terça-feira, 13 de abril de 2021

FALHAS NA COMUNICAÇÃO (Tiago Moita)


FALHAS NA COMUNICAÇÃO


Um amigo meu trabalhou durante cinco anos enquanto freelancer de Marketing de Conteúdos para empresas. Há dois anos, uma importante empresa do ramo do comércio e da distribuição prescindiu dos seus serviços, por causa de um artigo que ele publicou no site dessa mesma empresa cheio de erros ortográficos e completamente descontextualizado dos produtos e da missão da empresa em questão. Espantado e intrigado com o que ele fizera, perguntei-lhe por que motivo ele publicara esse artigo, uma vez que era perito em Marketing de Conteúdos. Ele, muito envergonhado, disse-me que tinha-se “inspirado” em vários tópicos que encontrou em diversas páginas da internet, relativas ao ramo da empresa que o despachara e ao assunto desse artigo, e que não tivera muito tempo para escrever um artigo mais criativo e inovador porque não tinha queda para a escrita e não se sentia “suficiente bom”.

Quando ele me disse que não se sentia “suficiente bom” confessar a principal causa pela qual muitos de nós cometemos falhas na nossa comunicação com os outros. Não somos suficientemente bons. 

E porquê? 

1- Porque damos demasiada importância à inspiração e menos ao trabalho e dedicação à linguagem, esquecendo-se que por uma palavra dás uma nova vida ou dás cabo de um texto, um poema, um livro ou um post ou conversa que estejas a ter numa qualquer rede social com uma pessoa ou empresa; 

2- Porque centramo-nos muito naquilo que é vulgar e geral para a maioria das pessoas ao invés daquilo que é especial e diferente, que é essencial salientar em qualquer tipo de comunicação; 

3- Porque pensamos que a criatividade é uma coisa que só aparece e pertence a poucos e que o simples acto de “escrever muito” é o suficiente para fazer com a criatividade apareça dentro de nós “por magia”;

4- Porque julgamos que sabemos mais do que os outros e não estamos dispostos a aprender mais nada tampouco a retirar alguma experiência ou lição dos nossos erros; 

5- Porque damos mais atenção à forma e à imagem do que ao conteúdo.

Tudo isto é real tanto para um freelancer de Marketing de Conteúdos como para um autor. Mas muito disso pode ser resolvido através da fórmula que utilizo desde o início do meu percurso literário. Graças a ela não só consegui desbloquear, por completo, a minha criatividade, libertar a minha imaginação, ganhar mais autoconfiança, segurança, tranquilidade, motivação e talento mas também enriqueci o meu vocabulário e a articular melhor as palavras, não só na comunicação oral como também na escrita, provando a todo o mundo que a melhor comunicação é aquela que vem dentro de nós. 

Tiago Moita. 
Abril de 2021

domingo, 11 de abril de 2021

SABEDORIA PURA (Honoré de Balzac)


"A dor enobrece as pessoas mais vulgares, porque ela tem a sua grandeza, e, para receber o seu brilho, basta ser verdadeira."

Honoré de Balzac.

Escritor

(1799-1850)

quarta-feira, 7 de abril de 2021

UMA JANGADA PARA NO MEIO DE UM OCEANO (Tiago Moita)


UMA JANGADA PARADA NO MEIO DE UM OCEANO.

Quantas vezes ficaste a olhar para uma folha em branco ou para o ecrã do teu computador ou smartphone à espera de uma palavra, uma ideia, um rasgo de génio capaz de desenvolver um poema ou um texto de um romance, um conto ou simplesmente um conteúdo para criar ou actualizar um site ou blog de um cliente teu muito importante?

Para quem já está habituado a fazer da escrita o seu ofício, a página em branco – seja ela física ou virtual – é um desafio emocionante e tentador. Para dar asas à imaginação e soltar as rédeas à criatividade que fervilha e pulsa dentro de cada um de nós. Para quem não está, a simples revelação da nudez branca de uma página ou o silêncio de um documento de texto aberto podem representar um medo tão poderoso e angústia como o medo de um náufrago numa jangada parada e perdida no meio de um oceano.

