na linguagem, à indiferença estóica das pessoas e das coisas, reduzidas a meras imagens e estatísticas, estéreis de libido e clorofila, ao sarcasmo ácido e corrosivo do quotidiano sem sentido e ao desencontro e ruína de um mundo crepuscular, enfatizada por uma ideia de fuga para um infinito sem bússola, baseado numa aliança entre o Homem, o Espírito e o Universo com a Natureza: o Holosismo.
O Holosismo é a oportunidade para a resposta a todos aqueles que acreditam no futuro, Aqui e Agora; no amanhã numa folha virgem, numa tela por pintar, num palco à espera de magia, numa pedra por esculpir.
O Holosismo é um êxtase de neologismos sem clichês; consciência cósmica de todas as remembranças, espontaneidade quântica a todos os tratados e regras da arte; hermenêuticas sem parábolas nem teoremas; ponto ómega de tudo o nasceu, vive e está para renascer.
Nesse sentido, o Holosismo pretende a verdadeira afirmação da arte e do seu sentido pela exposição da sua transcendência sem limites. É holocêntrico por qualidade e holonómico no devir. Em vez de um espectáculo de pirotecnia simbólica e gráfica, apresentamos uma sinfonia de koans, haikus, tankas e cores vivas; primaveras constantes de epifanías e mundos paralelos, o paranormal, o astral, a escatologia, o xamanismo e todos os fenómenos e linguagens ignorados pela indiferença do quotidiano e do pensamento contemporâneo, pós-moderno e cosmopolita.
O Holosismo não é uma ilusão provocada pela longa comoção desregrada dos sentidos, mas o ponto de encontro de todas as visões intuitivas e experiências proféticas, iniciáticas e reveladoras do mundo que brotou da aliança da natureza, do espírito com o Universo. Somos a palavra sem sentido no absurdo do Real; silêncio mastigado por páginas em branco, bordadas por sete incêndios encarcerados no coluna vertebral de livros sem horas; mãos sinestésicas em transe, lavrando e burilando o verão das origens sobre o branco da realidade; moradas que murmuram os segredos da poesia; a clarividente contingência das metáforas; a panaceia universal do Cosmos através da Arte.
Holosistas de todo o mundo e de todas as dimensões! Despertem para o amanhã que se levanta hoje, Aqui e Agora, e transcende em amor puro as teias que o ego tece da hesychia do Homem para vos receber de alma, coração e braços abertos. A palavra tem alma! A Arte tem alma! É uma criança que grita da miséria e decadência a que o velho mundo se deixou condenar e se exalta e ri da beleza sem rosto, da harmonia no caos, da natureza sem artifícios, que é a vanguarda e o espírito dos tempos, sem tempo, que nos esperam.
TIAGO DE VASCONCELOS E MOITA
EDMUNDO LUÍS RIBEIRO DA SILVA
São João da Madeira, 2 de Março de 2013.
CRÉDITOS DO VÍDEO "MANIFESTO HOLOSISTA"
Leitura e locução: Marco Oliveira e Tiago Moita
Sonoplastia: Vasco Macieira
Canção: "Prélude à L'Après-midi d'un faune", Claude Debussy
Produção e edição do vídeo: Sérgio Martins
Para mais informações a respeito do Movimento Holosista, contacte-nos para:
movimentoholosista@gmail.com
ou visite a nossa página oficial no Facebook: https://www.facebook.com/Movimento-Holosista-295113184282180/
Faz hoje 10 anos que nasceste, debaixo da sombra de uma lenda. Todos os teus primeiros fregueses traziam uma saudade em lágrimas nas mãos e uma esperança no coração, quando abriste a porta naquela quinta-feira, 4 de Outubro de 2007, para mostrar ao mundo o que valias. Naquele momento, esperava tudo de ti.
