domingo, 5 de fevereiro de 2017

Poema "O PRIMEIRO POEMA" de Tiago Moita (2017)


O PRIMEIRO POEMA

O primeiro poema que li de ti
não tinha palavras nem espaços
apenas silêncios oblíquos
em margens feridas
pelo branco grito
da água

O primeiro poema que li de ti
não tinha cor nem cheiro
nem fogo nas sílabas
apenas sal e sangue
no lugar das lágrimas

O primeiro poema que li de ti
não tinha braços nem pernas
nem mãos nem dedos 
apenas fios de teia
e uma bússola ao peito

O primeiro poema que li de ti
não tinha ponteiros nem estradas 
apenas mapas-múndi
de labirintos e legendas

Tinha apenas sol e lua num rosto 
esperanto num sorriso
e asas abertas nos olhos 

Tinha feridas essenciais
na ponta dos dedos
e corações sem relógios
 na palma da mãos

Tinha universos inexpugnáveis
e lanternas acesas em florestas virgens

Tinha tudo num meio de nadas 
vazio e absoluto no ventre
de uma chama

Não era simples nem abstrato 
era claro como o grito de 
de uma lágrima 

Silhueta de uma alma
canto de pássaro engaiolado

Era sentido
era corpo
era um nome 
eras tu.

TIAGO MOITA
"Metanoia"
Colecção "Prazeres Poéticos"
Chiado Editora
2017

Em todas as livrarias de Portugal e do Brasil a partir de Março.

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