Momentos de estagnação, como estes que acabei de mencionar no parágrafo anterior, estão sempre a acontecer e os autores mais experientes não estão isentos de serem apanhados por eles. Isto faz-me lembrar uma estória de um menino que uma vez encontrei a chorar porque tinha perdido as chaves de casa. “Senhor! Senhor!”, disse ele para mim. “Por acaso não encontrou no chão um molhe de chaves? Perdi as chaves da casa onde moro e preciso de encontrá-las. Os meus pais foram trabalhar para longe da cidade e só regressam à hora do jantar. Ainda por cima deixei o meu telemóvel em casa para carregar a bateria.”

Sabem o que eu lhe disse? “Põe-te do lado das chaves que andas à procura e pensa que elas estão a jogar às escondidas contigo. Se fosses o molhe de chaves que andas à procura onde é que te escondias?”

O menino estranhou o meu pedido mas assentiu e começou a pensar como se fosse o objecto que andava à procura. Sabem o que aconteceu? Ele começou a rever o trajecto que fez da mercearia onde foi fazer uma compra para a sua mãe até ao lugar onde nos encontrámos e acabou por encontrar o molhe de chaves que andava, desesperado, à procura, a poucos metros do lugar onde estávamos.

Quando escolhemos criar qualquer coisa de acordo com o nosso ponto de vista corremos o risco de isolarmos a mais remota ideia, a mais singela hipótese ou até mesmo a mais pequena pista para desenvolvermos algo potencialmente criativo, tudo por causa de estarmos sempre a pensar do nosso ponto de vista, mas, se nos abandonarmos por uns momentos e começarmos a ver aquilo que andamos à procura do ponto de vista de objecto de toda a nossa atenção, podemos, sem querer, encontrar o tal golpe de asa, a tal palavra, a tal ideia de génio que precisamos para ultrapassar o estado de estagnação em que nos encontramos e passarmos a ser um oceano de oportunidades e de criatividade em vez de uma jangada vazia e parada num oceano.”

TIAGO MOITA

segunda-feira, 5 de abril de 2021

O ICEBERG QUE NÃO SE VÊ (Tiago Moita)

 


O ICEBERG QUE NINGUÉM VÊ.

Quem vê esta fotografia tirada pelo meu pai em 2006, quando vi publicado e apresentei o meu primeiro livro "Ecos Mudos" com 31 anos, deve pensar que descobri o meu caminho muito cedo e que já sonhava em ser um brilhante, talentoso e criativo escritor. Certo?

Errado!

Por detrás desta imagem escondia-se um Tiago Moita tímido, desconfiado e cheio de bloqueios criativos e com bastantes problemas de comunicação. 

Hoje, quem me vê a dar autógrafos numa sessão de apresentação ou numa feira do livro, não imagina os tempos em que trabalhava por conta de outrem e tinha dificuldade em conciliar tempo para me dedicar à escrita e ser mais criativo na minha vida e no meu trabalho, sem perder a minha relação com a minha família e @s meus (minhas) amig@s e o meu prazer de ler e escrever o que me apetecesse. 

Não imagina o cansaço, os momentos de frustração e de desânimo em que ficava horas a olhar para uma folha de papel em branco ou para um ecrã de um computador, à espera que alguma "inspiração divina" descesse sobre a minha cabeça e me ajudasse a libertar mais a minha imaginação e a desbloquear a minha criatividade. Por detrás desta imagem, ninguém imagina o que eu passei.

E, sobretudo, ninguém imagina os momentos em que eu estive quase para desistir dos meus sonhos porque tinha dificuldades em comunicar com as pessoas, apresentar as minhas ideias, os meus sonhos e projectos, cursos e workshops e, claro, os poemas e histórias que mais gostava e desejava partilhar com o mundo sob a forma de livros. Fosse por falta de experiência, fosse por não ter encontrado o meu verdadeiro estilo, fosse pelos comentários de certas pessoas que achavam que não era suficientemente talentoso, criativo, inteligente, erudito e culto por ter descoberto o meu caminho de me tornar num criativo e escritor de sucesso com apenas...28 anos! (que, para muitos, era considerada uma idade demasiado avançada para começar um sonho, como o de ser um poeta ou um escritor criativo de muito sucesso, por exemplo).

