“ECOS MUDOS” é uma fábula poética que conta a história de um poeta, de uma grande cidade dos nossos dias, que se apaixona por uma mulher que tenta convencê-lo a abandonar a sua vida de tristeza e solidão e da sua viagem até ao Inferno aonde acaba por encontrar os seus fantasmas e as suas memórias mais obscuras. Uma viagem à volta da fragilidade humana em oito capítulos cheios de mistério e emoção e um enigma misterioso, sobre um dos assuntos deste livro, expresso em código”.
A PARÁBOLA DA CONDIÇÃO HUMANASegundo o autor da obra "ECOS MUDOS" é uma fábula poética contemporânea que revela um ensaio geral sobre a condição humana, enriquecido com linguagem poética e referências religiosas, psicanalíticas e mitológicas, aonde a fragilidade do ser humano é o mote para a reflexão acerca deste tema tão complexo e, ao mesmo tempo, apaixonante.
Partindo da estória que está presente no poema que dá título ao livro, Tiago Moita começou a explorar os meandros da fragilidade humana, servindo-se dos seus conhecimentos filosóficos e de psicologia, assim como relatos de experiências sobre os mais diversos estados de alma que recebeu através de conversas quotidianas que escutou durante a sua vida, tanto de amigos como de conhecidos. Estados de alma esses que, segundo o autor, funcionam como ecos apenas sentidos pelo indivíduo e mudos perante uma sociedade cada vez mais preocupada com o seu próprio umbigo do que com o seu semelhante. Daí o nome do seu livro.
Percorrendo cada capítulo da sua obra, o leitor deixa de ser um mero espectador da estória que consubstancia o seu enredo e começará a se sentir como um reflexo de um espelho - objecto frequentemente referenciado neste livro, sobre a essência que identifica a sua própria existência. Cada pausa, linha, lágrima ou beijo retratado nos poemas e textos de "ECOS MUDOS" são um encadeamento de sentimentos que reflectem o ser humano enquanto um ser vivo em busca da razão da sua própria existência e do seu papel neste fardo de remendos a que chamam vida, como desabafa a personagem principal num dos poemas da obra de Tiago Moita.
"ECOS MUDOS" ao retratar de forma tão crua e profunda a fragilidade humana acaba por fazer também o retrato da própria humanidade. Um retrato de uma espécie que nasceu com a capacidade de escolher o seu próprio caminho e com uma mensagem de esperança, baseada no facto de que nesta vida tudo é sempre possível corrigir esse caminho e que a qualquer momento pode reparar os erros que comete, revelando em cada lição de vida uma luz dentro da sua alma que o faz sentir como parte muito especial num universo em constante mutação e essência que dá sentido ao seu nome.
COMO FUNCIONA O ENIGMA DO LIVRO?
“ECOS MUDOS” é um livro diferente de todos os outros livros alguma vez criados pelo facto de ser o primeiro livro Enigma do Mundo. Um livro Enigma é um livro interactivo aonde o autor do livro convida o leitor a participar num jogo que consiste na resolução de uma charada situada na terceira folha do livro. A palavra que dá resposta a essa charada tem as suas letras espalhadas e misturadas com outras letras do alfabeto latino, impressas pelas folhas de texto sob a forma de marcas d’água.
Para se chegar às letras o leitor terá que prestar muita atenção às folhas de texto do livro: existem nessas folhas um conjunto de caracteres (Números, símbolos, setas e caracteres) que puderam dar pistas para o leitor encontrar em cada folha de texto, dois códigos fundamentais: um, dirá ao leitor qual a letra certa, e o outro, qual a ordem certa da letra na construção da palavra que dá resposta ao enigma do livro, que versa sobre um dos seus temas. O AUTOR:.JPG)
Filho de um economista e de uma funcionária pública, Tiago de Vasconcelos e Moita nasceu a 15 de Abril de 1975, na Freguesia de Santa Justa em Lisboa - Cidade aonde viveu os primeiros anos da sua vida até aos dez anos de idade, altura em que migrou para S. João da Madeira, terra dos seus avós paternos.
Nessa Cidade, concluiu a quarta classe na escola Salazar em 1986; Fez o Ensino Preparatório na Escola Preparatória de S. João da Madeira em 1988 e terminou o ensino secundário no externato D. Dinis, na área de Humanísticas. Durante esse período, começou a escrever os seus primeiros poemas e praticou natação na AEJ (Associação Estamos Juntos).
Em Outubro de 1995, ingressou no Ensino Superior do Porto, mais propriamente na Universidade Lusíada do Porto, aonde frequentou o curso de Direito até 2001. Na Universidade, foi colunista permanente do primeiro jornal da Associação Académica da Universidade Lusíada do Porto nos anos 1997, 1998 e 2000, assim como foi membro do E.L.S.A (European Law Students Association) entre 1998 e 2001.
Após a sua saída na Universidade, trabalhou numa campanha autárquica em 2001; trabalhou como secretário administrativo numa importante empresa do sector têxtil da sua região em 2002; tirou cursos profissionais entre 2003 e 2005 e participou em alguns eventos culturais tanto a nível nacional como internacional entre 2004 e 2006.
