sexta-feira, 20 de abril de 2007

SOBRE O FILO CAFÉ "RITOS E RITUAIS"

Numa atmosfera de grande expectativa e entusiasmo, decorreu no dia 24 de Março, Sábado, por volta das 21H30, o Filo-Café "Ritos e Rituais" no Clube Literário do Porto. Um Filo.Café marcado por uma intensa discussão filosófica aonde os modos de expressão demarcaram-se do formalismo sintético existente em certas tertúlias convencionais e aonde o pensamento se confundiu com a arte. A arte com a manifestação. O devir com a antítese.

Para além do debate, contou-se também com a performance plástica da jovem escritora Sílvia Zayas: Jovem Luso-Galega que lançou nessa noite a sua mais recente obra poética "Amalaya!", na presença de artistas, escritores e outros convidados vindos de Portugal e da Galiza.
Aqui ficam algumas fotos desse evento:

Sílvia Zayas (Sentada no chão) no Filo-Café do Porto

Silvia Zayas dando início à sua performance



Alberto Miranda dando início ao Filo-Café "RITOS E RITUAIS"


Aspecto do local aonde se desenrolou o Filo-Café

O filósofo e poeta Alexandre Teixeira Mendes batendo
palmas durante uma intervenção no Filo-Café "RITOS E
RITUAIS"



Uma parte do público que assistiu ao Filo-Café "RITOS E
RITUAIS"

Sílvia Zayas em plena performance

Sílvia Zayas em plena performance (II)

Sílvia Zayas em plena performance (III)

Sílvia Zayas em plena performance (IV)

Tiago Moita (Esquerda, ao fundo) aplaudindo uma das
intervenções e Amílcar Mendes (Canto Direito)

O Poeta e advogado Aurelino Costa


Carlos Gil no Filo-Café "RITOS E RITUAIS"

A poeta luz Gomes, de monção, no Filo-Café "RITOS E
RITUAIS"

O escritor e poeta Rogério Carrola, de Vila
Nova de Sto. André no Filo-Café "RITOS E
RITUAIS"

Alguns dos convidados e amigos de Sílvia Zayas, vindos da
Galiza

Jorge Taxa intervindo no Filo-Café "RITOS E RITUAIS"

A fotógrafa Cubana Deborah Nofret (en) cantando no filo
Café "RITOS E RITUAIS"
A artista Alice Valente, de Lisboa, no Filo-Café "RITOS E
RITUAIS"



Uma foto da Escritora
e Poeta Sandra Costa
Para finalizar, deixo-vos com um excerto do livro Bilingue de poesia de Sílvia Zayas "Amalaya!"
INSTRUÇÕES PARA COMER TERRA
1. Chegar o ouvido à língua da terra:
A sua história infeliz repete lagartos falantes. Aprendo a sua
linguagem.
2. Reptar, deixar que entre:
A minha boca mastiga terra. Recinto fechado sem mundo.
Meço as minhas entranhas como quem mede um pássaro.
Sento-me na pedra contorcionista com as pernas viradas
para o cume da montanha. Doí.
3. Avançar uns metros:
Deixo espaço, imito o som da gravilha quando o vento brinca
com ela. Fumeio a poeira para cima, faço-me minúscula e plana.
Fiadas de arame rente a mim esburacam-me as costas
com as suas faces metálicas.
4. Olhar para cima com a boca cheia de terra:
Tudo se alarma longe, grande. Reza inalcançável o feixe de
luz e não me remenda sacramento nenhum.
5. Medir o movimento:
Tenho medo ao barulho do meu corpo.
6. Deixar-se estar em silêncio:
Habito uma madrigueira com pelugens de mamíferos que
nunca lá esteve. Cobre-me a mão da noite, com o mal que lhe
haja dado algum animal pré-histórico, quero deter o tempo
como a mentira do chapeleiro que obstruiu o seus relógios à
hora combinada, para me acocorar numa estrela.
7. Fazer um ritual inútil com cardos e folhada (que não
mudará o mundo):
Golpeio madeira como louca, a louca da terra, a louca da raiz, a
louca loucura.
8. Conhecer/ amanhecer:
Procuro um pássaro para me alimentar do seu voo, com
desejo exacto de ave e de cegar o ar em tantos pedaços como
pari a alma. Súbito e pele, caminha-me por cima o vesgo e olha
para mim atravessando. Ata-me ao verso. Enfeitiço-me ao
malefício do verso, ao seu estigma, à sua dificuldade em ser
quotidiana.
9. Gritar AMALAYA:
levanto-me atordoada. Malhayada, decido o movimento. O
vesgo é o poeta e dá-me o encantamento do olhar. Já não há
prodígio nenhum que me devolva a cegueira.
10. Já de pé, avançar aos saltos pela circunferência
do mundo.

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