Esperava que conseguisses trazer aquela energia primitiva e espírito rock n'roll que existia no "10", num copo de cerveja, numa sexta e sábado à noite de rock e de metal, num concerto ou outro evento mais erudito ou popular. Esperava ver nos olhos de todos aqueles que por lá passaram a mesma chama intensa, a mesma loucura, o mesmo desejo e a mesma liberdade que deambulava pelos cantos do 10Cíbeis Bar, numa troca de olhares, em dois dedos de conversa, na magia de um palco, num som de uma guitarra eléctrica ou numa mesa de bilhar. Esperava tanto de ti, Art7<. Esperava tanto...
Cheguei até a acreditar que podia ser o palco de uma revolução cultural na minha terra, São João da Madeira, quando eu, o Angel Roberto e o Vitó organizámos, para ti, sessões de cinema aos domingos em 2008; Filo-Cafés como "A Revolta das Palavras" (2008) - com a Associação "Teia dos Sentidos" - e "Drama e Plateia (2010), organizado a meias com um tio meu; noites de Poesia em 2009; peças de teatro com os grupos "Persona" (2009), "T.E.P.A.S" (2009) ou os "Spabilados" (2010); espetáculos de variedades como o do grupo "Cultura Viva" do doutor Magalhães dos Santos e do Pedro Laranjeira (2009); um "Café Filosófico" com o Professor Tomás Magalhães Carneiro (2010), noites "Kararock" que nos fizeram cantar, rir e chorar por mais, sem falar dos concertos da Irmandade Metálica (2010) e dos Revolution Within, E.A.K, Damnull, Breed Destruction, Crushing Sun, Pitch Black, Infernum, Catacombe, Indignus, Maze, Lulu Lemon, Templários do Rock, Super Dinamite, Fina Flor do Entulho, Art7< e tantos outros que ficaram na memória daqueles que assistiram e rejubilaram com tamanha oferta cultural. Cheguei a acreditar. A sério. Cheguei a acreditar em tudo isso, mas a realidade foi mais forte que o teu nome - e até o segundo nome que tu tiveste, antes de soltares o teu último suspiro naquele Fevereiro de 2013 (Inversus - 2011/13).
Quero que saibas o seguinte:
Que não estou zangado contigo, nem chateado e muito menos perdido. Apenas um pouco desiludido, mas nada arrependido. Foste o último ponto de encontro de uma geração órfã de um pequeno paraíso que se transformou numa lenda e razão das minhas saídas de sexta-feira e sábado à noite. Durante a tua existência ofereceste-me abrigo, amigos e amigas, convívios cheio de amizade, alegria, álcool e jogos de bilhar à mistura, concertos e os mais variados eventos que nos puseram a aplaudir, sorrir e refletir. Ofereceste-nos tudo isso e muito mais, mesmo sabendo que a maioria das pessoas sempre te viu, e verá, como a sombra do "10" e o último bar alternativo que existiu em São João da Madeira.
(Foto da cortesia da Patrícia Cardoso. Sábado, 29 de Setembro de 2007)
10(CÍBIES)ANOS DE UMA SAUDADE
Faz hoje dez anos que nos deixaste e até parece que foi mentira. Recusei a acreditar na tua morte como quem tenta enganar a vida, com um truque de magia no fundo da algibeira das calças ou enverga uma máscara de gesso, para esconder as lágrimas das velas que acendeu em teu nome.
Gostava que soubesses que nem todos apagaram o teu nome dos calendários. Gostava que visses, através dos meus olhos e dos olhos daqueles que, ainda hoje, suspiram de saudades por aqueles seis anos em que deixaste a tua marca na minha cidade, os gritos e os uivos, as lágrimas e as gargalhadas estridentes que soltávamos nas noites em que deixávamos os relógios e as regras em casa para abraçar o vício, a loucura e o desejo acumulados durante o resto das semanas de estudo ou de trabalho ou de sem nada para fazer.
