segunda-feira, 23 de setembro de 2013
domingo, 8 de setembro de 2013
POETAS PORTUGUESES DO SÉCULO XXI: DANIEL ABRUNHEIRO
NEM JUNHO NEM INVERNO ACABAM
I. Simetria
Casas há que são cartas por escrever
outras são também brancas, mas cisnes
as casas têm pescoços caligráficos.
Eles fecham a boca e abrem os olhos.
Quando é o contrário, é a tragédia.
Todas as tragédias são domésticas.
Passo na rua, fica-se-me a sombra nas casas.
Nunca volto inteiro a casa.
Também os pescadores perdem no mar a sombra.
Quando voltam, voltam estátuas de sal.
Aves e mulheres tossem-nos.
Árvores há que são lápis escreventes
Outros são também negras, mas corvos.
De Licor, Sabão e Sapatos
DANIEL ABRUNHEIRO nasceu em Coimbra (Santa Cruz) em 1964, cidade que o viu crescer e formar, onde se licenciou na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra entre 1982 e 1986. Depois de licenciado, deixou a sua cidade para dar aulas no ensino secundário, do qual, fez vida durante dez anos. Começou em Peniche, regressou a Coimbra para dar aulas em Taveiro, estando um ano em cada escola.
Foi através do Instituto D.João V, no Louriçal, que chegou a Pombal, concelho que acabaria por o adoptar. Leccionou durante seis anos nessa terra e mais tarde voltou ao ofício de jornalista. Em Lisboa, é formando no Cenjor (Centro de Formação Profissional para Jornalistas) no Curso Geral de Jornalismo, sendo depois, mais tarde, convidado para dar formação em língua portuguesa e Escrita Jornalística.
Passou depois pela Antena 2, onde fez estágio e deu entrada no mundo do jornalismo a tempo inteiro.
De volta às raízes em Coimbra, passa pelas redacções dos três principais jornais regionais da cidade dos estudantes, no quinzenário "Jornal de Coimbra" e nos Diários "As Beiras" e "Diário de Coimbra". Em 1998, ingressa no Grupo Sojormedia, com um regresso ao Concelho de Pombal, onde ingressa a redacção do jornal "O Eco".
OBRAS PUBLICADAS:
- "Terminação do Anjo" (Ed.Autor, 2008)
- "Licor, sabão e sapatos" (Ed.Autor, 2007)
- "O preço da chuva" (Ed.Autor, 2006)
- "Cronicão" (Ed.Autor, 2003)
domingo, 4 de agosto de 2013
Viajando com os Clássicos - CHOPIN (1810-1849)
Valsa em Dó Sustenido Menor, Op.64 Nº 2 (3,44)
Chopin (Tocado por Valentina Lisitsa)
Poema "NESTE PAÍS DE LINHOS E PREDICADOS" de Edmundo Silva
NESTE PAÍS DE LINHOS E PREDICADOS
Neste país de linhos e predicados
horas forradas de musgo e amor
onde a humidade do sol desagua como carta sagrada
e num selo dessa corrente de rio meditações se afloram,
sento-me na relva desta paz do ar lambida
e sonho os sonhos das pedras e dos astros musicais...
Ouço os murmúrios azuis das constelações das nossas almas
e na biblioteca da noite o pulsar óbvio da sublimação
é uma gema que flutua no vácuo
germinando os jardins do nosso amor
e antecipando a felicidade em cometas irisados.
Aqui me deixo levar pela intrépida ovulação do Agora,
onde a fermentação dos nossos sentidos
placidamente passa pelos caminhos novos
dessa canção de rios e árvores, planetas e almas,
num súbito desaguar de melodias da eternidade...
Neste país de bálsamos siderais
a voz das plantas desenha o nosso sossego
e veste-nos de transparências primordiais
onde a verdade dos nossos vultos vive
e nas candeias da liberdade descansa...
Edmundo Silva
"Epifania ao Sol"
WorldArtFriends/Corpos Editora
2012
TEOSOFIA PURA :ALFRED PERCY SINNETT (1840-1921)
"Loucos são aqueles que, especulando apenas sobre o presente, voluntariamente fecham os olhos para o passado e, com isso, permanecem naturalmente cegos para o futuro."
