domingo, 6 de outubro de 2013

Poema "HOMO NOETICUS" de Tiago Moita


"Cosmic Vitruvian"
Stylarosa
2013

HOMO NOETICOS

Nascerei do fruto sangue
de dois universos paralelos
com uma bússola de sete raios
e um verbo aceso
na ponta da língua

Nenhuma linha é um acaso
na geometria de mim próprio
Goegrafia: mosaico de experiências
e escolhas que tatuei
na epiderme da alma

Busco no poema
a unidade sem sentido
no absurdo do real
habito para além das palavras
numa página em branco
de um livro em horas

Mudo de pele ao sabor do vento
como quem morre para nascer de novo
busco no pavio de uma vela
a sede que a minha razão desconhece

Justifico o presente no passado
para saber onde me encontro hoje
revejo-me em todos os silêncios
da natureza dos homens
sem máscaras nem símbolos

Revelo-me Alfa e Ómega
num tempo sem signos
à espera do primeiro fôlego
carne, mente e ser
em estado etéreo
num mundo em chamas
primeiro passo do amanhã
Esperança de todos nós

Tiago Moita
"Post Mortem e Outros Uivos"
WorldArtFriends/Corpos Editora
2012

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