Gostava que visses, nesses mesmos olhos, as tribos da noite que invadiram as tuas quatro paredes bicolores e o teu pátio com a tua frondosa árvore. Sim, essa árvore. Esse marco vegetal que testemunhou toda a espuma dos dias e das noites que animaram os corações e as mentes dos teus fregueses e dos meros curiosos que por lá passaram. Gostava que te lembrasses dos góticos, dos metaleiros, dos punks, dos fãs da música alternativa, como eu, quando despíamos os hábitos e a cinza das horas para curtir a noite ao som de bandas como os Meshuggah, os Tool, os Mastodon, os Porcupine Tree, os Anathema, os AperfectCircle, os Gojira, os The Dillinger Scape Plan, os Metallica (dos "bons velhos tempos"), os Megadeath, os Manowar, os Sex Pistols, os System of a Down, os Nirvana e todo o som de Seattle, os Doors (Until The End, My friend, Until The End...), enfim...todas as canções do subsolo e das lendas do Rock e do Metal que inebriavam o mais fundo do nosso ser e faziam de nós crianças loucas regressando à inocência da nossa infância e à rebeldia da nossa adolescência.
Gostava que ouvisses as conversas intemporais daqueles que se aconchegaram no teu recanto e partilharam as suas histórias e paixões, aventuras e desventuras, paranóias e partidas, em noite de "Rock N'Rollar". Gostava que te lembrasses dos teus dois festivais de rock que marcaram toda uma geração de músicos e amantes da música elétrica em São João da Madeira e fizeram desta cidade a "Seattle de Portugal" do princípio deste novo século - e milénio. Gostava que te lembrasses das noites de Metal em que eu, e os meus companheiros - e companheiras - cantávamos até à exaustão os hinos dos grandes deuses do metal como loucos, agitávamos as nossas cabeças e cabeleiras e fazíamos "Air Guitar" em sua homenagem; dos momentos hilariantes das "conversas com Joaquim Letria" à volta da fogueira; dos momentos em que eu, o Edgar e o Danny ríamos com sketches e anedotas do Herman José, dos Monty Pythons ou dos Gato Fedorento; dos concursos de DJ's que acabavam sempre em loucura; daquele amigo do Vitó que fez "breakdance" ao som dos Duran Duran; das noites extra(ordinárias) e pimbas do "Projecto Magalhães Lemos"; das bebedeiras e do som dos matrecos que jogávamos lá atrás, no pátio, das passagens de ano onde até o pessoal escorregava por causa da quantidade de cerveja deitada ao chão; das noites "kararock" onde todos queriam (tentar) interpretar as canções dos seus ídolos - tal como o Marty, com o seu "I Want Out" dos Helloween -, as noites "Back To The 80's, 90's" do Rui (Anonymous) Silva - o DJ mais barato que o Vitó alguma vez contratou, pois era pago com copos e copos de...Coca-Cola - em que cantávamos e dançávamos aos som da melhor música feita nas décadas de noventa do século passado; dos aniversários que foram lá feitos, dos poemas que escrevi, algumas vezes com a Juliana Leite, a Sara Costa e o "Gago" ou das noites em que os declamadores e amigos do José Fanha apareciam por lá, durante as campanhas "Poesia à Mesa", todos os meses de Março de cada ano. As noites em que eu conheci camaradas de verdade e amigos, alguns deles, para toda a vida. Gostava que te lembrasses, 10. Gostava tanto...
Dez anos aumentaram uma saudade insaciável e criaram um vazio que nenhum bar, ainda hoje, preencheu em São João da Madeira. Hoje, atiro para o céu a máscara, ergo o copo de cerveja que guardei no peito, acendo uma vela no coração e brindo ao vento por ti.
Gostaria de agradece publicamente à Chiado Editora por, mais uma vez, promover, distribuir os meus livros e por ter satisfeito o meu desejo de dar mais uma sessão de autógrafos na Feira do Livro do Porto; à representante da Chiado Editora, Maria Helena Costa, pela paciência, palavras e fotos que tirou, durante a sessão, e a todas as pessoas que passaram pelos pavilhões da Chiado - todos desconhecidos. Nenhum dos meus amigos, parentes ou conhecidos que convidei para esta sessão estiveram presentes - e que fizeram desta minha sessão de autógrafos um momento inesquecível.
