domingo, 30 de setembro de 2007
ADEUS "10CÍBEIS"
quarta-feira, 5 de setembro de 2007
UM OLHAR NO PASSADO: O FILO-CAFÉ BRUNO E BURMA
O público que assistiu ao Filo-Café "BRUNO E BRUMA"
A declamação poética de Cruz Martinez
Tiago Moita declamando o Poema "O Fogo dos Homens"
sexta-feira, 18 de maio de 2007
SESSÃO "À CONVERSA COM...VALTER HUGO MÃE" NA LIVRARIA ENTRELINHAS EM SÃO JOÃO DA MADEIRA (12.05.2007)
sexta-feira, 11 de maio de 2007
MÃO MORTA APRESENTAM "CANTOS DE MALDOROR"


OS CANTOS DE MALDOROR – O LIVRO
Na Paris sitiada de 1870 e em vésperas do levantamento da Comuna morre aos 24 anos o desconhecido Isidore Ducasse. No entanto este misterioso “homem de letras” deixava atrás de si um formidável empreendimento de demolição de que o romantismo envelhecido e o Segundo Império à beira do desastre não seriam as únicas vítimas. Os seus “Os Cantos de Maldoror”, impressos no ano anterior sob o pseudónimo de O Conde de Lautréamont, não poupam nenhuma autoridade nem nenhum dogma.
Sob a aparência de um herói do Mal, negativo dos heróis românticos então em voga, Maldoror é a personagem central da narrativa estruturada em Cantos à maneira das epopeias clássicas. Mas Maldoror é muito mais que um herói do Mal, é sobretudo um combatente da liberdade que nos revela as consequências de uma dupla alienação: enquanto a interiorização dos interditos morais e religiosos nos confisca os desejos, as marcas de uma linguagem imobilizada contrariam-nos a livre expressão.
Se a primeira alienação ganha denúncia no combate encarniçado de Maldoror contra o Criador e a religião e na natureza obsessivamente erótica dos seus crimes, relembrando a animalidade e a agressividade que a Igreja associa à sexualidade, já a segunda é exposta pela recorrência a artifícios literários, da interpelação do leitor à confusão entre narrador e personagem, da ausência de linearidade narrativa à constante sobreposição de formas literárias, como se ao combate encarniçado contra o Criador correspondesse estranhamente uma luta da escrita contra uma censura latente. Apesar disso, o texto não perde balanço, antes, como uma espiral ou um turbilhão, ganha um movimento rodopiante, de reposição e de renovação, de repetição e de modulação, com novos enredos sempre a arrancarem para logo abortarem, com constantes intromissões e divagações a impedirem a narração de avançar, não abordando novos relatos senão para voltar a tropeçar no mesmo episódio indizível, deixando entrever o que se segue para melhor o ocultar, tal um segredo que se quer contar mas não se consegue, criando assim uma tensão que vai alimentar toda a obra, que dá a impressão de gravitar à volta de um centro sempre fugidio.
MALDOROR – O ESPECTÁCULO
A partir de “Os Cantos de Maldoror”, a obra-prima literária que Isidore Ducasse, sob o pseudónimo de Conde de Lautréamont, deu à estampa nos finais do séc. XIX, os Mão Morta, com os dedos de alguns cúmplices, estruturaram um espectáculo singular onde a música brinca com o teatro, o vídeo e a declamação.
Aí se sucedem as vozes do herói Maldoror e do narrador Lautréamont, algumas imagens privilegiadas das muitas que povoam o livro, sem necessidade de um epílogo ou de uma linearidade narrativa, ao ritmo da fantasia infantil – o palco é o quarto de brinquedos, o espaço onde a criança brinca, onde cria e encarna personagens e histórias dando livre curso à imaginação.·Em similitude com a técnica narrativa presente nos Cantos, a criança mistura em si as vozes de autor, narrador e personagem, criando, interpretando e fazendo interpretar aos brinquedos/artefactos que manipula as visões e as histórias retiradas das páginas de Isidore Ducasse, dando-lhes tridimensionalidade e visibilidade plástica. O espectáculo é constituído pelo conjunto desses quadros/excertos, que se sucedem como canções mas encadeados uns nos outros, recorrendo à manipulação vídeo e à representação.·Como um mergulho no mundo terrível de Maldoror, povoado de caudas de peixe voadoras, de polvos alados, de homens com cabeça de pelicano, de cisnes carregando bigornas, de acoplamentos horrorosos, de naufrágios, de violações, de combates sem tréguas… Sai-se deste mundo por uma intervenção exterior, como quem acorda no meio de um pesadelo, como a criança que é chamada para o jantar a meio da brincadeira – sem epílogo, sem conclusão, sem continuação!