Alfred Percy Sinnett (1840-1921)
"Cartas dos Mahatmas"
1923
(Livro publicado a título póstumo)
quarta-feira, 26 de junho de 2013
"O ÚLTIMO IMPÉRIO" DE TIAGO MOITA, SEGUNDO PAULO TELES (Blog "O Efeito dos Livros")
Se no princípio me custou agarrar neste livro devido ao tamanho, depois de o começar a ler foi como se passasse a pertencer ao enredo...não consegui parar de lê-lo.
Tiago Moita leva-nos a passear por terras, cidades, ruas, monumentos e personagens do meu, nosso, querido Portugal.
Muitas das vezes as descrições são tão boas que me levava a querer ir àquele lugar e ver com os meus olhos o que o autor descreve.
"repara na fachada do edifício: tem nove janelas, que correspondem aos nove olhos que espreitam o mistério, como indica o poema. Nove, na simbologia maçónica corresponde ao princípio da luz divina e é o número dos iniciados profetas. As colunas que vês entre as portas simbolizam os limites do mundo criado; a vida e a morte; o masculino e o feminino."
Gostaram? E se eu vos disser que a descrição se refere à Estação do Rossio? Digam lá que quando passarem por lá não vão olhar para a fachada de uma outra maneira.
Quanto à História, apaixonei-me por todo o enredo, além de ser uma ode a Portugal e ao povo Português é também uma valorização dos nosso feitos e dos nossos antepassados, não esquecendo também a projecção daquilo que o autor acharia que Portugal é capaz de fazer no futuro.
Tiago Moita consegue remasterizar os mais variados temas como a Maçonaria, a Opus Dei ou o Clube Bilderberg, mixando-os com terapias como o Reiki e ainda explicações que se socorrem da Astrologia. Brinda-nos ainda com mitos e lendas do nosso país, salientando que o passado, mas sem esquecer a actualidade, juntando-lhe assim acontecimentos que revelam um escritor atento e dono de uma crítica social perspicaz.
A meu ver, Tiago Moita reforça a importância de acreditarmos em Portugal e na grandiosidade da Nação. Ao ler senti-me ainda mais Português e a querer que as pessoas o sentissem também.
Vejamos "O Último Império" como um diário de acontecimentos da actualidade, onde nos revemos em cenas históricas repetidas e recorrentes. Um povo que não se valoriza, um povo que está a ser escravizado por políticos e outras forças que definem o que podemos ou não fazer e que nos rouba o pão de cada dia. No entanto, o autor passa uma mensagem de positivismo e de elevação a uma capacidade superior, que revê no povo Português e acaba num futuro que ele deseja para todos nós. Um futuro sem ódio, sem inveja, um futuro onde fôssemos todos iguais, onde o homem atingisse um estado pleno, onde a nossa alma ganhasse força e a nossa força fosse elevada para o bem e o para o amor.
Não vou contar mais sobre a história pois perderia a graça para quem a queira ler, mas aproveito para salientar algumas partes, pois cada quando já estava envolvido na trama, o autor brinda-nos com este pequeno deleite:
"Nada é tão absorvente como o prazer de ler um livro num café ou numa esplanada. Deixar-se levar pelo sabor das palavras ou pela essência do enredo; devorar cada capítulo como quem se deixa dominar pela gula ou por uma noite de prazer; desfiar o fio do novelo dum mistério de uma narrativa, deixar-se contagiar pela natureza das personagens; desafiar o tempo com o virar de uma página no intervalo de um café ou de uma refeição frugal."
Gostei também de algumas frases que poderíamos usar numa qualquer manifestação dos dias de hoje, deixo-vos com esta:
"Um líder pode mentir ao povo uma vez, não pode é mentir-lhe para sempre"...
Paulo Teles
26.06.2013
sábado, 22 de junho de 2013
NOTÍCIA DO ROMANCE "O ÚLTIMO IMPÉRIO" DE TIAGO MOITA NO BRASIL (20.06.2013)
NOTÍCIA DA CHEGADA DE "O ÚLTIMO IMPÉRIO"
DE TIAGO MOITA AO BRASIL
Depois da notícia, a imagem digitalizada da publicação original da notícia da chegada do meu primeiro romance "O Último Império" (Chiado Editora, 2012) às livrarias (Saraiva e Cultura) no Brasil. Essa notícia foi publicada no jornal semanário "O Regional" anteontem, dia 20 de Junho deste ano.
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