A CAMINHO DE UM SONHOApesar de ter começado a escrever os seus poemas a partir dos quinze anos de idade, numa altura em que não possuía grandes conhecimentos de poesia, para além dos escritores e poetas que aprendeu na escola secundária como Almeida Garrett, Alexandre Herculano e Bocage - poeta que, na altura, muito admirava, Tiago Moita só começou a escrever os seus primeiros poemas e textos em prosa com vinte anos de idade. Tudo graças ao empréstimo de um livro de poemas de Jim Morrison intitulado
"Abismos" por parte de um primo seu que, segundo o escritor, mudou radicalmente a sua vida.
Durante o tempo em que esteve na Universidade Lusíada do Porto leu, para além de livros sobre a sua área, livros de escritores e poetas portugueses como Fernando Pessoa, Natália Correia, José Régio, José Saramago e António Lobo Antunes, e estrangeiros como Allen Ginsberg, Jack Kerouak, William S. Burroughs, Pablo Neruda, Bertold Brecht, Artur Rimbaud, Edgar Allan Poe, William Blake, Franz Kafka, Stephen King, Umberto Eco e Steven Saylor. De acordo com o escritor, foram escritos durante o seus seis anos de Faculdade mais de cem poemas e textos em prosa, tendo um desses poemas sido publicado no jornal da Associação Académica da sua Universidade em Outubro de 1998.
A partir de 2003, começou a a interessar-se mais por poesia portuguesa contemporânea, a partir da leitura de livros de poetas portugueses como Al Berto, Sophia de Mello Breyner Anderson, Sara Costa, José Luís Peixoto, Mário de Sá Carneiro, António Franco Alexandre, António Ramos Rosa, Herberto Hélder e Luiza Neto Jorge, bem como estrangeiros como Lautréamont e Rilke.
Em 2004 participou numa declamação teatral dum excerto dum texto do livro "
Quanto Durou Jacques" do escritor Sanjoanense Teixeira Moita, seu tio, durante a apresentação do seu livro na Biblioteca Municipal de S. João da Madeira; Declamou o seu primeiro poema ao vivo no espaço cultural da Associação
Ecos Urbanos, no espectáculo de encerramento da Workshop de Poesia "
A Orquestra das Palavras"; Declamou dois dos seus poemas no auditório da Junta de Freguesia de Pindelo, Concelho de Oliveira de Azeméis, durante a realização do terceiro Encontro Nacional de Poetas Portugueses e publicou um dos seus poemas no jornal "O Regional".
Em 2005, participou em eventos culturais em Portugal e em Espanha aonde declamou poemas da sua autoria. Em 2006, participou com num evento cultural inserido na campanha "
Poesia à Mesa" denominada Filo Café, onde declamou um dos seus poemas e lançou a sua primeira obra "
ECOS MUDOS" na Fnac do Gaia Shopping a 22 de Abril desse ano, sob a chancela da Papiro Editora, que o levou a uma mini-digressão de quatro etapas de norte a centro de Portugal.
UM SEGUNDOSó posso estar a sonhar...Não consigo acreditar Naquilo que os meus olhos me mostramUma visão divina sob a forma De uma aguarelaMesmo à frente do meu narizDa minha boca, vomito brasasDo inferno de DanteDa minha língua, caem-me as sílabasDas palavras que nunca te direiMeus olhos já tinham despertadoDo transe das horas murchasMeu corpo começava a acordar, lentamenteDos sonhos de seda escarlate Que encontrei nos antros de volúpiaAonde saciava os meus desejosE que larguei pelas esquinas medonhasAté ao despertar da madrugadaSentia ainda o aroma do whiskyEncharcado nos meus ossosA perturbar os meus sentidosSentia ainda o perfume da última mulherNa ponta dos meus lábiosSentado numa esplanada, faça um pedidoe sou atendido por um rapaz-caleidoscópioQue me serve um café de saco Para despertar o meu corpoDa melancolia desta manhã de cloroUm pardal delirante aterra no meu ombroE sussurra no meu ouvido:"Na inconsciência do ser esconde-se a chave do infinito"Um segundo, foi quanto bastouPara que os meus olhos ficassem presos nos teusUm segundo, foi quanto bastouPara sentir a libido a invadir minhas veiasNum segundo, morriNum segundo, regressei dos mortosNum segundo, renasciNão consegui resistir...Era mais forte do que eu...O brilho do teu sorriso de pérolasFez cegar os meus olhos de esmalteo aroma da camomilaDos teus cabelos de fogoArrastou-se para a tua mesaComo um zumbi enfeitiçadoSentados, lado a ladoComeçámos a trocar sorrisosE a desenhar gestos no ventoSoltámos, livres, a alegria dos nossos rostosdas cinzas do quotidianoLibertámos feixes de malíciaDa clausura dos nossos templosDas linhas da tua mãoFui contando-te os segredos das metáforasDo som da tua vozRemontei ao esplendor do verão das origensApertaste minha mãoE a morte deixou-nos Até ao romper das horasNum segundo, perdi meu fôlegoNum segundo. morriNum segundo, regressei dos mortosNum segundo, renasciSelámos nosso encontroCom um beijo de fogoE acendemos juntos uma chamaNo âmago do nosso amorJunto ao meu ouvidoSussurras-te um pedidoDo ventre do teu desejoAntes de me puxaresPara fora do nosso recantoDaquele beijo, só um sabor senti em minha línguaDaquele encontro, só um pensamentoEcoava na minha mente......"Nós"...TIAGO MOITA, Ecos Mudos (2006), in