Texto Original: Isidore Ducasse dito Conde de Lautréamont;Selecção, Versão Portuguesa e Adaptação: Adolfo Luxúria Canibal;Música: Miguel Pedro, Vasco Vaz, António Rafael e Mão Morta;
Encenação: António Durães;
Cenografia: Pedro Tudela;
Figurinos: Cláudia Ribeiro;
Vídeo: Nuno Tudela;
Desenho de Luz: Manuel Antunes;
Interpretação: Mão Morta (Adolfo Luxúria Canibal – voz / Miguel Pedro – electrónica e bateria / António Rafael – teclados e guitarra / Sapo – guitarra / Vasco Vaz – guitarra e teclados / Joana Longobardi – baixo e contrabaixo);
Produção: Theatro Circo e Imetua – Cooperativa Cultural
ESTREIA NO THEATRO CIRCO, em Braga, A 11 E 12 DE MAIO DE 2007·
Outras apresentações:PORTALEGRE, Centro de Artes do Espectáculo, a 19 de Maio.
domingo, 6 de maio de 2007
SOBRE O WORKSHOP DE ESCRITA CRIATIVA DE PEDRO SENA-LINO EM SÃO JOÃO DA MADEIRA

Cartaz do workshop intensivo de Escrita Criativa
de Pedro Sena-lino em São João da Madeira
(26, 27 e 28 de Abril de 2007)
Foi com o maior prazer e satisfação que frequentei o workshop intensivo de escrita criativa do escritor Pedro Sena-Lino entre os dias 26, 27 e 28 de Abril, no Museu de Chapelaria de São João da Madeira. Confesso que já tinha ouvido falar em Escrita Criativa mas nunca soube de que é que se tratava até frequentar aquelas quatro maravilhosas aulas com o escritor e poeta Pedro Sena-Lino - que também desconhecia.
Segundo o que eu entendi, trata-se de algo que foi inventado nos Estados Unidos da América, por professores da Universidade de Havard, preocupados com a falta de imaginação e criatividade dos seus alunos devido a uma série de bloqueios criativos que possuíam na construção do discurso e na comunicação em geral, entre outros problemas. Essas formações proliferaram pelos E.U.A desde então, chegando a aparecer a primeira tese de mestrado sobre esta matéria na Universidade do Iowa, na década de 1930.
Estas formações começaram a sair das universidades para espaços mais democráticos como clubes, associações e até cafés a partir dos finais década de 50 e princípios de 60 nos Estados Unidos da América. A sua estreia em Portugal acontece na década de 80, pela mão dos escritores Rui Zink e Ana Hatherly
No fundo, trata-se de um conjunto de ferramentas criativas do mundo da Linguagem que são frequentemente utilizadas por criativos e autores em todo o mundo, com vista a desbloquear a criatividade, libertar a imaginação, enriquecer o nosso vocabulário, melhorar a qualidade da nossa escrita, desenvolver e desconstruir a linguagem, fomentar a técnica, o trabalho árduo, a disciplina e a leitura de grandes obras do passado e do presente, procurando um equilíbrio entre a teoria e a prática da Escrita Criativa, de modo a tornar a nossa escrita mais automática e espontânea do que já é.
Durante esse quatro dias, não só tomei conhecimento de colegas fantásticos (entre os quais estava a actual Directora do Museu, doutora Suzana Menezes), mas também conheci a faceta mais extrovertida, criativa e mirabulante do nosso formador, Pedro Sena-lino, que nos fez rir e interessar cada vez mais por esta tão apaixonante e importante disciplina que me ensinou a desbloquar a criatividade a libertar a imaginação como ninguém e revolucionou a forma como eu penso, sinto, acredito e atiro para o papel, sem esperar juízos de qualquer espécie, a não ser de mim mesmo.
Não escrevi nenhuma obra durante esses dias, mas recebi muitas dicas e lições muito importantes sobre como escrever mais e melhor, de forma fluída e automática, como ninguém. Para muitos pode parecer estranho aquilo que vos vou dizer, mas, se querem saber mesmo a verdade, dá-me a parecer que, no fim-de-semana passado, frequentei a formação mais importante de toda a minha vida. E não apareceu na minha vida por acaso.
Muito obrigado pela iniciativa, Museu de Chapelaria! Muto obrigado Pedro Sena.Lino!
Bem hajam!
Tiago Moita
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