quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

DEZ ANOS DE TIAGO MOITA EM FILO-CAFÉS (2005-2015)

O ELOGIO DA LIVERDADE

Partilha, liberdade, convívio, entrega. Podiam ocorrer outras palavras para ilustrar  o que sinto para celebrar esta efeméride que provocou uma das maiores revoluções dentro de mim. Bastava recuar a esse dia 15 de Janeiro de 2005 e trazer à superfície a minha primeira vez em que assisti - e participei - num Filo Café.

Para os mais distraídos e ignotos nesta matéria, um Filo Café é uma espécie de "não-tertúlia", isto é, um espaço de partilha, criação e de liberdade livre, tantas vezes apregoada por Rimbaud e António Ramos Rosa, onde cada participante exprimia a sua opinião sobre um tema, de forma livre e informal. Os Filo Cafés, segundo o que me disseram ao longo destes dez anos - como o tempo passa -, começaram em Lisboa, na Sociedade Guilherme Cossoul com Alberto Augusto Miranda em 1997 mas foi só no princípio da década passada que começaram a chegar ao norte do país - e à Galiza - mais propriamente às grandes cidades como o Porto e Braga.

Lembro-me como se fosse hoje...Braga, Insólito Bar. Um mês antes, tinha sido convidado pelo meu tio para participar no seu primeiro Filo Café organizado por ele na "cidade do Arcebispos", capital natural do Minho, com um poema da minha autoria sobre o tema "O Actor e a Personagem", sem fazer a mínima ideia o que era um Filo Café e no que me ia meter. Para a maioria dos noctívagos bracarenses e outras criaturas da noite que deambulavam pelas sombras das ruas e trocavam silêncios e vícios no recanto dos bares, era uma noite como qualquer outra. Para mim, foi o princípio de um despertar para o mundo de liberdade e sabedoria, onde a crítica, a ironia e o sarcasmo conviviam com a Arte e o Pensamento.

Dez anos passaram e nenhuma memória diluiu-se nos oceanos do tempo. Jamais esquecerei as dissertações sarcásticas de Alberto Augusto Miranda, os monólogos filosóficos de Alexandre Teixeira Mendes, as performances de expressão plástica de Sílvia Zayas e de Filipa Aranda, e exuberância e encanto de Deborah Nofret, a anarquismo poético de António Pedro Ribeiro e as declamações apoteóticas de Aurelino costa, apenas para citar alguns exemplos de dez anos que marcaram a minha vida. Dez anos de poemas, performances, esculturas, pinturas, viagens, debates, magia no êxtase de um gesto, epifania e choque numa palavra, virtuosismo num rasgo artístico, luz num bolbo de sombra num poema.

Tudo isso e muito mais encontrei e guardei como recordação, serigrafias de memórias em chamas vivas e bruxuleantes, vagueando no universo de mim, relembrando um tempo em que assisti ao desabrochar do meu ser, à desconstrução da minha linguagem e pensamento e à metamorfose de um silêncio inacabado pela sede da alma humana, sedenta do Tudo do Todo.

TIAGO MOITA

Aqui ficam algumas fotos de alguns dos filo cafés que assisti e participei.


Filo Café "O ACTOR E A PERSONAGEM" - Insólito Bar, Braga
(Sábado, 15.01.2005)



Filo Café "NIETZSCHE E PESSOA: O BAILE DA GRAVIDADE" 
Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto,
Porto (Sábado, 17.12.2005)


Filo Café "POESIA E MULHERES: TODOS AOS SEUS TALHERES"
Café Concerto, Paços da Cultura, São João da Madeira
(Sexta-Feira, 17.03.2006)


Filo Café "Bruno e Bruma"
Clube Literário do Porto, Porto (Sábado, 01.07.2006)


Filo Café "RITOS E RITUAIS" 
Clube Literário do Porto, Porto 
(Sábado, 24.03.2007)


Filo Café "SUICÍDIO/ALTERICÍDIO"
Café Princesa, Porto
(Sábado, 12.01.2008)


Filo Café "A REVOLTA DAS PALAVRAS" 
- "Teia dos Sentidos" -
Art7menor Bar, São João da Madeira
(Quinta-feira, 27.03.2008)


Filo Café "FECUNDAÇÃO E ALÍVIO"
Orfeão do Porto, Porto
(Sábado, 22.11.2008)

(Foto de Nelson Silva)


Filo Café "A DOENÇA"
Junta de Freguesia de Espinho, Espinho
(Sábado, 06.06.2009)

(Foto de Nelson Silva)


Filo Café "DRAMA E PLATEIA"
Art7menor Bar, São João da Madeira
(Quarta-feira, 14.04.2010)


Filo Café "MILAGRE"
Auditório José Afonso, São João da Madeira
(Sábado, 12.05.2012)

(Foto de Suzamna Hezequiel)

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