É muito fácil julgarmos os outros por aquilo que está à superfície ou à distância dos nossos olhos tal como esta imagem que não conta, por completo, a verdadeira história por detrás do meu percurso profissional e pessoal ou a ponta de um iceberg, que nunca revela o seu real tamanho que existe debaixo de água. Por vezes precisamos de olhar para os dois lados de uma história para termos o quadro completo do(s) assunto(s) que ela aborda em vez de fazermos julgamentos precipitados acerca das pessoas que conhecemos através de rumores ou de boatos e não por aquilo que elas verdadeiramente são.

Tiago Moita. 


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segunda-feira, 15 de março de 2021

"MANUAL DA SOLIDÃO" - UM ANO DEPOIS


 "MANUAL DA SOLIDÃO" - UM ANO DEPOIS.

Fez na passada sexta-feira UM ANO que foi editado o meu oitavo livro - e primeiro de prosa poética - "Manual da Solidão", pela Chiado Publishers.

Infelizmente, por causa desta maldita pandemia, o seu lançamento e apresentação (presencial) pública foram cancelados - bem como toda a digressão nacional que eu e a minha editora tínhamos planeado.

Até hoje, estou proibido pelo governo de Portugal e pela DGS de o apresentar em Bibliotecas Municipais, Lojas FNAC e grande parte das livrrarias do nosso país. Tanto as Lojas FNAC como grande parte das livrarias portuguesas se recusam a comercializá-lo pelo simples facto de que ainda não foi apresentado.

Esperemos que esse ano tudo de resolva e o meu livro possa, finalmente ser apresentado - e comercializado - como deve ser.

A ver vamos...

Tiago Moita. 

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domingo, 14 de fevereiro de 2021

DO LIVRO "MANUAL DA SOLIDÃO" DE TIAGO MOITA - "O SENTIDO DA PRIVAÇÃO" (2020)

 


O SENTIDO DA PRIVAÇÃO

Só na solidão é que o homem entende o sentido da privação dos vícios e contempla a plenitude da sua transcendência. Perdi a conta do número de vezes que me deixei encantar e sentir humano, cada vez que mergulhava nas profundezas de mim mesmo. Cada ser é o reflexo de um sonho. Mergulha naquele que espelha o teu. Saber quem nós somos é uma aliança entre nós e o universo. O que pensamos e sentimos são códigos akáshicos e pincéis sinestésicos que desenham a nossa real.idade. Transparecer toda esta clarividência é regressar do exílio de nós mesmos.   

Tiago Moita
"Manual da Solidão"
Colecção "Palavras Soltas"
Chiado Publishers
2020

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POEMA "O PRIMEIRO BEIJO"

 




O PRIMEIRO BEIJO

(inspirado neste vídeo)


Uma dúvida acendeu o rastilho 
de uma febre adormecida
nos nossos corações virgens
desde o nosso primeiro encontro.
Sem saber, despertara em nós
o primeiro sinal da primavera.

O medo diluiu-se na tua resposta
como o suspiro breve de uma rosa.
Rendi a guarda aos sentidos
quando deixámos os olhos decifrar
o enigma desse fogo etéreo e vivo
que nos consome.

O tempo afogou-se na nossa respiração.

Navegámos ao sabor da correnteza
do verbo incandescente que nos criou
como duas metades perdidas do fruto proibido
da árvore da vida
e deixámo-nos naufragar como navios
para encontrar na foz das nossas bocas
o mar que habita em nós.

Pousei a minha mão sobre a tua
e a morte deixou-nos entregues
a nós próprios.

Deixámos partir a inocência
com o primeiro beijo
sorvemos a vida num só fôlego
como dois amantes sonâmbulos
sedentos de sal e fogo
e selámos num abraço sincero e limpo
o prelúdio do nosso amor.

Tiago Moita

(dedicado a todas as pessoas que acreditam no amor, especialmente ao Esteban e à Zia)

Feliz dia dos Namorados!

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