No dia 15 de Setembro, sexta-feira, entre as 18H00 e as 19H00, vou dar uma sessão de autógrafos no Espaço Chiado Editora, na Feira do Livro do Porto deste ano (Pavilhões 57 e 58), que vai ocorrer, mais uma vez, nos jardins do Palácio de Cristal entre os dias 1 e 17 de Setembro.
Esta é a oportunidade para todos os fãs, admiradores, amigos, leitores e curiosos poderem contactar com o autor pessoalmente, partilharem experiências e receberem alguns autógrafos da sua parte.
Durante os dias da Feira, vão estar à venda no espaço acima mencionado (a preço de feira, ou seja mais baratos), exemplares dos meus dois primeiros romances "O Último Império" (2012) e "O Evangelho do Alquimista" (2016) - e do seu mais recente poemário "Metanoia" (2017).
Vídeo oficial do Manifesto Holosista - o Manifesto do Movimento Holosista: O primeiro movimento universal de vanguarda cultural holística do século XXI
Tiago de Vasconcelos e Moita nasceu em Lisboa em Abril de 1975. Começou a dar os primeiros passos na Poesia a partir dos quinze anos em São João da Madeira – cidade onde vive actualmente desde os dez anos. Estudou Direito na Universidade Lusíada do Porto, onde publicou um dos muitos poemas e textos em prosa que escreveu nesse período, em 1998, no jornal da Associação Académica da Universidade, do qual foi principal colunista durante três anos e foi membro do E.L.S.A (European Law Students Association) entre 1998 e 2001.
Participou em workshops de declamação poética e cursos de Storytelling e Escrita Criativa, entre 2004 e 2013, bem como participou em eventos culturais em Portugal e em Espanha. Publicou alguns dos seus poemas e textos em jornais e blogs e fez parte de alguns grupos e associações culturais da sua terra entre 2006 e 2010.
A 20 de Maio de 2014, fundou, juntamente com o escritor e poeta Edmundo Silva, em São João da Madeira, as “Fugas Poéticas” e publicou alguns artigos nas revistas “Nova Águia” e “Biosofia” em 2018.
Em 2018, foi jurado de um júri concelhio do Concurso Nacional de Leitura em São João da Madeira.
O seu primeiro livro “Ecos Mudos” faz parte do acervo bibliográfico da Biblioteca Académica da Universidade de Princeton nos Estados Unidos da América desde 2019 e da Universidade Técnica de Brausweig na Alemanha desde 2022 e o seu romance de estreia “O Último Império” faz parte do acervo bibliográfico da Biblioteca Académica da Universidade de Glasgow na Escócia, Reino Unido, desde 2020 e da Universidade Técnica de Braunschweig na Alemanha desde 2022, tal como a sua primeira obra.
As suas obras têm sido comentadas e elogiadas por grandes nomes da Literatura Contemporânea Portuguesa como Mário Cláudio, Miguel Real, Nuno Júdice, Fernando Pinto do Amaral, Jorge Velhote, Alberto S. Santos, Luís Miguel Rocha, José Fanha ,Sónia Louro e Guilherme D'Oliveira Martins
É autor de três livros de Poesia “Ecos Mudos” (2006), “Post Mortem e Outros Uivos” (2012) e “Metanoia” (2017); quatro romances “O Último Império” (2012. 2.ª Edição: 2016), “O Evangelho do Alquimista” (2016. 2ª Edição: 2017), “A Fórmula do Peregrino” (2018) e "Ensaio sobre o Fim do Mundo" (2024); um livro de contos “Os Contos Impossíveis” (2019) e um livro de prosa poética “Manual da Solidão” (2020) - este último mereceu uma resenha crítica nas revistas literárias “Letras Comvida” (2020) e “As Artes Entre as Letras” (2022) por parte da investigadora do CLEPUL (Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa), Maria Carlos Lino de Sena Aldeia, por esta obra ter sido a primeira desconstrução feita ao célebre “Livro do Desassossego” de Bernardo Soares, o famoso semi-heterónimo de Fernando Pessoa.